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O ‘plano de metas Felipão’: crescer 4 anos em 4 semanas

Sem tempo para hesitação, o técnico apostou nos jovens, encontrou um time titular e deu maturidade ao grupo com os duelos contra as grandes seleções

Por Giancarlo Lepiani, do Rio de Janeiro 30 jun 2013, 10h50

Se o antecessor, Mano Menezes, gastou dois anos com testes e experiências pouco frutíferas, Felipão precisou de apenas um mês para cumprir a principal tarefa do ciclo de quatro anos entre uma Copa e outra. No dia da decisão contra a Espanha, o torcedor brasileiro sabe na ponta da língua qual é o time titular

Luiz Felipe Scolari, gaúcho, 64 anos, é a encarnação de um dos velhos clichês clichês do futebol brasileiro: o “técnico paizão”, que protege, motiva e aconselha seus jogadores – e, com isso, acaba conquistando a confiança do grupo todo. Passada uma década da formação da “Família Scolari”, na Copa da Coreia do Sul e Japão, em 2002, ele retornou à seleção brasileira no fim do ano passado e assumiu o desafio espinhoso de montar um time para o Mundial de 2014 num prazo muito mais curto do que o necessário. Felipão poderia recorrer a atletas experientes e consagrados, como Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Luís Fabiano, para abreviar esse processo. O treinador, porém, decidiu apostar todas as suas fichas num elenco jovem e promissor, ainda que pouco rodado. Para acelerar o amadurecimento do grupo, Felipão não quis saber de muita hesitação: jogou suas crias na água sabendo que elas teriam de aprender a nadar sozinhas. E não foi numa piscina, mas num tanque de tubarões: a seleção brasileira encerra o mês de junho com sete jogos disputados, sendo cinco contra integrantes do clube seleto das equipes campeãs do mundo. Inglaterra, França, Itália, Uruguai e Espanha somam nada menos que nove títulos mundiais. Antes da grande final da Copa das Confederações, neste domingo, às 19 horas (de Brasília), no Estádio do Maracanã, contra os atuais detentores do título mundial, a garotada de Felipão contabilizava três vitórias e um empate contra essas gigantes do futebol internacional.

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Até a apresentação dos convocados para o torneio, Felipão contava apenas três jogos disputados com a seleção principal: uma derrota e dois empates (depois, venceu duas partidas com um grupo formado apenas por jogadores que atuam no país). Depois de cada tropeço, o treinador repetia a mesma rotina: tentava mostrar tranquilidade, garantia que a equipe cresceria na hora certa e pedia à torcida que tivesse paciência, sabendo que só com um período de concentração e treinamentos seria capaz de achar sua formação titular. Foi justamente o que aconteceu desde que o grupo chamado para a Copa das Confederações – sem Kaká nem Gaúcho, testados e reprovados nos primeiros amistosos – se encontrou no Rio de Janeiro para dar início aos preparativos para o torneio. Passadas quatro semanas desde o primeiro jogo da série, no mesmo Maracanã, contra a Inglaterra, a equipe está formada (ainda que não totalmente pronta, evidentemente). Se o antecessor, Mano Menezes, gastou dois anos com testes e experiências pouco frutíferas, Felipão precisou de apenas um mês para cumprir a principal tarefa do ciclo de quatro anos entre uma Copa e outra. No dia da decisão contra a Espanha, o torcedor brasileiro sabe na ponta da língua qual é o time titular de Scolari, o que jamais aconteceu com Mano. E não é só isso: desta vez, não há grandes mobilizações pela presença de algum atleta ausente no grupo, não há clamor popular para que algum reserva tome o lugar de um titular. Até Hulk, que começou a competição em baixa com o torcedor brasileiro, ouve cada vez menos gritos pelo suplente Lucas, um dos xodós do público.

“A minha formação vai ser a mesma, gostem ou não. Eu gostei. E vou fazer minha equipe jogar da mesma forma que nos outros jogos”, avisou o técnico na véspera da final, em entrevista concedida no próprio palco da decisão. O resultado do jogo deste domingo, portanto, não deverá provocar grandes revoluções no esquema tático nem na escalação da equipe. Felipão não fechou as portas para quem ficou de fora do torneio, até para evitar o comodismo do grupo que correspondeu às suas expectativas na competição. Mas o treinador não esconde a satisfação com o fato de ter conseguido, num período exíguo, achar um time, entrosar esses novos titulares, cultivar a proximidade e o companheirismo dos jogadores e ainda convencer o torcedor de que a equipe é forte o bastante para jogar de igual para igual contra qualquer oponente. “Foi essencial avançar no processo, ter uma ideia do que nos falta, encontrar parâmetros melhores com vistas à Copa do Mundo”, avaliou. Felipão deixa claro, portanto, que não está tão aliviado assim, que sabe que o trabalho está muito longe do fim. É notável, contudo, que o treinador chegue ao fim de junho em situação tão diferente do começo do mês, quando pouca gente acreditava que ele conseguiria arrumar um time – e muito menos chegar à final, depois de quatro vitórias em quatro jogos, sem temer o confronto com a atual campeã da Europa e do mundo. “Este momento é único, é nosso, foi criado pelos jogadores que estão aqui agora. A possibilidade é boa. Temos condições, acreditamos em nós. Jogando aqui no Brasil, temos que fazer com que nos respeitem. Aqui é a nossa casa.”

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Os carecas das Arábias

https://youtube.com/watch?v=8DvbfvVjjog%3Frel%3D0

O 12º jogador

https://youtube.com/watch?v=_VTV0h4KOCY%3Frel%3D0

A volta por cima

https://youtube.com/watch?v=XerfvMuE69Y%3Frel%3D0

O pico na hora errada

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