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No futebol, um em dez já recebeu proposta de manipulação

Sindicato de atletas profissionais revela que tentativas de fraude são comuns. Fifa promete abrir 'disque-denúncia' para impedir corrupção na Copa de 2014

A principal preocupação da Fifa é evitar que a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, seja alvo desses esquemas. A entidade dará instruções especiais a árbitros e seleções

As tentativas de manipular resultados são uma rotina no esporte mais popular do mundo. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pelo sindicato internacional de jogadores profissionais, o Fifpro, pelo menos um em cada dez atletas já foi abordado por alguém que pretendia fraudar o resultado de uma partida. Quando se pensa no número quase incalculável de jogadores em atividade na modalidade mais praticada do planeta, a conclusão é de que os corruptos têm uma presença fortíssima no esporte. O levantamento, revelado por um dos presidentes da Fifpro, Brendan Schwab, revela ainda que um entre cada quatro jogadores diz ter certeza de que existem jogos manipulados em seus campeonatos nacionais.

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Schwab participou de uma conferência internacional da Interpol sobre manipulação de partidas. O encontro acontece em Kuala Lumpur, na Malásia, e faz parte de um acordo de cooperação firmado entre a Fifa e a Interpol em 2011. O representante dos jogadores afirmou que “todos os membros da família do futebol, os governos e as autoridades policiais devem trabalhar de forma conjunta para combater os problemas” que atingem o esporte, de forma a “manter a dignidade e integridade do jogo e dos atletas”. O Fifpro reúne 56 sindicatos de jogadores de todo o mundo e representa cerca de 65.000 atletas. A Fifa também pediu ajuda dos governos para combater os casos de manipulação. O diretor de segurança da entidade, Ralf Mutschke, garantiu que a Fifa está fazendo a sua parte, banindo do esporte árbitros e jogadores envolvidos em manipulação de resultados. Segundo ele, porém, os organizadores dos esquemas corruptos seguem em liberdade por causa dos problemas nas legislações de cada país.

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“Temos de envolver os governos, pois eles precisam mudar as leis. Muitos países não têm uma legislação adequada para combater a manipulação de jogos. Falar é fácil, mas já está na hora de agir.” O diretor de segurança da Fifa citou como exemplo de impunidade o caso do empresário Tan Seet Eng, de Cingapura, julgado culpado de envolvimento num esquema de manipulação no futebol italiano. Seu pedido de prisão emitido em Roma não teve efeito na Ásia, e o fraudador continuou solto. Ainda de acordo com Mutschke, a principal preocupação da Fifa é evitar que a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, seja alvo desses esquemas. Ele revelou que a entidade dará instruções especiais a árbitros e seleções, além de manter uma linha telefônica especial para ouvir qualquer denúncia de irregularidade 24 horas por dia.

(Com agência EFE e Estadão Conteúdo)