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Obras de 2014 somam mais mortes que África do Sul-2010

Acidentes fatais na construção de grandes estádios não são raros - até novo Wembley teve vítima. Mas o Brasil já ultrapassou o número do último Mundial

Por Da Redação 27 nov 2013, 16h18

Seis estádios da Copa precisam ser concluídos ainda neste ano. Com o prazo cada vez mais apertado, corre-se o risco de aumentar a exposição dos operários a situações de maior vulnerabilidade

Mesmo com a evolução das técnicas, materiais e equipamentos envolvidos na construção de grandes estádios, os acidentes fatais nesse tipo de obra não são uma ocorrência tão rara. Até alguns dos estádios mais modernos (e mais caros) do planeta tiveram vítimas em seus canteiros de trabalho. Ainda não se sabe ao certo que tipo de falha desencadeou a tragédia ocorrida nesta quarta-feira no Itaquerão, em São Paulo – a construtora Odebrecht ainda promete divulgar os detalhes do caso e o Ministério Público já anunciou que fará uma investigação. De qualquer forma, o desabamento do guindaste sobre parte de uma arquibancada do futuro estádio do Corinthians deixa uma marca bastante negativa nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014. Com as duas mortes desta quarta – as vítimas são Fábio Luiz Pereira, de 42 anos, e Ronaldo Oliveira dos Santos, de 44 -, o Brasil supera a África do Sul em número de óbitos registrados nas obras nas arenas erguidas para o Mundial. Antes do torneio de 2010, dois sul-africanos morreram nos estádios. No Brasil, cinco operários perderam a vida nos canteiros.

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A obra na Zona Leste de São Paulo é conduzida por uma das maiores e mais qualificadas empreiteiras do país. A Odebrecht assegura ter observado todos os procedimentos de segurança no trabalho desde o início da construção do estádio. O histórico das grandes obras do setor, porém, mostra que isso não é garantia de proteção total aos operários – pela própria natureza desse tipo de empreitada, de grande complexidade e enormes dimensões, os riscos nunca são anulados por completo. Dois dos cinco estádios mais caros do mundo, Wembley, em Londres, e Cowboys Stadium, em Dallas, tiveram trabalhadores mortos em suas obras. No novo Wembley, houve o desabamento de um andaime; em Dallas, um operário foi eletrocutado. Nos arredores de San Francisco, o Levi’s Stadium, já confirmado como palco do Super Bowl em 2016, está orçado em 1,2 bilhão de dólares e tem conclusão prevista para 2014. Com um projeto inovador, cheio de novidades nas áreas de tecnologia e preservação ambiental, o estádio, localizado na região do Vale do Silício, já registra dois operários mortos em sua construção.

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Na África do Sul, onde a segurança do trabalho ainda tem muito a avançar, dois acidentes fatais foram registrados nas obras de reforma e construção dos dez estádios usados na Copa de 2010. De acordo com as organizações sindicais que monitoraram as obras, Dumisani Koyi, de 28 anos, morreu no Estádio Peter Mokaba, em Polokwane, em 15 de agosto de 2008, e Sivuyele Ntlongotya, de 26 anos, foi vítima de um acidente no Estádio Green Point, na Cidade do Cabo, em 15 de janeiro de 2009. Apesar de já estar num estágio superior que a África do Sul no quesito segurança na construção civil, o Brasil soma cinco mortes nos canteiros de obras dos doze estádios para o Mundial. Incluídos os acidentes fatais ocorridos na construção de outras duas novas arenas brasileiras – a do Grêmio, em Porto Alegre, e a do Palmeiras, em São Paulo -, são sete os operários mortos em apenas dois anos. Seis estádios do Mundial já estão prontos e em uso. Outros seis – Itaquerão, Beira-Rio, Arena da Baixada, Arena Pantanal, Arena das Dunas e Arena Amazônia – precisam ser concluídos ainda neste ano. Com o prazo cada vez mais apertado, corre-se o risco de aumentar a exposição dos operários a situações de maior vulnerabilidade.

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