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O percentual de clubes da Libertadores e da Sul-Americana com patrocínio de bets

Plataformas de apostas dominam publicidades em uniformes, mas com discrepância entre valores

Por Daniel Gullino Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 ago 2026, 18h30
O percentual de clubes da Libertadores e da Sul-Americana com patrocínio de bets Priorizar nos meus resultados Google

As oitavas de final da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana começaram nesta semana e evidenciaram a dependência que os clubes do continente possuem dos patrocínios de casas de apostas. No total, das 32 equipes que seguem na disputa pelas duas competições, 25 contam com parcerias firmadas com bets (78%).

Na Libertadores, o domínio de mercado é ainda mais expressivo: apenas dois dos 16 times classificados não exibem marcas desse segmento em seus uniformes. Em oito clubes, as plataformas de apostas ocupam o espaço máster, o mais valioso da camisa.

Na Sul-Americana, o cenário repete a tendência, com as bets garantindo exposição em dez das 16 equipes remanescentes, sendo também oito em patrocínios máster.

“O setor de betting tornou-se um pilar financeiro para o futebol sul-americano, o que explica a forte presença dessas marcas nos espaços mais nobres das camisas. As empresas regulamentadas investem ativamente na paixão do torcedor, criando um ecossistema que beneficia o esporte e fortalece os clubes, desde que amparado por regras claras e segurança jurídica”, afirma Leonardo Henrique Roscoe Bessa, sócio do Betlaw, escritório de advocacia voltado para o setor de betting, e consultor do Conselho Federal da OAB.

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O futebol brasileiro ilustra bem o cenário. Na Libertadores, dos seis clubes do país presentes nesta fase, cinco ostentam marcas de apostas como patrocinadoras máster, sendo o Mirassol a única exceção da lista.

Já na Sul-Americana, o panorama se repete: cinco das seis equipes brasileiras classificadas trazem plataformas esportivas na posição principal do uniforme. O Red Bull Bragantino é o único clube fora do circuito de apostas.

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“Hoje, o Brasil vive um momento de altos investimentos no futebol. Impulsionados pelo crescimento do setor de sports betting no país, os clubes brasileiros ampliaram sua capacidade financeira e passaram a se distanciar da maioria das equipes sul-americanas, especialmente nos valores salariais e nas cifras envolvidas em transferências”, comenta Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do futebol.

Estima-se que o volume financeiro movimentado por esses contratos de patrocínio no Brasil supere 1 bilhão de reais por ano. Além disso, como reflexo do processo de regulamentação do setor no país, todas as marcas de apostas que estampam as camisas dos times nacionais na Libertadores operam em conformidade com as diretrizes do Governo Federal.

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“A grande presença das plataformas de apostas em clubes do continente mostra como esse mercado se tornou forte e estratégico para o futebol em diversos países. E junto com essa expansão, cresce também a responsabilidade de promover uma cultura de jogo consciente. O entretenimento precisa vir acompanhado de informação, limites e orientação”, pontua Daniel Fortune, criador de conteúdo voltado à conscientização sobre as bets.

Discrepância nos valores

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Em meados de 2025, o River Plate anunciou uma bet como novo patrocinador máster, à época com valores estimados em 6 milhões de dólares por ano, equivalentes a quase 36 milhões de reais, até meados de 2027.

O Boca Juniors, outro clube bastante tradicional na Argentina, também recebe valores parecidos de uma casa de aposta, em torno de 35 milhões por ano. Já o Racing, campeão recente da Copa Sul-Americana e da Recopa, recebe ainda menos, em torno de 12 milhões por ano.

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A diferença em relação aos valores pagos aos clubes brasileiros é enorme. Metade dos clubes da Série A recebem mais do que Boca e River Plate pelo patrocínio máster no uniforme. Corinthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo, por exemplo, recebem mais de 100 milhões de reais por ano com patrocínios de bets.

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