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O retorno do matador Suárez: vaias, gols e afeto

Nos dias que antecederam a partida entre Uruguai e Inglaterra, a imprensa de Montevidéu publicou fotos de torcedores que acenderam velas e fizeram promessas para que o artilheiro Luís Suárez estivesse recuperado para o duelo decisivo desta quinta-feira, no Itaquerão. Parecia um milagre, de fato, quando se pensa na imagem do� craque, o melhor jogador da temporada na Inglaterra, saindo de cadeira de rodas de um hospital depois de ser submetido a uma cirurgia no joelho. Mas tratamos aqui de uruguaios, e não de argentinos – e o técnico Óscar Tabárez, com sua fala sempre tranquila e sensata, fez questão de desmontar o clima de novelão. “Ora, no Uruguai é uma regra: quando o paciente é submetido a um procedimento cirúrgico, ele deve deixar o hospital assim, em segurança. No outro dia ele já estava caminhando.” Sem frescuras nem dramalhão, como é característico dos atletas desta bravíssima seleção celeste, Tabárez trabalhou o retorno do jogador aos gramados e foi recompensado com uma apresentação notável – Suárez marcou os dois gols que garantiram a vitória uruguaia. “Sei muito bem do que Luís Suárez é capaz naquele� último quarto do gramado”, disse o técnico, sem mostrar surpresa nenhuma com a recuperação incrível do atacante.

O matador (eleito o melhor em campo, naturalmente) foi erguido pelos colegas depois do apito final e mostrou o sorriso dentuço enquanto recebia os parabéns. Apesar da má reputação que carrega na Inglaterra – que deve ficar ainda pior� a partir desta quinta -, Suárez é adorado por seus colegas de seleção, e não só pelos gols que ele garante à equipe. O esforço para se recuperar a tempo de participar desta primeira fase da Copa aumentou a admiração do grupo pelo camisa 9. “Adoramos o Luisito�, e ele a nós. Assim são os grupos unidos.” Ao aparecer para pegar seu troféu de melhor do jogo, Suárez retribuiu o carinho dizendo que a força e o incentivo dos companheiros durante o tratamento fisioterápico foram “incríveis”. “Foi a partida que sonhei, algo que imaginei muitas vezes. Mas precisei me acalmar para que o nervosismo me prejudicasse”, contou o atleta que perdeu o começo do Campeonato Inglês por estar suspenso depois de morder um adversário. Depois, em voz suave e com modos pacatos, fez uma declaração de amor à mulher. Nada mais diferente da maneira como ele é retratado pelos tabloides britânicos, que não se cansam de produzir controvérsias em torno de seu estilo explosivo, atrevido e, sim, catimbeiro. De nada adiantaram as vaias e as provocações da torcida inglesa. O craque modesto e amável que transforma-se em fera no gramado já deixou sua marca na Copa de 2014.

(Giancarlo Lepiani)

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