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O pan subirá ao pódio em 2016?

Nem os bons resultados de Toronto significam glória no Rio, nem os maus podem ser traduzidos como fracasso assegurado. O jogo olímpico para valer mesmo começa agora

A resposta à pergunta que dá título a esta reportagem é não – muito poucos dos que venceram no Pan de Toronto estarão entre os primeiros colocados na Olim­pía­da do Rio, no ano que vem. A história traz lições. Das 141 medalhas conquistadas no Pan de Guadalajara, em 2011, descontadas aquelas das modalidades não olímpicas (quinze), somente treze se repetiram nos Jogos de Londres, de 2012, com escassos 10% de sucesso. A tendência deve se manter, embora seja conveniente enxergar esse quadro sob outro ponto de vista: 80% das medalhas olímpicas brasileiras correspondem à glória no Pan imediatamente anterior. Ou seja, atenção aos campeões no Canadá, pois alguns deles devem ser os vitoriosos brasileiros na Olimpíada de 2016.

Na sexta-feira, a dois dias do término das provas, já se sabia que o Brasil não conseguiria alcançar a marca recorde de 157 medalhas pan-americanas obtidas em 2007, no Rio. Havia expectativa de ficar em terceiro lugar no quadro geral, à frente de Cuba e atrás apenas de Estados Unidos e Canadá, mas nem essa posição estava assegurada. Nada que preocupe os dirigentes. “Não devemos fazer nenhuma comparação entre o Pan-­Americano e os Jogos Olímpicos”, disse Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. O COB sabe que a disputa encerrada neste fim de semana não é uma bola de cristal – embora o desempenho das promessas do país tenha sido mais positivo do que negativo (confira ao longo desta reportagem os casos de nove atletas acompanhados de perto por VEJA).

Um bom modo de medir o Pan, para além de genuínos momentos de extraordinário esforço, é mergulhar nas modalidades cujos resultados podem ser aferidos por tempo, como a natação e o atletismo. Na piscina, o Brasil ficou em segundo lugar no ranking de medalhas. No entanto, o cronômetro pede cautela. O excelente nadador Felipe França, ouro nos 100 metros peito, ficaria com um digníssimo bronze se tivesse feito o mesmo tempo nos Jogos de Londres. Se dissecarmos ainda mais o resultado, veremos que França, a um ano cravado da Olimpíada, teve um desempenho proporcionalmente mais fraco que o do sul-­africano Cameron van der Burgh, vencedor em Londres, em 2012. Van der Burgh, em julho de 2011, tinha o quarto me­lhor tempo da temporada nos 100 metros peito (59s49) – apenas 78 centésimos atrás da melhor marca daquele ano. França conseguiu o terceiro tempo de 2015 (59s21). Porém, a diferença entre o tempo obtido por ele em Toronto e o melhor do ano é de 1 segundo e 29 centésimos. O retrospecto mostra que, quanto menor for essa distância entre os tempos doze meses antes da Olimpíada, maior será a chance de um atleta chegar entre os melhores na competição maior. Já na pista, foram bonitos o sorriso e a genuína emoção da atleta Juliana dos Santos, vencedora dos 5 000 metros em Toronto – mas ela correu 41s72 mais lentamente que a campeã olímpica de Londres, com um tempo que a instalaria apenas na 33ª posição.

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