O episódio tenso que deu origem ao apelido ‘ditador Mbappé’ na seleção francesa
Para especialistas, viralização aumenta visibilidade, alcance e relevância algorítmica; mas neste caso, há ressalvas
Uma brincadeira que tomou conta da internet nos últimos dias envolve um dos maiores artilheiros da história das Copas do Mundo: o francês Kylian Mbappé. Por meio de memes e figurinhas de WhatsApp, o atacante passou a ser chamado de “Ditador Mbappé”, uma sátira à sua grande influência, poder de decisão e status de estrela absoluta acumulados tanto em seus clubes quanto na seleção.
Embora não exista um fato único que justifique o apelido, o termo ganhou força durante sua renovação com o Paris Saint-Germain, em 2022. Na época, a imprensa europeia noticiou que o projeto esportivo do clube havia sido reorganizado em torno do jogador, gerando a percepção de que ele teria poder para influenciar na escolha de técnicos, diretores e contratações.
Em 2024, a piada ganhou ainda mais força após um episódio envolvendo o influenciador francês Mohamed Henni, que usou o nome do atleta de forma humorística para descrever um sanduíche em sua loja de kebab. A reação firme de Mbappé, que acionou seus advogados e processou o influenciador pelo uso comercial de sua imagem, foi interpretada por parte da internet como postura intolerante a críticas e brincadeiras. O caso gerou uma nova onda de montagens irônicas que colocavam o atacante em cenários autoritários.
O apelido também se fortaleceu após episódios em que o atleta adotou posturas mais rígidas ou exigiu maior controle sobre o uso de sua imagem, motivando os internautas a criarem montagens irônicas que o associam a líderes autoritários.
Na Copa do Mundo atual, a piada ressurgiu no jogo entre França e Iraque, quando Mbappé sugeriu aos funcionários do estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, quais partes do gramado precisavam ser limpas após a tempestade que atrasou a partida.
Para especialistas em gestão e marketing esportivo, o fenômeno viral dessas ações tem o poder de alcances gigantescos, mas neste caso, há ressalvas que podem comprometer a imagem de qualquer pessoa pública.
“No ambiente digital, toda viralização aumenta visibilidade, alcance e relevância algorítmica. Nesse sentido, memes como ‘Kylian Ditador’ mantêm Mbappé no centro das conversas globais e reforçam seu status de protagonista do futebol, especialmente entre públicos mais jovens. O problema é que notoriedade e reputação não são sinônimos”, analisa Bruno Brum, CMO da Agência End to End, empresa de marketing esportivo que faz a gestão de dezenas de clubes e entidades.
Para Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM, a forma como um atleta reage a um apelido costuma determinar sua duração. “Quanto mais parece incomodar, mais a internet tende a promover e viralizar. Por isso, existe um trabalho importante de gestão de imagem para decidir quando ignorar e quando entrar na brincadeira. Ao mesmo tempo, nenhuma marca pessoal se beneficia de ser associada repetidamente a adjetivos negativos, mesmo que em tom de humor”.
Por outro lado, Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, entende que os memes têm um enorme potencial de amplificar a presença digital de um atleta. “Em termos de algoritmo, quanto mais um nome é compartilhado, comentado e transformado em conteúdo, maior tende a ser seu alcance orgânico. Isso aumenta a lembrança de marca e mantém o atleta permanentemente em evidência”.
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