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O paradoxo de Neymar, um ídolo que divide os brasileiros

Cobiçado pelos europeus e apontado como o próximo supercraque do futebol internacional, o principal jogador da seleção vai à Copa das Confederações com um desafio ainda maior que levantar a taça: conquistar a sua própria torcida

Por Celso de Campos Jr. 17 Maio 2013, 11h02

Os 13 de 2013

Ele é o melhor jogador das Américas, o craque que reconduziu o Santos ao título da Libertadores, o sonho de consumo dos poderosos Real Madrid e Barcelona e o esportista mais famoso do país na atualidade. Na teoria, não haveria nome mais perfeito do que Neymar para comandar, dentro de campo, a seleção brasileira no desafio de vencer a Copa do Mundo em casa. Na prática, porém, o jovem atacante ainda não se mostrou à altura da tarefa. Os fracassos na Copa América de 2011 e na Olimpíada de Londres, aliados às performances decepcionantes na série de amistosos contra as grandes seleções estrangeiras, parecem ter esgotado o estoque de paciência dos torcedores – que, nas últimas partidas, já dirigem ao maior astro do país os indefectíveis gritos de “pipoqueiro”. Neymar garante que não se importa com a manifestação das arquibancadas, mas sabe que tem, na Copa das Confederações, uma chance de ouro para reconquistar a confiança e o apoio dos fãs antes da Copa do Mundo. É este, mais do que qualquer zagueiro adversário, o grande desafio a ser superado pelo camisa 11 em seu primeiro torneio adulto de seleções da Fifa.

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Com apenas 21 anos, o menino de Mogi das Cruzes que virou uma celebridade mundial – tanto pela habilidade dentro de campo como pelo carisma fora dele – se vê diante de uma situação paradoxal. Se não tem problema para convencer garotos de todo o planeta a imitarem seus cortes de cabelo nem dificuldade para emplacar nas paradas de sucesso músicas outrora condenadas ao esquecimento, o jogador anda penando para provar a torcedores e colegas de profissão de que seu talento faz jus à fama. De fato, desde a derrota para o Barcelona no Mundial de Clubes de 2011, Neymar parece estar vivendo uma interminável má fase, em que as boas atuações limitam-se aos jogos contra equipes de pequena expressão. Mesmo assim, o atleta não apenas mantém intacto seu prestígio com o técnico Luiz Felipe Scolari como também é disputado a tapa pelos dois maiores clubes da Espanha – a contratação do craque santista é vista pelos dirigentes do Barça como o primeiro tijolo na reconstrução do moral da equipe, dinamitado pela derrota para o Bayern na semifinal da Liga dos Campeões.

Os rumores que o colocam como companheiro de time de Messi já neste ano são cada vez mais fortes e numerosos, bem como aqueles que o aconselham a deixar o futebol nacional o quanto antes, a fim de adquirir a cancha necessária para brilhar em meio às estrelas europeias. Além de fazer as pazes com o torcedor brasileiro, uma boa atuação na Copa das Confederações pode servir para acelerar esse aparentemente irreversível processo. Um novo fracasso não será capaz de o tirar da Copa do Mundo: Neymar certamente continuará sendo a maior aposta do Brasil no torneio. Uma atuação decepcionante, contudo, fará com que, nos doze meses de contagem regressiva para o Mundial, o volume das críticas atinja níveis ensurdecedores, especialmente se o craque não mudar a postura recente, que o identifica mais como popstar do que com um profissional do futebol. Não custa lembrar que um de seus assessores garantiu, em uma declaração tão estapafúrdia quanto sintomática, que é a agenda do esporte que desgasta o atacante, e não os eventos dos patrocinadores, as gravações de comerciais ou as baladas com amizades estreladas. Caso não volte seu foco para o futebol – e acerte o pé -, Neymar pode ir se preparando para lançar uma nova moda nos gramados: a dos protetores auriculares. Porque vaia pouca será bobagem.

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Santos x Flamengo

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Santos x Internacional

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Santos x Kashiwa Reysol

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Santos x Atlético-MG

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Santos x Santo André

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