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O dia em que Messi, aos 10 anos, começou a conquistar o mundo

Fernando Gimeno.

Lima, 28 mai (EFE).- Lionel Messi media pouco mais de um metro de altura e tinha apenas 10 anos de idade quando mostrou pela primeira vez fora da Argentina o talento que, anos mais tarde, o levaria a se consagrar como o melhor jogador do planeta.

Foi no ano de 1997 que Messi saiu pela primeira vez de seu país, para ir ao Peru disputar, pelo time infantil do Newell’s Old Boys, a Copa da Amizade, disse à Agência Efe Dante Mandriotti, presidente do Cantolao, clube organizador do torneio.

Quem assistiu àquela edição ficou hipnotizado por uma criança que era a estrela do time argentino e o ajudou a aplicar goleadas impiedosas. Ontem, como hoje, Messi foi o artilheiro da competição.

Essa foi a carta de apresentação do (ainda) pequeno argentino, que aparentava fragilidade física, mas se tornava um gigante ao vestir a camisa 10 e exibia qualidades surpreendentes. Já naquela época, ele se livrava dos marcadores com a mesma facilidade com que atualmente leva ao pânico as defesas dos adversários do Barcelona.

Na capital peruana, Lima, Messi conquistou seu primeiro título internacional e deixou uma camisa com a qual presenteou Kevin Méndez, filho mais novo da família que o hospedou em sua casa no bairro de Pueblo Libre, em sinal de gratidão.

Méndez afirmou à Efe que guarda esta camisa como uma agradável lembrança dos dias em que a futura estrela do futebol mundial esteve em sua casa, mas agora gostaria de devolvê-la ao argentino para que relembre seu início de carreira.

‘Foi um gesto muito nobre e simples de sua parte, e o lembrarei por toda a vida’, disse Méndez. Segundo ele, desde que conheceu o argentino, percebeu que ele ‘podia ser o melhor jogador do mundo’.

O primeiro amigo de Messi no Peru explicou que o atacante ‘era tímido, não falava muito e não soltava a bola por nada’, porque ‘o que mais lhe interessava era o futebol, era o primordial em sua vida, e via no esporte a oportunidade para ser uma estrela’.

‘Em campo ele era muito hábil, como agora no Barcelona. Veloz e sem medo de enfrentar os marcadores. Quando tinha que jogar, chegava duas horas antes e não se cansava de treinar passes e chutes’, acrescentou.

Messi sofreu uma indigestão quando o convidaram para jantar frango assado e vomitou durante a madrugada, mas na manhã seguinte, ainda desidratado, pediu a seu treinador para participar da semifinal do torneio.

Naquela partida, o Newell’s massacrou o Cantolao por 10 a 0, com nove gols de Messi – de diversas formas e estilos. Mas, segundo Méndez, seu momento mais marcante foi quando ‘pediu ao goleiro de seu próprio time para bater um pênalti para fora, para evitar uma humilhação maior’ ao adversário.

O presidente do Cantolao, Dante Mandriotti, afirmou à Agência Efe que Messi ‘deslumbrava com sua velocidade, seu equilíbrio e alternâncias de paradas bruscas e arrancadas que agora faz em maior escala, mas que já mostrava quando era pequeno’.

As características do argentino que ele disse mais admirar são ‘sua atitude’ e ‘enorme vontade de se cuidar’, porque ‘mesmo sendo criança não aceitava guloseimas, balas, doces ou refrigerantes, já que queria ser um grande profissional, além de grande jogador’.

Mandriotti, um dos primeiros a ver Messi jogar fora da Argentina, afirmou que ele ‘parecia um menino predestinado a fazer coisas que os demais não conseguiam, por isso se destacava nitidamente, sua superioridade era muito notável’.

Essas qualidades fora do comum foram o melhor aval para que, apenas um ano depois, ele assinasse, em um guardanapo, um compromisso de jogar pelas categorias de base do Barcelona.

Dessa forma, Messi foi à Europa para conquistar seu objetivo de ser o melhor jogador do mundo, com o mesmo estilo de jogo que o fez brilhar no Peru aos 10 anos. EFE