Nova geração desafia treinadores a reinventar liderança no esporte, dizem especialistas
Saúde mental é foco de mesa-redonda na terceira edição do Fórum Esporte Seguro, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), no Rio de Janeiro
A necessidade de adaptar a liderança esportiva às novas gerações foi o tema central do painel “Mentalidade de alto rendimento e o desafio dos treinadores na transição das gerações”, realizado nesta quinta-feira, 6, durante o III Fórum Esporte Seguro, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), no Rio de Janeiro. Especialistas defenderam que ambientes psicologicamente seguros não comprometem o desempenho esportivo — ao contrário, são fundamentais para alcançá-lo.
Abrindo a roda de conversa, a psicóloga esportiva do COB, Aline Wolff, afirmou que o esporte vive uma mudança de paradigma e que os treinadores precisam rever modelos tradicionais de liderança.
“Inovação é estar disposto a mudar o que em tese sempre funcionou, mas não funciona mais”, disse Wolff.
Segundo ela, classificar atletas mais jovens como “mimados” ou incapazes de lidar com pressão revela, na verdade, uma resistência dos próprios líderes à transformação.
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A especialista também defendeu que a pressão faz parte do alto rendimento, desde que não seja confundida com práticas abusivas. Ela ressaltou que ambientes de segurança psicológica permitem que atletas expressem dúvidas, errem e aprendam sem medo de humilhação, favorecendo o desenvolvimento esportivo.
Em seguida, o diretor-geral da Confederação Brasileira de Remo, Nei Wilson, destacou que a função do treinador mudou significativamente nos últimos anos. Segundo ele, o profissional deixou de ser um “faz-tudo” para liderar equipes multidisciplinares compostas por psicólogos, médicos, fisioterapeutas e outros especialistas.
Wilson também ressaltou a importância de ampliar a participação de mulheres em cargos de liderança e defendeu que treinadores homens estejam preparados para lidar com as especificidades do esporte feminino.
Representando a visão dos treinadores, o técnico de boxe Mateus Alves afirmou que muitos profissionais ainda têm dúvidas sobre como manter disciplina e autoridade sem ultrapassar limites. Alves também defendeu que treinadores recebam apoio psicológico, já que lidam simultaneamente com cobranças de atletas, dirigentes e equipes técnicas.
“Para que um treinador passe segurança para seus atletas, ele tem que passar por atendimento psicológico para que esteja equilibrado”, argumentou ele.
Ao final da discussão, os especialistas convergiram na avaliação de que esporte seguro e alto rendimento não são objetivos conflitantes. Segundo o painel, a criação de ambientes baseados em confiança e respeito é condição para formar atletas mais preparados e carreiras mais sustentáveis.







