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No amistoso em memória de Kevin, a briga é pelo dinheiro

Jogo foi anunciado como fonte de receita para ajudar família do garoto morto. Mas cartolas bolivianos decidiram ficar com a renda - que deverá ser 'fatiada'

Por Da Redação 5 abr 2013, 09h20

“Quero que a situação seja esclarecida e que o nome do meu filho não seja usado pelos outros, que se respeite a memória dele e a dor da minha família”, disse o pai de Kevin

A morte do garoto Kevin Espada, de 14 anos, atingido no olho por um sinalizador disparado por torcedores corintianos em Oruro, em partida da Libertadores, deixou o futebol sul-americano de luto em fevereiro. Com o passar do tempo, porém, honrar a memória de mais uma vítima da violência nas arquibancadas ficou em segundo plano – e os cartolas do continente repetiram os mesmos maus hábitos de sempre na hora de lidar com o assunto. Primeiro foi a impunidade: a punição ao Corinthians foi reduzida depois de apenas um jogo sem presença da torcida. Depois, veio a exploração política do caso, com a CBF e a Federação Boliviana de Futebol (FBF) marcando um amistoso de última hora sob a justificativa de que era preciso ajudar a família da vítima. Agora chegou a hora da exploração financeira da tragédia, com a briga pelo dinheiro que será arrecadado com a realização da partida, marcada para a tarde de sábado.

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Para o pai de Kevin, anunciar que o jogo seria em benefício de sua família foi só uma maneira de atrair o público e, assim, aumentar a arrecadação. “O que me preocupa é que se mercantilize o nome do meu filho. O tema não é tanto econômico, mas sim uma questão de família. Não gostamos que manipulem o nome do Kevin”, explicou ele. José Maria Marin, presidente da CBF, tinha anunciado o jogo informando quen a renda seria doada à família de Kevin. Insatisfeita, a FBF, dirigida por Carlos Chavez, protestou e chegou a um acordo com a entidade brasileira. Limbert Beltrán chegou a ser convidado para o amistoso programado para sábado. No entanto, até a noite de quinta-feira, o pai de Kevin ainda não havia recebido a confirmação dos dados de sua passagem para Santa Cruz. “A CBF e a FBF já concordaram que o jogo é das federações e que não tem nada a ver com o meu filho. Por isso, acho que minha participação não é mais necessária”, disse ele, descartando participar do evento.

(Com agência Gazeta Press)

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