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O drama do Flamengo: Luxemburgo diz que foi fritado, Patrícia Amorim atribui decisão à torcida

Ao saber de declarações do técnico demitido, presidente do clube diz que diretoria optou pela substituição e que Luxa está falando "de cabeça quente"

Por Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro - 3 fev 2012, 17h59

Demitido um dia depois de conquistar para o Flamengo um resultado decisivo – a vitória sobre o Real Pososí por 2 a 0, na Libertadores – Vanderlei Luxemburgo considera que foi vítima de um processo de ‘fritura’, combinado com falta de profissionalismo de alguns jogadores da equipe, o principal deles Ronaldinho Gaúcho. “Fui fritado. Foi um dos processos mais feios que eu já vi na minha vida. Continuei no clube por profissionalismo, porque a gente tinha um objetivo que era a conquista da vaga para a fase de grupos da Libertadores”, disse, em sua primeira aparição pública após a demissão, na manhã desta sexta-feira no Rio.

Procurada pelo site de VEJA, a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, momentos após a coletiva de Luxa, afirmou que já estava ciente das declarações do treinador, e deu sua versão para a demissão. Patrícia atribuiu a troca de comando do time a um desejo da torcida – que nos dois últimos jogos do Fla levou cartazes para os estádios contra Vanderlei. “A decisão não foi de uma pessoa só, foi de toda uma diretoria, dos sócios que se manifestam através da nossa ouvidoria e dos torcedores que se manifestaram para a gente de várias maneiras”, justificou.

A mandatária do clube também preferiu colocar panos quentes na briga interna travada meses a fio por seu braço direito, o vice-presidente de finanças Michel Levy, e Luxemburgo. “Não teve nada de fritura. Muita coisa está sendo falada de cabeça quente, a gente entende o momento das pessoas, mas as coisas não foram bem assim. Ontem o culpado pela queda dele era o Ronaldinho, hoje já é o Michel Levy. As coisas não podem ser desta maneira e não é assim que fazemos no Flamengo”, disse Patrícia.

Horas antes, durante a coletiva o técnico sustentou que tinha conhecimento de sua demissão desde dezembro de 2011. “Eu já sabia que ia sair do Flamengo há dois meses. Foram informações de vocês mesmos jornalistas que vinham me contar, da minha assessoria de imprensa que me abastecia de informações. Ontem foi apenas a confirmação”, afirmou ele, explicando que os boatos de sua demissão eram vazados para imprensa pelo próprio vice de finanças. “Cada pessoa escolhe os seus pares. Quem escolheu a diretoria da Patrícia foi a Patrícia. O Michel Levy hoje é um homem-chave na administração. As declarações dele, até em off, trouxeram muito prejuízo para o projeto”, disse Vanderlei, explicando a estratégia de seu algoz para enfraquecê-lo junto a Patrícia.

Para Luxemburgo, Patrícia Amorim foi desleal e desrespeitosa. “Eu fui totalmente desrespeitado. Eu fui leal a Patrícia o tempo todo. Mas acho que ela não foi leal da mesma maneira”, disse. “A Patrícia tomou a decisão mais por quem estava do lado do que por ela. Isso é ruim. Presidente tem que ter autoridade. Essa parte ela deixou de ter. Aceitei algumas coisas ano passado em nome de um objetivo maior que era voltar para a elite do futebol sul-americano, mas aconteceram coisas que não são cabíveis dentro do futebol. Este ano eu quis mudar. Regalia que um atleta de alto nível deve ter é salário alto. O clube é soberano. Não pode ficar refém de jogador, dirigente, técnico, da presidente, de ninguém. O clube é sempre soberano nesse processo”, afirmou.

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