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Orçamento da Olimpíada do Rio vai demorar mais um ano

Na chegada da Bandeira Olímpica à cidade, prefeito Eduardo Paes afirma que seria uma "irresponsabilidade" apresentar um valor fechado sem ter todos os projetos licitados

Por Cecília Ritto 13 ago 2012, 20h06

“Não dá para chutar valor a esta altura da vida”, afirmou Paes

Apesar de o Comitê Olímpico Internacional ter cobrado o orçamento dos jogos do Rio de Janeiro, o prefeito da cidade, Eduardo Paes, afirmou que o valor só deverá ser divulgado no segundo semestre de 2013, daqui a um ano. Segundo Paes, seria uma “irresponsabilidade” falar de valores exatos neste momento. O prefeito alegou que nem todos os projetos foram licitados, o que dificultaria o cálculo de um valor fechado de todos os custos da Olimpíada. Alguns dos exemplos dados pelo próprio Paes foram o Parque de Deodoro e as arenas de natação e handball – os três ainda não passaram por processo licitatório.

“Não dá para chutar valor a esta altura da vida”, afirmou Paes, nesta segunda-feira, logo depois de desembarcar vindo de Londres, com a Bandeira Olímpica. “Temos o orçamento que é direto, um orçamento olímpico. É o caso do Parque de Deodoro, por exemplo. E existe uma parte que não é olímpica, como o Porto Maravilha. Isso está ou não no orçamento olímpico?”, indagou Paes. Um dos poucos valores já abertos pela prefeitura foi o do Parque Olímpico da Barra, de 500 milhões de reais, e a Transolímpica, via expressa com faixas exclusivas de ônibus, orçada em 1,6 bilhão de reais.

“Podíamos dar uma de espertos e divulgar um valor acima e, depois, dar um número abaixo”, argumentou Paes. “Só chegaremos à situação de ter todos os preços no segundo semestre do ano que vem”, disse. As obras com maior prazo de execução já começaram, assegurou Paes. “As grandes obras que demorariam dois ou três anos para fazer estão em execução”, afirmou.

Bandeira – A falta de um valor fechado para o orçamento tornou-se assunto diante da cobrança do COI, ao fim da Olimpíada de Londres. O evento da tarde desta segunda-feira era festivo. A imagem de Paes com a bandeira olímpica em mãos no encerramento dos jogos de Londres e a chegada do símbolo, nesta terça-feira, caíram como uma luva para o prefeito que tenta a reeleição. “Pense em um homem feliz, pense em Eduardo Paes. É um momento muito especial para o nosso país e nossa cidade. Poder cuidar dessa bandeira é um orgulho. Isso aqui significa oportunidade enorme de transformação”, disse.

Os primeiros desdobramentos da agenda do prefeito, a partir da chegada da bandeira ao Rio, devem gerar reclamações dos rivais de Paes na corrida eleitoral. Nesta segunda-feira, o candidato do PSDB à prefeitura, Otávio Leite, anunciou que vai entrar com uma representação na Justiça Eleitoral contra o candidato à reeleição. Para Leite, Paes comete abuso eleitoral ao “apropriar-se” da Olimpíada como um feito do prefeito, não da cidade e do país. O procurador-geral eleitoral, Maurício da Rocha Ribeiro, no entanto, afirmou que, por enquanto, não vê indício de ilegalidade.

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De acordo com Paes, a Olimpíada do Rio terá “o maior legado da história”. Apesar de afirmar que todas as obras estão no prazo, Paes admitiu não se tratar de uma tarefa fácil. “Nunca se está em uma posição confortável em um evento dessa dimensão”, disse.

Atletas – Paes chegou à cidade com a bandeira e acompanhado do governador Sérgio Cabral e do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. Os três deram entrevista coletiva acompanhados dos atletas Esquiva e Yamaguchi Falcão, do boxe, Robert Scheidt, da vela, e Maurren Maggi, do salto em distância.

Na terça-feira, o prefeito levará a bandeira para a presidente Dilma Rousseff, em Brasília. Na quarta-feira, a bandeira rodará a cidade do Rio e depois ficará exposta no Palácio da Cidade até o término das obras do Pavilhão Olímpico.

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