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‘Novo’ VAR do tênis falha e causa confusão em partida profissional

Não é só no futebol que o árbitro de vídeo suscita polêmica. A partida entre Alejandro Fokina e Miomir Kecmanovic foi paralisada por falha do sistema

O tênis é uma das primeiras modalidades esportivas a abraçar a tecnologia – desde 2005, as partidas da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP)  contam com um sistema de checagem de vídeo conhecido como Hawk-Eye. Para a disputa do torneio Next Gen Finals, que reúne os melhores tenistas Sub-21 do circuito, a entidade decidiu inovar. Apresentou um sistema complementar ao Hawk-Eye, similar ao árbitro de vídeo do futebol. Neste primeiro grande teste, o VAR do tênis falhou. O sistema provocou atraso e reclamações na partida entre o sérvio Miomir Kecmanovic, número 60 do mundo, e o espanhol Alejandro Fokina (87º).

A novidade pode ser acionada para revisar lances em que a bola amarela pode ter quicado duas vezes na quadra antes de um jogador rebater a bolinha, ou se o tenista invadir, antes do término do ponto, o outro lado da quadra. Pela raridade dos lances que podem ser revisados pelo ‘novo’ VAR, o recurso foi acionado pela primeira vez somente na última quarta, no jogo entre Fokina e Casper Ruud (56º do mundo), quando o árbitro quis confirmar o toque da bola no teto do ginásio.

Nesta quinta, o segundo acionamento do VAR causou polêmica. Alejandro Fokina devolveu o saque de Miomir Kecmanovic bem próximo à linha de fundo, obrigando o sérvio a bater a bolinha rapidamente, no susto. A bola caiu fora da quadra, mas a velocidade do lance fez com que o VAR não captasse o que tinha acontecido, entendendo que a bolinha bateu na raquete de Kecmanovic antes de quicar duas vezes no piso. O jogador contestou e a árbitra acionou o vídeo novamente e precisou corrigir a falha da tecnologia, irritando Fokina, que reclamou, mas acabou perdendo o ponto.

A partida terminou com vitória de Kecmanovic por três sets a zero, com parciais de 4×1/4×1/4×3(8×6). O sérvio avançou à semifinal e enfrentará o italiano Jannik Sinner, número 95 do ranking da ATP, na próxima sexta-feira.

O circuito da ATP adota o uso da tecnologia há vários anos. O Hawk-Eye, por meio de sensores, revisa possíveis erros nas marcações dos juízes de linha, dando a possibilidade de cada jogador solicitar três desafios por set – um adicional caso haja tie-break -, quando há dúvida se a bola tocou ou não a linha. Os desafios estão bem estabelecidos no circuito, mas o VAR, assim como no futebol, ainda não.

O Next Gen é uma espécie de laboratório da ATP para promover inovações, como o retorno da marcação de quadra apenas para o jogo de simples e o formato de pontuação mais curto, com sets de apenas quatro games. Nesta edição, inclusive, a associação testa o uso aparelhos de GPS para medir estatísticas individuais, como velocidade, rotação, aceleração e frequência cardíaca dos jogadores.