Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Orlando Silva fala em ‘dever cumprido’ e reafirma inocência

Orlando Silva mostrou-se irritado após oficializar sua saída do Ministério do Esporte em reunião com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. O político, que se desgastou após ser citado em denúncias sobre corrupção, reafirmou que é inocente e diz que sai com o dever cumprido.

‘Saiu com o dever cumprido. É uma injustiça que calúnias ganhem ar de veracidade’, declarou Orlando Silva, em entrevista coletiva logo após de anunciar a decisão. ‘Pedi afastamento. Decidi sair para poder defender minha honra, o trabalho do Ministério do Esporte e o meu partido (PCdoB)’.

Orlando Silva é suspeito de ter participado de um esquema que desviava recursos do programa ‘Segundo Tempo’, responsável por investir em ONGs que incentivem jovens a praticar esportes. O policial militar João Dias Ferreira disse ter entregue à Polícia Federal, na última segunda-feira, arquivos de áudio que confirmam a presença do ministro em uma reunião em 2008, para prestação de contas.

‘Eu propus à Polícia Federal a apuração de todos os fatos e peço a vocês, dedicados profissionais da imprensa, que continuem acompanhando o caso. Verão que a verdade estará comigo’, acrescentou Orlando Silva, que repete o discurso desde que a crise começou, há 11 dias.

‘É um quadro que criou uma crise política. Nosso partido não pode ser instrumentos de ataque ao governo da presidente Dilma. Por isso, o resultado da reunião foi que o melhor seria eu me afastar do governo e ela concordou’, disse.

Dilma ainda não definiu o substituto de Orlando Silva, mas a expectativa é que um interino seja nomeado para que o nome do novo ministro seja discutido com mais calma. A pasta deve continuar com o PCdoB, que a comanda desde 2003. Aldo Rebelo, de São Paulo, e Luciana Santos, de Pernambuco, são os nomes mais fortes.

Silva é o sexto ministro afastado do cargo em apenas dez meses de governo de Dilma. Nelson Jobim (Defesa), Antonio Palocci (Casa Civil), Pedro Novais (Turismo), Alfredo Nascimento (Transportes) e Wagner Rossi (Agricultura) também foram retirados de suas respectivas pastas.