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O coronavírus já causa briga por datas no circuito profissional de tênis

A Federação Francesa de Tênis remarcou Roland Garros sem avisar aos jogadores, torneios e principais instituições que regem o esporte

Por Danilo Monteiro - 18 mar 2020, 17h11

A pandemia de coronavírus parou as principais ligas esportivas do planeta e, no tênis, está “agendando” conflitos para o futuro, quando as raquetadas voltarem. Diversos torneios precisaram ser adiados nas últimas semanas e, muito provavelmente, terão que ocupar datas de outras competições para serem realizados. Pensando nisso, a Federação Francesa de Tênis (FFT) surpreendeu e, ao invés de anunciar apenas o cancelamento de Roland Garros, anunciou uma nova data para a disputa do Grand Slam: de 20 de setembro a 4 de outubro. A decisão controversa gerou uma grande polêmica entre dirigentes e jogadores.

O comunicado da FFT, minutos após ser divulgado, causou alvoroço nas redes sociais, com vários jogadores criticando a “surpresa” ao receber a notícia. “Ache um jogador que sabia dessa decisão”, criticou o suíço Stan Wawrinka, em suas redes sociais. “Mais uma vez, ficamos sabendo pelo Twitter”, desabafou o argentino Diego Schwartzman, fazendo referência ao cancelamento do Masters 1000 de Indian Wells.

A repercussão da alteração do calendário foi ainda mais negativa quando o canadense Vasek Pospisil, membro do Conselho de Jogadores, revelou que não foi informado e que “os jogadores não tem poder de fala nesse esporte”. O presidente da FFT agravou a situação quando informou, segundo a rádio francesa RMC, que o diretor do torneio, Guy Forget (um ex-tenista, diga-se), ligou para Rafael Nadal antes de tomar a decisão.

A mudança nas datas do Aberto da França, que não foi combinada com a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), que rege o circuito masculino, a WTA, que cuida do calendário feminino e a ITF, a federação internacional do esporte, e com os demais Grand Slams, colocou o torneio de saibro na janela imediatamente após o US Open, disputada em quadras duras, além de ficar sobreposto à Laver Cup (de 25 a 27 de setembro). Esta última trata-se de uma competição amistosa, mas é a menina dos olhos do suíço Roger Federer, seu idealizador, e que já tinha ingressos esgotados. “A notícia veio como uma surpresa para nós e para nossos parceiros (as federações australiana, americana e a ATP). Ela levanta muitos questionamentos e estamos avaliando a situação. Queremos esclarecer aos nossos fãs, patrocinadores, funcionários, voluntários, jogadores e à grande cidade de Boston, que pretendemos manter a Laver Cup na data prevista”, comunicou a organização do torneio de exibição.

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“A federação americana pretende manter a data prevista para o US Open 2020. São tempos difíceis e estamos avaliando todas as nossas opções, incluindo a possibilidade do adiamento do torneio. Em um momento onde o mundo está unido, reconhecemos que uma decisão não pode ser feita unilateralmente. Portanto, só tomaremos decisões após consultar outros Grand Slams, WTA, ATP, ITF e nossos parceiros, incluindo a Laver Cup”, informou a federação americana de tênis, que organiza o Aberto dos Estados Unidos.

A direção de Wimbledon, marcado para Londres entre 29 de junho e 12 de julho, preferiu não se envolver no conflito e garantiu que o Grand Slam continua sendo planejado, mas com respeito às medidas de segurança e prevenção de contágio do coronavírus: “Vamos continuar monitorando e respondendo à situação do coronavírus de maneira ativa, colaborando com o governo e autoridades de saúde. No momento, continuamos planejando o torneio e a temporada nas quadras de grama.”

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