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Os injustiçados e campeões controversos do prêmio de melhor do mundo

Messi, Cristiano e Van Dijk concorrem ao Fifa The Best de 2019. No passado, premiação teve vencedores contestados, como Cannavarro, Modric e até Ronaldinho

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 23 set 2019, 10h16 - Publicado em 20 set 2019, 08h30

A Fifa entregará o prêmio The Best ao melhor jogador do mundo neste segunda-feira, 23, em cerimônia realizada em Milão, na Itália. O três candidatos são os atacantes Lionel Messi, do Barcelona, e Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, além do zagueiro Virgil Van Dijk, do Liverpool, que já desbancou os concorrentes na eleição de melhor da temporada europeia, feita pela Uefa no final de agosto.

O defensor pode, ainda, se tornar o segundo da posição a levantar o troféu da Fifa, que premiou o italiano Fábio Cannavaro em 2006. Á época. o zagueiro foi campeão do mundo com a Itália, mas foi contestado por ficar à frente de Zinedine Zidane, Thierry Henry e até mesmo de seu companheiro de seleção, o goleiro Gianluigi Buffon, na eleição da Fifa. Cannavaro, porém, não foi o único vencedor polêmico e outros jogadores já foram injustiçados na premiação da entidade.

Os injustiçados

Franck Ribéry

O francês Franck Ribéry, campeão da Champions League de 2013, pelo Bayern de Munique

O francês Franck Ribéry, campeão da Champions League de 2013, pelo Bayern de Munique Pressefoto Ulmerullstein bild/Getty Images

O atacante francês fez a temporada da sua vida em 2013, liderando o Bayern de Munique aos títulos do Campeonato Alemão, Copa da Alemanha e da Liga dos Campeões, com direito a humilhante eliminação do Barcelona, de Lionel Messi, na semifinal com um 7 a 0 no placar agregado. Os feitos coletivos lhe deram o troféu de melhor jogador da Europa da Uefa, mas não foram suficientes para que Ribéry superasse Cristiano Ronaldo, autor de 55 gols em 55 jogos do Real Madrid e vencedor do prêmio Bola de Ouro, que na época era entregue de forma conjunta pela Fifa e pela revista France Football. Em entrevista ao Canal +, Ribéry chegou a dizer que se sentiu “roubado”.

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Wesley Sneijder

Wesley Sneijder, da Inter de Milão, com a taça da Champions de 2010

Wesley Sneijder, da Inter de Milão, com a taça da Champions de 2010 AMA/Corbis/Getty Images

O meia holandês da Inter de Milão marcou oito gols e distribuiu 15 assistências em 2010. Pouco se comparado aos números de Cristiano e Messi, mas o portfólio de Sneijder sempre se baseou nas atuações coletivas, além de seu talento para facilitar e construir jogadas. O holandês, naquele ano, foi um dos protagonistas do surpreendente título da Inter de Milão na Champions, deixando o favorito Barcelona para trás na semifinal. O meia também foi um dos pilares do vice-campeonato mundial da Holanda, na África do Sul – foi o carrasco do Brasil nas quartas de final – mas perdeu o prêmio de melhor do mundo para Lionel Messi.

Arjen Robben

O holandês Arjen Robben em jogo contra a Espanha, pela final Copa do Mundo de 2010, na África do Sul

O holandês Arjen Robben em jogo contra a Espanha, pela final Copa do Mundo de 2010, na África do Sul Jasper Juinen/Getty Images

Robben, assim como seu compatriota Wesley Sneijder, também fez brilhante temporada em 2010. Foi campeão da Bundesliga, Copa da Alemanha e finalista da Champions League, marcando 23 gols no ano pelo Bayern de Munique. O atacante também foi peça fundamental na campanha do vice-campeonato da seleção holandesa na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Robben sequer ficou entre os três melhores naquele ano. O mesmo ocorreu em 2014, quando o habilidoso atacante canhoto levou a Holanda à semifinal do Mundial, no Brasil, e o Bayern à semifinal da Champions, somando 21 gols e 17 assistências na temporada.

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Andrés Iniesta

Andrés Iniesta levanta a taça de campeão do mundo pela seleção espanhola

Andrés Iniesta levanta a taça de campeão do mundo pela seleção espanhola Jamie McDonald/Getty Images

O ano de 2010 teve mais um forte candidato ao prêmio: Andrés Iniesta. O meia de incrível classe e visão de jogo foi um dos líderes do Barcelona campeão espanhol e, de quebra, marcou o gol do inédito título da seleção espanhola na Copa do Mundo da África do Sul. Ele terminou como o segundo na Bola de Ouro, atrás do colega Messi. Em 2012, Iniesta foi o terceiro.

Thierry Henry

Thierry Henry celebra um de seus 30 gols no Campeonato Inglês de 2004

Thierry Henry celebra um de seus 30 gols no Campeonato Inglês de 2004 PA Images/Getty Images

O craque francês marcou época no Arsenal, onde conquistou o bicampeonato inglês, em 2002 e 2004 – neste último, de forma invicta, quando marcou 30 gols na competição e 39 na temporada. Campeão do mundo com a França em 1998, Henry foi duas vezes vice no prêmio da Fifa durante seu auge, em 2003 e 2004, perdendo o título para seu compatriota Zinedine Zidane, campeão espanhol em 2003, e também para Ronaldinho Gaúcho, que sequer venceu títulos em 2004.

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Deco

Deco comemora gol marcado sobre o Mônaco, na final da Champions League de 2004

Deco comemora gol marcado sobre o Mônaco, na final da Champions League de 2004 Tony Marshall/EMPICS/Getty Images

O paulista naturalizado português foi um dos grandes nomes da história do futebol português, mas nunca ficou entre os três melhores do mundo no prêmio da Fifa. Deco teve sua melhor temporada em 2004, quando liderou o Porto a um surpreendente título da Liga dos Campeões, com direito a gol na final contra o Mônaco. O grande desempenho se repetiu, também, na Eurocopa de 2004, em Portugal, quando a seleção da casa chegou à final, mas foi surpreendida pela Grécia, por 1 a 0. No segundo semestre, ele se transferiu ao Barcelona, onde se consagraria ainda mais. Deco teve sua temporada reconhecida com o segundo lugar na Bola de Ouro da revista France Football, conquistada pelo ucraniano Andriy Schevchenko, mas ficou  fora do Top 3 da Fifa naquele ano. O vencedor foi Ronaldinho Gaúcho, do Barcelona, seguido por Henry e Schevchenko.

Michael Owen

Michael Owen levanta a taça da Copa da Inglaterra, em 2001

Michael Owen levanta a taça da Copa da Inglaterra, em 2001 Ben Radford/ALLSPORT/Getty Images

O atacante inglês do Liverpool marcou 24 gols em 46 jogos na temporada 2000/2001 e venceu a Copa da Inglaterra, Copa da Liga Inglesa, Liga Europa e Supercopa Europeia. Tais façanhas lhe renderam a Bola de Ouro da France Football, mas, assim como outros injustiçados, Owen nem sequer ficou entre os três melhores no evento da Fifa, que consagrou o português Luís Figo. O segundo lugar ficou com um colega de seleção de Owen, o meia David Beckham.

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Raúl González

Raúl González comemora gol pelo Real Madrid na final da Champions League de 2000

Raúl González comemora gol pelo Real Madrid na final da Champions League de 2000 Mark Leech/Getty Images

Ídolo do Real Madrid, o atacante Raúl González também figura na lista de jogadores que poderiam ter vencido o prêmio, principalmente em 2001, quando Figo, seu companheiro de equipe, foi o vencedor. Raúl ficou em terceiro na ocasião, atrás de Beckham, do Manchester United, mesmo após ter marcado 32 gols em 50 jogos e de ter vencido o Campeonato Espanhol pelo Real. Raúl ficou com o segundo lugar na Bola de Ouro, conquistada por Owen.

Andriy Shevchenko

Shevchenko dribla Deco em jogo entre Milan e Barcelona, na Champions League de 2005

Shevchenko dribla Deco em jogo entre Milan e Barcelona, na Champions League de 2005 Sandra Behne/Bongarts/Getty Images

O ucraniano foi candidato direto ao prêmio da Fifa em duas oportunidades. Em 2001, o atacante do Milan teve sua melhor temporada individualmente, marcando 34 gols em 51 jogos, mas a queda do time italiano na fase de grupos da Champions o impediu de entrar no Top 3. Em 2004, “Sheva” marcou 29 gols, conquistou o título italiano e chegou às quartas de final da Liga dos Campeões. Por isso, foi eleito Bola de Ouro, mas no prêmio da Fifa, vencido por Ronaldinho, ficou apenas en terceiro.

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Steven Gerrard

Steven Gerrard, capitão do Liverpool, levanta a taça de campeão da Champions League de 2005

Steven Gerrard, capitão do Liverpool, levanta a taça de campeão da Champions League de 2005 Rebecca Naden/PA Images/Getty Images

O meia inglês foi o principal responsável pela incrível temporada de 2005 do Liverpool, campeão europeu com uma virada histórica contra o Milan. Na ocasião, o time foi para o intervalo perdendo por 3 a 0, mas chegou ao empate, com um gol de Gerrard, e alcançou a glória nas penalidades. Gerrard terminou em terceiro lugar no Bola de Ouro e nem entrou no Top 3 da Fifa, ficando atrás do compatriota Frank Lampard, campeão inglês em 2005 com o Chelsea e autor de 19 gols na temporada.

Os vencedores controversos

George Weah (1995)

O atacante George Weah, do Milan

O atacante George Weah, do Milan Steve Morton/EMPICS/Getty Images

Em 1995, o atacante liberiano se tornou o primeiro e único africano a receber o prêmio de melhor do mundo da Fifa e a Bola de Ouro. Seus números pelo PSG na temporada 1994/1995, no entanto, não foram tão brilhantes: 18 gols em 53 jogos, sete deles na campanha de destaque do time francês na Liga dos Campeões (caiu na semifinal). No segundo semestre, Weah se transferiu para o Milan, onde viveu o auge de sua carreira. Para ser eleito melhor do mundo, o artilheiro da Libéria também se beneficiou de um ano de pouco êxito dos concorrentes – campeão no ano anterior, Romário havia retornado ao Brasil para jogar no Flamengo. Na premiação da Fifa, Weah terminou à frente do alemão Jürgen Klinsmann, do Bayern, e do italiano Paolo Maldini, do Milan, e o vencedor Weah; a Bola de Ouro teve os mesmos campeão e vice e o terceiro lugar ficou com o finlandês Jari Litmanen, camisa 10 do Ajax, campeão europeu do ano.

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Luís Figo (2001)

Luis Figo recebe o prêmio de melhor da Fifa de 2001. David Beckham e Raúl fecham o Top 3

Luis Figo recebe o prêmio de melhor da Fifa de 2001. David Beckham e Raúl fecham o Top 3 Shaun Botterill/ALLSPORT/Getty Images

O ano de 2001 foi um dos mais controversos e complicados para definir quem foi o melhor. O português Luís Figo foi o vencedor do prêmio da Fifa e um dos líderes do Real Madrid na campanha até a semifinal da Champions. O meia anotou 14 gols e distribuiu incríveis 27 assistências na temporada. O inglês Michael Owen, vencedor da Bola de Ouro naquele ano, marcou 24 gols e, com o Liverpool, venceu a Copa da Inglaterra, Copa da Liga Inglesa, Liga Europa e Supercopa Europeia, mas ficou de fora do Top 3, que teve David Beckham e Raúl González. Naquela temporada, o atacante espanhol do Real Madrid marcou 33 gols e deu oito passes para gol.

Ronaldinho Gaúcho (2004)

Ronaldinho Gaúcho com o prêmio de melhor da Fifa de 2004; Thierry Henry terminou em segundo

Ronaldinho Gaúcho com o prêmio de melhor da Fifa de 2004; Thierry Henry terminou em segundo Adam Davy/PA Images/Getty Images

Ronaldinho Gaúcho se tornou um dos melhores com seu estilo irreverente e talentoso de jogar, principalmente quando vivia seu auge no Barcelona, mas venceu de forma contestada o prêmio de melhor do mundo da Fifa de 2004. O meia marcou 22 gols e deu 11 assistências na temporada 2003/2004, mas não venceu nenhum título pelo clube espanhol e sequer disputou a Liga dos Campeões na primeira metade do ano. O ucraniano Andriy Schevchenko, Bola de Ouro daquele ano, anotou 29 gols pelo Milan, pelo qual foi campeão italiano, da Supercopa da Itália e chegou às quartas da Liga dos Campeões. Outro concorrente direto ao posto foi o português Deco, campeão da Champions de forma surpreendente com o Porto.

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Fabio Cannavaro (2006)

O italiano Fabio Cannavaro vence o prêmio de melhor do mundo da Fifa de 2006

O italiano Fabio Cannavaro vence o prêmio de melhor do mundo da Fifa de 2006 Adam Davy/PA Images/Getty Images

Eleições de defensores para o prêmio de melhor do mundo sempre são polêmicas, e a de Cannavaro, em 2006, não poderia ser diferente. O capitão da seleção italiana levantou a taça da Copa do Mundo da Alemanha, mas passou em branco com a Juventus e não foi unanimidade entre os melhores da Itália, que tinha referências como Alessandro Del Piero, Francesco Totti e Gianluigi Buffon, segundo colocado na Bola de Ouro daquele ano. O atacante francês Thierry Henry, autor de 33 gols pelo Arsenal e finalista da Copa do Mundo, também concorria ao prêmio Fifa, mas ficou de fora do Top 3, que foi composto por  Cannavaro, Zidane e Ronaldinho.

Lionel Messi (2010)

Lionel Messi conquista a Bola de Ouro da Fifa em 2010

Lionel Messi conquista a Bola de Ouro da Fifa em 2010 Stuart Franklin/FIFA/Getty Images

Messi é o maior vencedor do prêmio, empatado com Cristiano Ronaldo, mas o segundo de seus cinco troféus foi, no mínimo, contestável. Historicamente, a Copa do Mundo costumava ter maior peso nos votos para melhor do mundo, o que prejudicaria o craque, que fracassou com a seleção argentina, sem marcar um único gol na África do Sul. No fim, acabou pesando mais a genialidade de Messi, que somou 47 gols e 11 assistências pelo Barcelona na temporada 2009/2010.

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Cristiano Ronaldo (2013)

Cristiano Ronaldo se emociona ao receber a Bola de Ouro da Fifa em 2013

Cristiano Ronaldo se emociona ao receber a Bola de Ouro da Fifa em 2013 liewig christian/Corbis/Getty Images

Assim como Messi, Cristiano Ronaldo tem cinco prêmios de melhor do mundo, sendo um deles controverso. Em 2013, o português anotou 55 gols em 55 partidas pelo Real Madrid e foi o artilheiro da Champions, com 12 gols, terminando sua participação na semifinal, após derrota para Borussia Dortmund. O português também ganhou força no prêmio depois de vitória contra a Suécia, por 3 a 2, que classificou Portugal para a Copa de 2014. Naquele ano, porém, o Ronaldo teve a sombra do francês Franck Ribery, que venceu todos os campeonatos que disputou pelo Bayern de Munique, além do prêmio Uefa de melhor da temporada, mas acabou ficando atrás até mesmo de Messi no Top 3 da Fifa.

Luka Modric (2018)

Luka Modric com o prêmio The Best da Fifa

Luka Modric com o prêmio The Best da Fifa Michael Regan/FIFA/Getty Images

Modric foi o primeiro jogador, depois de 10 anos, a tirar um prêmio de melhor do mundo da dupla Cristiano Ronaldo e Messi. O meia foi campeão da Champions com o Real Madrid e vice da Copa do Mundo com a Croácia, mas sua eleição como melhor do mundo foi bastante criticada. O principal jogador do Real na temporada, novamente, foi Cristiano Ronaldo, autor de 44 gols em 44 jogos no seu último ano pelo clube e foi vice-artilheiro do Mundial da Rússia, com quatro gols marcados. A campanha croata na Copa pesou e Modric levou o prêmio, apesar da dificuldade para passar por Dinamarca e Rússia apenas na disputa por pênaltis.

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