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No Canadá, Brasil investe no isolamento e privacidade

A exemplo do que havia feito em Londres, o Comitê Olímpico Brasileiro montou um quartel-general afastado da Vila dos Atletas em Toronto. Lá, os atletas têm quadras, academia e arroz e feijão

Por Alexandre Salvador 10 jul 2015, 15h28

Com 590 atletas em Toronto, o Brasil terá a terceira maior delegação nos Jogos Pan-Americanos de 2015, somente atrás de Canadá (717) e Estados Unidos (623), mas não é fácil encontrar alguém de uniforme verde e amarelo circulando pela Vila dos Atletas. Boa parte dos esportistas brasileiros está isolada dos demais competidores, instalada num quartel-general temporário a quase 30 quilômetros dos alojamentos oferecidos pela organização. A exclusividade e a distância, segundo o Comitê Olimpico Brasileiro, é um dos fatores que podem contribuir para um melhor desempenho do país nas próximas duas semanas de disputas.

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O COB investiu cerca de 2,5 milhões de reais – um quarto da verba destinada à operação em Toronto – para alugar as instalações esportivas da Universidade de York, na zona norte da cidade. No pacote está incluído o uso da academia, quadras, piscinas, refeitório e alojamento que normalmente atendem os alunos do campus. Como as aulas estão suspensas pelas férias de verão, hoje ocupam o espaço os atletas do judô, de luta olímpica, de basquete e de tênis – o atletismo também ficará hospedado ali, a partir da segunda semana dos Jogos. Os judocas brasileiros, aliás, são afeitos à privacidade e às facilidades que o campus universitário proporciona.

“Os atletas praticamente não precisam se deslocar. Saem de seus alojamentos e já estão no local de treinamento”, diz o chefe de equipe da modalidade, o carioca Ney Wilson. Se contassem apenas com a estrutura oficial, os judocas teriam de percorrer os mais de 30 quilômetros da Vila até o local de competição, onde são realizados os treinos gerais. Em York, cada um dos atletas tem ainda mais privacidade – cada um conta com um quarto individual, enquanto na Vila os alojamentos são geralmente para duas pessoas. “Imagine se algum atleta ronca e o outro tem de acordar cedo para treinar. Uma noite de sono ruim, por mais improvável que possa parecer, pode custar uma medalha”, diz o paranaense Edgar Hubner, gerente geral de Juventude e Infraestrutura do COB.

É de Edgar, e de sua equipe de dez profissionais, a responsabilidade de levantar (e desmontar) acampamento – estão em York também seis membros da equipe médica do COB. Ele foi o responsável por montar os centros de treinamento provisórios do Brasil para o Pan de Guadalajara, em 2011, e para a Olimpíada de Londres, em 2012. Sua preocupação vai além da parte logística. O controle sobre a alimentação também é fundamental nesta reta final. O responsável pela comida dos atletas brasileiros é Abdel Balkadi, um canadense funcionário da universidade, que se preparou em solo brasileiro.

“Levamos o Abdel para Saquarema, no Rio, no centro de treinamento do vôlei para que conhecesse nosso tempero e os hábitos alimentares dos nossos jogadores.” A tarefa foi cumprida com excelência: no cardápio constam clássicos como arroz, feijão preto, farofa e mandioca assada – e após um teste a reportagem de VEJA comprovou que o feijão estava, sim, bem temperado. “Os atletas da luta olímpica vieram para o Canadá direto de uma competição no Japão. Você pode imaginar a alegria deles quando chegaram aqui e viram um cardápio amigável”, garante Edgar, orgulhoso da estrutura montada.

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