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‘O skate é muito contracultura, sempre foi’, diz Bob Burnquist

Presidente da Confederação Brasileira de Skate defende também o uso medicinal da maconha no esporte

Um dos principais nomes da história do skate no País e hoje presidente da Confederação Brasileira de Skate, Bob Burnquist comemora a entrada da modalidade nos Jogos Olímpicos mas não pela possibilidade de medalhas para o Brasil, e sim pela possibilidade de acabar com o preconceito contra os esportistas no País. Burnquist também defendeu o uso da maconha com fins medicinais para os atletas. “É uma substância extremamente positiva para lidar com dor, muito melhor até que opióides. É um pouco tabu de se conversar, mas é a realidade”, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

O presidente da CBS não acredita que o uso da erva seja um problema de doping para as futuras competições de skate pelo mundo, pois a indicação será de uso apenas em momentos em que não haja competição. “A maconha não é proibida, ela é proibida no Brasil e em alguns países, mas legalizada em outros. Dentro desse jogo olímpico, a gente sabe que dentro de competição ela é proibida, então em competição a posição é de não utilizar. Na regra da Wada, se eles estiverem checando a galera entre uma competição e outra, não vão procurar o THC (Tetrahidrocanabinol), porque não é proibido em momentos que não existe competição. Vamos acompanhar as regras, e se esse é nosso único problema, é fácil de resolver”, disse Burnquist, que vê problemas maiores em remédios liberados em farmácias brasileiras.

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“Acho que o problema maior, mais difícil de resolver, é com a galera que não está acostumada com esse mundo de doping e de repente pega uma febre e toma um remédio que não se sabe se tem substâncias dopantes. É isso que estamos  educando, muito mais do que o lado da maconha. O lado da maconha, sinceramente, acho que vai mudar, acho que a sociedade vai começar a observar os benefícios que já estão rolando. Inclusive o CBD (canabidiol) é legal, tanto em competição quanto fora e a cannabis pode estar no seu sistema em qualquer momento. O THC, que é o princípio ativo, só pode fora de competição. Então temos que nos adequar, informar, educar a galera, porque é um mundo novo. Mas isso não vai mudar a cultura do skate.”

Sobre o momento do skate brasileiro, Burnquist viu um crescimento pelo fato do esporte ter se tornado olímpico. “O skate continua crescendo e se desenvolvendo. Por ser olímpico, tivemos um ano muito bom com o Circuito Brasileiro, com a Lei Agnelo-Piva, com a representatividade do COB. A gente se firmou, foi um ano maravilhoso para isso, e agora estamos preparados. Tivemos até um ano de seleção brasileira, coisa que não tinha antes, e vamos agora para o segundo ano. No momento que podemos dar um suporte para a molecada de viagem, seguro saúde, médico, coisas que eu nunca tive.”

Bob Burnquist espera que a entrada do esporte nas Olimpíadas não mude a cultura do skatista e espera que a obsessão por medalhas não suba na cabeça dos atletas. “Tínhamos a nossa realidade, e o skate é muito contracultura, sempre foi. Eu gostava do skate justamente pela rebeldia dele, e o fato de podermos fazer o que… Acaba criando tendência, você fica sempre à frente e na contramão. Acho que é possível viver esse momento sem perder a identidade. Esse é o grande lance. A conquista de medalha é uma consequência maravilhosa. Mas, em primeiro lugar, vamos mostrar quem somos. Nós somos unidos, somos felizes, andamos de skate deste jeito, temos nossa atitude. Eu quero isso mais do que a medalha. O que vamos passar vai ser muito maior do que uma medalha. A gente vai infectar a Olimpíada, não o contrário.”

(com Estadão Conteúdo)