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‘O oceano é democrático’, diz única CEO mulher de grande grupo esportivo

À frente da WSL, que organiza o surfe, Sophie Goldschmidt afirma que o mar não discrimina ninguém, seja por gênero, seja por origem

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 13 dez 2019, 10h08 - Publicado em 13 dez 2019, 06h00

Três dos cinco postulantes ao título mundial são brasileiros. Qual a importância do país para o surfe? Eles estão dominando tudo, elevaram o surfe a outro patamar. São muito competitivos. O fato de haver vários no circuito faz com que sejam os melhores. É um fenômeno inédito. Tanto domínio de um só país eu nunca vi.

E o que dizer dos fãs brasileiros? Eles são loucos! Não dá para acreditar no barulho que fazem na praia. Os atletas gostam muito de competir no Brasil por causa dessa atmosfera. O (americano onze vezes campeão mundial) Kelly Slater diz ser uma experiência inigualável. Além disso, do ponto de vista mercadológico, são torcedores muito leais.

Como a senhora viu a inclusão da modalidade na Olimpíada de Tóquio, em 2020? Trata-se de uma grande oportunidade. E será bom para o Comitê Olímpico Internacional também, ao conseguir atrair uma audiência mais jovem.

Quem tem mais a ganhar nessa relação: o surfe ou os Jogos Olímpicos? Não posso ser arrogante aqui. Ambos terão benefícios.

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O que significa ser a única CEO mulher de uma entidade esportiva? O esporte está atrás na discussão da igualdade de gênero. Sei, por isso, que meu cargo tem relevância. Ter me contratado é um sinal de como a World Surf League leva a discussão a sério. Conseguimos igualar os prêmios entre homens e mulheres, mas falta muito.

Por que tornar isso uma bandeira? Simplesmente porque é a coisa certa a fazer. Demos o primeiro passo. Fechamos alguns acordos comerciais justamente em virtude desse anúncio de igualdade. Infelizmente, contudo, as transformações na sociedade são muito demoradas. Mas isso há de mudar.

A senhora já sofreu discriminação? Não que eu saiba, mas tenho certeza de que já aconteceu pelas minhas costas. Tive muita sorte e, agora, minha atuação é para que a nova geração não tenha de passar pelos problemas que minhas contemporâneas enfrentaram.

O surfe tem alguma lição a ensinar ao futebol, por exemplo? Toda organização com algum poder deveria se espelhar nesse exemplo. Nenhum tipo de discriminação pode ser tolerado. Temos regras muito claras sobre a inclusão. Nesse sentido, o oceano é democrático. Não discrimina pela cor de pele, pela opção sexual ou pela religião. E assim deve ser no esporte.

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Publicado em VEJA de 18 de dezembro de 2019, edição nº 2665

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