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O episódio tenso que deu origem ao apelido ‘ditador Mbappé’ na seleção francesa

Para especialistas, viralização aumenta visibilidade, alcance e relevância algorítmica; mas neste caso, há ressalvas

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jul 2026, 16h53
O episódio tenso que deu origem ao apelido ‘ditador Mbappé’ na seleção francesa Priorizar nos meus resultados Google

Uma brincadeira que tomou conta da internet nos últimos dias envolve um dos maiores artilheiros da história das Copas do Mundo: o francês Kylian Mbappé. Por meio de memes e figurinhas de WhatsApp, o atacante passou a ser chamado de “Ditador Mbappé”, uma sátira à sua grande influência, poder de decisão e status de estrela absoluta acumulados tanto em seus clubes quanto na seleção.

Embora não exista um fato único que justifique o apelido, o termo ganhou força durante sua renovação com o Paris Saint-Germain, em 2022. Na época, a imprensa europeia noticiou que o projeto esportivo do clube havia sido reorganizado em torno do jogador, gerando a percepção de que ele teria poder para influenciar na escolha de técnicos, diretores e contratações.

Em 2024, a piada ganhou ainda mais força após um episódio envolvendo o influenciador francês Mohamed Henni, que usou o nome do atleta de forma humorística para descrever um sanduíche em sua loja de kebab. A reação firme de Mbappé, que acionou seus advogados e processou o influenciador pelo uso comercial de sua imagem, foi interpretada por parte da internet como postura intolerante a críticas e brincadeiras. O caso gerou uma nova onda de montagens irônicas que colocavam o atacante em cenários autoritários.

O apelido também se fortaleceu após episódios em que o atleta adotou posturas mais rígidas ou exigiu maior controle sobre o uso de sua imagem, motivando os internautas a criarem montagens irônicas que o associam a líderes autoritários.

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Na Copa do Mundo atual, a piada ressurgiu no jogo entre França e Iraque, quando Mbappé sugeriu aos funcionários do estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, quais partes do gramado precisavam ser limpas após a tempestade que atrasou a partida.

Para especialistas em gestão e marketing esportivo, o fenômeno viral dessas ações tem o poder de alcances gigantescos, mas neste caso, há ressalvas que podem comprometer a imagem de qualquer pessoa pública.

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“No ambiente digital, toda viralização aumenta visibilidade, alcance e relevância algorítmica. Nesse sentido, memes como ‘Kylian Ditador’ mantêm Mbappé no centro das conversas globais e reforçam seu status de protagonista do futebol, especialmente entre públicos mais jovens. O problema é que notoriedade e reputação não são sinônimos”, analisa Bruno Brum, CMO da Agência End to End, empresa de marketing esportivo que faz a gestão de dezenas de clubes e entidades.

Para Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM, a forma como um atleta reage a um apelido costuma determinar sua duração. “Quanto mais parece incomodar, mais a internet tende a promover e viralizar. Por isso, existe um trabalho importante de gestão de imagem para decidir quando ignorar e quando entrar na brincadeira. Ao mesmo tempo, nenhuma marca pessoal se beneficia de ser associada repetidamente a adjetivos negativos, mesmo que em tom de humor”.

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Por outro lado, Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, entende que os memes têm um enorme potencial de amplificar a presença digital de um atleta. “Em termos de algoritmo, quanto mais um nome é compartilhado, comentado e transformado em conteúdo, maior tende a ser seu alcance orgânico. Isso aumenta a lembrança de marca e mantém o atleta permanentemente em evidência”.

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