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O magnetismo de Balotelli, o novo rei da selva

Num dia marcado por ótimos jogos e belos gols, ele não foi nem o melhor atleta de sua própria seleção – Andrea Pirlo, o meia italiano com jeitão de camisa 10 brasileiro dos anos 1960 e 1970, foi tecnicamente muito melhor. Mas a Copa do Mundo é feita não só de craques, mas também de astros – e é justamente esse papel que Mario Balotelli, o artilheiro mercurial e imprevisível da Itália, cumpre tão bem, ainda que não queira. Ele marcou o gol decisivo do clássico entre Itália e Inglaterra, na Arena da Amazônia, em Manaus (de cabeça, mostrando excepcional impulsão e tempo de bola certeiro), e quase fez o que certamente seria o tento mais bonito do torneio até aqui (ainda no primeiro tempo, recebeu um lançamento açucarado de Pirlo, dominou com sutileza e teve calma para cortar o goleiro Hart e encobri-lo; o zagueiro Jagielka tirou em cima da linha). No resto da partida, pouco apareceu – isolado no ataque, foi pouco acionado pelos meias italianos e rugiu como um leão em vários lances em que pediu a bola e não foi atendido. Na hora da votação on-line do melhor em campo, porém, não deu outra: Balotelli estreou em seu primeiro Mundial recebendo o troféu, que recolheu rapidamente, antes da entrevista coletiva do técnico Cesare Prandelli, sem responder a nenhuma pergunta dos jornalistas, como é de costume para os atletas eleitos nessa enquete da Fifa. O mais aplaudido, de longe, na hora em que as escalações foram anunciadas, e igualmente o mais ovacionado ao ser substituído, já exausto, no segundo tempo, o irascível matador agradou à torcida manauara, mas não a Prandelli. Pouco depois de seu pupilo voltar ao vestiário, o técnico disse em sua entrevista que espera ainda mais do jovem craque. “Acho que ele pode fazer muito mais. Tem um potencial enorme e precisa se convencer disso. Mario precisa ter a capacidade de estar sempre no jogo. Tenho certeza de que ele ainda tem muita margem para melhora.” Balotelli, o filho de ganeses criado por italianos em Milão, reclamou, assim como os outros italianos, do calor da cidade-sede encravada na floresta amazônica. Essa adversidade, porém, ficou em segundo plano: “Fico feliz, pois é uma sensação única, algo fantástico”, disse, em referência ao apoio da torcida. “O gol foi para a minha futura mulher, para minha família e para todo mundo que está assistindo na Itália”, completou o craque, que ficou noivo da modelo belga Fanny Neguesha logo depois da chegada à concentração italiana, em Mangaratiba (neste sábado, ela assistiu à partida no estádio).

(Giancarlo Lepiani, de Manaus)

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