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No teste do Mineirão, protesto atrapalha e rigor surpreende

Restrições de evento padrão Fifa provocam estranheza entre torcedores, mas garantem operação correta. Ou quase: manifestação em avenida para trânsito

Por Giancarlo Lepiani, com fotos de Ivan Pacheco, de Belo Horizonte - 24 abr 2013, 21h13

O sistema desenvolvido pela Fifa privilegia a ordem e a segurança, reduzindo a margem de erro e a chance de imprevistos. Nada que não possa cair por terra diante de um obstáculo inesperado como o protesto desta quarta

Para muitos torcedores mineiros, a primeira experiência num evento com padrão Fifa – que será a regra na Copa das Confederações deste ano e no Mundial do ano que vem – foi uma decepção. Não por causa de falhas na organização, planejada corretamente, ou no Mineirão, que corrigiu alguns problemas e parece estar se aproximando de sua operação ideal. O enorme esquema de trânsito preparado para incentivar o torcedor a deixar o carro em casa – contrariando o hábito de muitos moradores de Belo Horizonte – e adotar outras alternativas de transporte foi prejudicado por um imprevisto. Um protesto de professores da rede pública de ensino interrompeu o tráfego na Avenida Presidente Antônio Carlos, uma das principais vias de acesso ao estádio, poucas horas antes do amistoso entre Brasil e Chile, marcado para começar às 22 horas (de Brasília) desta quarta-feira. Com a manifestação, que reivindicava aumento de salários, as faixas exclusivas de ônibus e táxis que prometiam reduzir o tempo do percurso entre o centro e o Mineirão ficaram fechadas. O trânsito caótico atrasou dezenas de milhares de torcedores – faltando uma hora para o início da partida, poucos estavam em seus assentos no estádio. Mais de 50.000 ingressos tinham sido vendidos com antecedência.

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Nos arredores do Mineirão reformado (a um custo de 660 milhões de reais), havia outra surpresa para muitos torcedores: as restrições de acesso nas vias que levam ao estádio provocaram estranheza em um público acostumado a estacionar onde havia qualquer brecha, a consumir bebidas e sanduíches de barraquinhas e ambulantes e a transitar livremente até a chegada ao portão de acesso. Com a adoção dos procedimentos que a Fifa aplica em seus grandes eventos, chegar perto do Mineirão só era possível com credenciais de estacionamento. Quem estava a pé tinha de mostrar seu ingresso muito antes de se aproximar da entrada. Como previsto, o entorno da arena ficou muito menos tumultuado e mais controlado. Ainda assim, nas filas das catracas eletrônicas, não faltavam saudosistas reclamando do estilo rigoroso e pouco flexível da organização. Uma questão de costume, evidentemente – o sistema desenvolvido pela Fifa privilegia a ordem e a segurança, reduzindo a margem de erro e a chance de imprevistos. Nada que não possa cair por terra diante de um obstáculo inesperado como o protesto desta quarta – o que reforça a importância de eventos como o Mineirão, o segundo realizado no país sob o monitoramento do Comitê Organizador Local da Copa.

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Correções – Na agenda da Fifa, o primeiro evento-teste foi a partida entre Ceará e Fortaleza, no último dia 14, no Castelão. As características da partida desta quarta, contudo, são muito mais próximas do que a organização encontrará nos jogos da Copa das Confederações – por contar com a presença da seleção brasileira, pela característica do público presente ao estádio e por causa da presença reforçada da imprensa nacional e estrangeira. Como o Mineirão foi um dos primeiros estádios entregues para o evento e como Belo Horizonte é uma das sedes mais importantes da competição (será palco de uma das semifinais), o jogo vale não só para Luiz Felipe Scolari definir seus convocados, mas também para o COL identificar as falhas mais preocupantes antes do início do torneio. A arena mineira é um bom lugar para fazer a avaliação. Depois da profunda reforma que transformou o velho estádio num palco moderno e mais confortável, as primeiras experiências do torcedor local foram preocupantes – o jogo de estreia, por exemplo, foi marcado por reclamações sobre alimentação, banheiros e acessos. As deficiências foram, aos poucos, sendo corrigidas – um processo que a Fifa considera natural, já que nenhuma nova arena, por mais cara que ela seja, começa a operar perfeitamente logo que a obra é entregue.

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