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O que disse o fotógrafo da famosa sessão com Messi e Yamal, em 2007

'Eu nunca fui de acreditar em destino, mas agora estou começando a ter minhas dúvidas', disse Joan Monfort

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 jul 2026, 17h13 | Atualizado em 20 jul 2026, 14h58
O que disse o fotógrafo da famosa sessão com Messi e Yamal, em 2007 Priorizar nos meus resultados Google

Joan Monfort passou a carreira inteira do outro lado da câmera, treinado para registrar o instante e seguir em frente. Por isso pesa tanto o que ele disse na véspera da final entre Argentina e Espanha, quase 19 anos depois de apertar o obturador numa cena qualquer de vestiário: “Eu nunca fui de acreditar em destino, mas agora estou começando a ter minhas dúvidas. Isso vai além de qualquer explicação lógica.” A frase, vinda de quem fotografa por ofício e não por fé, é o que transforma um clique de calendário beneficente em algo parecido com uma profecia cumprida.

Em dezembro de 2007, nos vestiários do Camp Nou, um Messi de 20 anos — ainda tímido, ainda sem saber bem o que fazer com as próprias mãos diante de uma câmera — posou com um bebê de poucos meses dentro de uma banheira de plástico azul. O ensaio integrava o calendário solidário que o jornal catalão *Sport* organizava todo fim de ano em parceria com a Unicef, reunindo jogadores do elenco principal do Barcelona. O bebê, escolhido por sorteio entre famílias do bairro de Rocafonda, em Mataró, era filho de Sheila Ebana. Chamava-se Lamine Yamal.

Monfort lembra a sessão mais pela química inesperada entre os dois do que por qualquer plano cuidadoso: Messi, ainda desajeitado diante de crianças pequenas, precisou de um patinho de borracha emprestado da filha do próprio fotógrafo para arrancar um sorriso do bebê. Nada ali sugeria que aquele registro se tornaria relevante — muito menos que se tornaria a imagem mais comentada da carreira de Monfort. “Não existe dinheiro que pague uma foto como essa”, resumiria ele anos depois, ao ser questionado sobre o valor do que tinha em mãos.

A fotografia dormiu quase duas décadas em arquivos de família, até o pai de Yamal, Mounir Nasraoui, publicá-la em 2024 com a legenda “o começo de duas lendas”. A partir daí, o que era lembrança doméstica virou fenômeno mundial — tanto que a própria Unicef precisou confirmar publicamente que a imagem era real, e não fruto de inteligência artificial.

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Dois jogadores de futebol em campo, um de costas com camisa argentina listrada azul e branca, e outro de frente, sorrindo, com camisa vermelha da Espanha e número 19
Lionel Messi e Lamine Yamal durante a final da Copa do Mundo 2026 (CHARLY TRIBALLEAU/AFP)

Hoje os dois se encontraram de novo, mas em lados opostos do campo: Messi, capitão da Argentina, contra Yamal, estrela da Espanha — o garoto que herdou dos catalães a camisa 10, mas que na seleção joga justamente com a 19, o mesmo número que Messi vestiu no Barcelona antes de virar lenda com a 10 nas costas. Uma coincidência dentro da coincidência, do tipo que faz um fotógrafo cético começar a duvidar do próprio ceticismo.

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Para Monfort, que não fazia ideia de quem era aquele bebê quando revelou o filme, o círculo se fecha de um jeito que nenhuma pauta teria coragem de inventar. Resta ao futebol — e ao destino, se é que ele existe — decidir como termina a história que começou numa banheira de plástico.

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