O drama de Miguel Cagnoni, o presidente afastado da CBDA

Em crise financeira, entidade que rege a natação dispensou funcionários e opera em esquema ‘home office’; saída do dirigente deve ser oficializada em breve

Por Luiz Felipe Castro, Alexandre Salvador - Atualizado em 29 jul 2019, 22h11 - Publicado em 29 jul 2019, 20h50

Terminada a participação da natação brasileira no Mundial de Esportes Aquáticos – a delegação volta de Gwangju, na Coreia do Sul, com sete medalhas, em nono na classificação geral – a situação da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), entidade que rege o esporte no país, é incerta. Procurado por VEJA para comentar o desempenho do país, o presidente da entidade, Miguel Cagnoni, se limitou a dizer que “não tem mais nada a ver com isso” e revelou que está licenciado do cargo.

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) disse desconhecer o fato, assim como o ex-nadador Ricardo Prado, coordenador geral de esportes da CBDA. “Não estou sabendo. Continuo despachando com ele com certa regularidade. Haverá uma reunião nos próximos dias e não sei se ele já tomou alguma decisão”, afirmou Prado, que nos últimos dias passou a ajudar Cagnoni na diretoria executiva. A reportagem apurou que além da crise administrativa que impede o pleno funcionamento da CBDA, Cagnoni passa por graves problemas particulares, o que o obrigou a se distanciar do dia a dia da entidade de maneira informal. “Ele encontra-se sem forças”, disse uma fonte anônima a VEJA.

A crise na natação começou depois da Olimpíada do Rio. No início de 2017, foi decretada a intervenção da CBDA e o banimento de seu presidente, Coaracy Nunes, que ficou 29 anos no poder. O antigo mandatário e outros dirigentes chegaram ser presos em uma operação do Ministério Público Federal, mas hoje respondem às acusações em liberdade. Cagnoni, que era presidente da Federação Aquática Paulista, venceu a eleição no mesmo ano, mas enfrentou uma série de problemas como desencontros com a federação internacional, a Fina, o bloqueio das verbas da Lei Agnelo Piva e, em janeiro deste ano, o fim de sua principal fonte de renda, o patrocínio dos Correios.

A CBDA, então, teve de reduzir drasticamente seu número de funcionários e deixar sua sede – há cerca de quatro meses, os empregados que restaram trabalham de casa, em regime de “home office”. Além disso, Cagnoni sofreu com a saída de antigos aliados. Seu afastamento ainda não foi comunicado formalmente pela entidade.

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