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Opinião: Messi, o Gunther Schweitzer desta Copa América

Mais uma vez sem brilhar com a camisa argentina, Messi propaga teorias conspiratórias sem conexão com a realidade

“Se as pessoas soubessem o que aconteceu, ficariam enojadas”. A famosa frase do paulista Gunther Schweitzer, talvez o maior teórico da conspiração da bola vivo, autor fictício do e-mail viral e de conteúdo evidentemente falso que acusava o Brasil de ter vendido a Copa do Mundo de 1998 para França, bem que poderia ter saído da boca de Lionel Messi neste sábado 6, em Itaquera. Depois de mais um campeonato sem troféu pela seleção de seu país, o genial camisa 10, num discurso quase peronista, “jogou para a torcida” de forma escancarada ao denunciar um suposto esquema a favor dos anfitriões. “Esta Copa América está armada para o Brasil”, cravou, ao deixar o estádio do Corinthians.

Tantas vezes criticado por sua apatia com a camisa argentina, Messi mostrou novas facetas no Brasil. Ainda que não tenha brilhado em campo – fez apenas um gol, de pênalti – foi bastante elogiado por sua liderança em campo e fora dele. Serviu como escudo aos atletas mais jovens e foi a voz do time, compreendendo que um dos papéis do capitão é se posicionar perante a opinião pública – assim como Daniel Alves tem feito pelo Brasil (e Neymar jamais fez). Nesta Copa América, Messi até cantou o hino nacional pela primeira vez, em mais um gesto de comprometimento absoluto com o time. Por tudo isso, foi elogiado. O diário Olé chegou a dizer que este foi o torneio em que Messi se “Maradonizou”. Mas, assim como tantas vezes fez o mito Diego Armando Maradona, Messi passou totalmente do ponto neste sábado.

É compreensível que o gênio do Barcelona estivesse frustrado depois de ser expulso de forma injusta. Ele também tem motivos para reclamar da arbitragem da semifinal contra o Brasil, que não recorreu ao VAR em lances duvidosos e decisivos. Mas daí a denunciar, sem qualquer tipo de provas, um esquema de corrupção a favor do Brasil há uma enorme distância. E soa ainda mais absurdo vindo de um argentino. Talvez os dois terços de vida vividos na Catalunha o tenham deixado alheio ao que ocorreu no hemisfério sul, sobretudo na Copa Libertadores, nos últimos tempos. Isso sem falar nos longínquos títulos mundiais da Argentina, com gol de mão e outros acontecimentos, no mínimo, “estranhos”.

Na intimidade e de cabeça fria, Messi deve concordar que a Argentina saiu no lucro com o terceiro lugar na Copa América. Com um técnico inexperiente e um time desorganizado, praticamente abandonado pela confederação local, o time não entrou no torneio como favorito e ainda se despediu de forma digna batendo o rival Chile. Lançou atletas promissores como Foyth, De Paul e Paredes e preparou uma base para o torneio do ano que vem, que será disputado na própria Argentina e na Colômbia. Isso, aliás, talvez explique o discurso de Messi. Estaria o craque, com acusações levianas, preparando o terreno para colocar pressão nos árbitros para o torneio em casa em 2020? Combinaria com muitos dos nossos cartolas, mas não com um dos maiores atletas de todos os tempos.