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‘Ninguém está contra a seleção’, diz Parreira após protesto

Integrantes da comissão técnica reafirmaram a confiança no título e disseram que os atletas chegaram com 'brilho nos olhos' no primeiro dia de preparação

Por Luiz Felipe Castro, de Teresópolis 26 Maio 2014, 18h15

“Temos a melhor zaga do mundo, um timaço, jogadores experientes, respeitados e nos somos favoritos, sim. Não temos obrigação de ganhar, mas somos favoritos”

No primeiro dia de preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo, nem o técnico Luiz Felipe Scolari, nem o astro Neymar deram as caras. O coordenador técnico Carlos Alberto Parreira e o auxiliar Flávio Murtosa, foram os nomes designados pela CBF para conversar com os jornalistas e estrear a nova sala de imprensa da Granja Comary, na tarde desta segunda-feira. Os fiéis escudeiros do técnico Luiz Felipe Scolari se disseram empolgados com o início do trabalho e minimizaram os protestos realizados durante a chegada da delegação ao Rio de Janeiro. “A seleção é um patrimônio cultural e esportivo. Ninguém está contra a seleção”, garantiu Parreira.

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O coordenador ainda afirmou que, em consenso com atletas e comissão técnica, não falará sobre os problemas de organização deste Mundial. Campeão mundial em 1994 como treinador, Parreira revelou que já analisou dezesseis possíveis adversários da seleção por meio de um programa de computador. “Não seremos surpreendidos”, avisou. Ele reafirmou o favoritismo da seleção brasileira e disse que é necessário acabar com os fantasmas do Maracanazo, a derrota, em casa, para o Uruguai, na final da Copa de 1950. “O Brasil é o único dos grandes que nunca ganhou em casa, e nós temos que reescrever essa história”, disse ele em um dos trechos de sua entrevista.

Protestos: “Cada um interpreta a situação da maneira que mais lhe interessar. De fato, houve um contratempo pela manhã, mas eram duzentas pessoas no máximo. A seleção brasileira é um patrimônio cultural e esportivo. Ninguém está contra a seleção e a prova foi dada hoje, de forma inequívoca, pela forma com que as pessoas nos incentivaram durante todo o trajeto.”

Problemas na organização: “A Copa do Mundo é uma experiência muito boa para o país se mostrar para o mundo. Mas em relação aos problemas, chegamos a um consenso de que é hora de falar somente da seleção brasileira. Dentro do campo teremos uma Copa muito boa.”

Condições físicas: “Recebemos um grupo com jogadores que jogaram 20, 30, 45 partidas na temporada, e os testes serão feitos para avaliar as necessidades individuais de cada atleta. De forma geral, o time não chegou desgastado. Na verdade, o número médio de atuações dos atletas talvez seja o mais baixo das últimas Copas.”

Foco: “O mais importante é a disposição. Vocês ainda não viram a alegria, a satisfação e o brilho estampado no rosto de cada um em representar o Brasil em uma Copa em casa. Não se vence nada na vida só com talento. Há artistas que dizem que o sucesso se deve 30% a inspiração e o restante é só transpiração. E esse grupo tem muito ânimo, muita vontade. Nenhum jogador foi campeão do mundo antes e isso é algo que eles querem muito. Quando a gente consegue ganhar fora de campo, com um bom ambiente, já temos uma mão na taça. E, desta vez, já temos.”

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Favoritismo: “Eu assumi que somos favoritos. Imagine se nós disséssemos que não temos confiança em ganhar a Copa do Mundo em casa! Nós, como comandantes, apenas confiamos nos nossos atletas. Temos a melhor zaga do mundo, um timaço, jogadores experientes, respeitados e nos somos favoritos, sim. Não temos obrigação de ganhar, mas somos favoritos. Em 2002, Argentina e França eram favoritas e não passaram nem da primeira fase. É preciso ir a campo e exercer essa superioridade.”

Análise dos rivais: “Internamente, nós temos excelentes analistas e compramos um programa que nos dá acesso a todas as partidas. Nesse aspecto, a seleção não será surpreendida. Dezesseis equipes que vão jogar essa Copa já estão devidamente analisadas em todos os detalhes. E não adianta analisar só duas por grupo, pois vários que podem passar. Já olhamos Chile, Holanda, Espanha, Itália, Inglaterra e Uruguai, pois qualquer uma delas pode nos enfrentar.”

Novo Maracanazo: “É algo que está entalado na garganta há 64 anos. O Brasil é o único dos grandes que nunca ganhou em casa, e nós temos que reescrever essa história, acabar com esse papo de Maracanazo. Já ganhamos do Uruguai várias vezes, até em Copas do Mundo, mas precisamos acabar com isso.”

Sem ‘oba-oba’: “Nós vamos tentar evitar os dois extremos, nem abrir, nem fechar demais. Nossa prioridade é que os jogadores tenham condições de treinar e evitar o oba-oba. A Granja é diferente, não temos estrutura e nem condições de segurança para receber muita gente.”

Desfalques: “Acho que Alemanha e Espanha podem até machucar um ou outro jogador, pois têm elencos muito bons e vão encontrar soluções. O importante é nos concentrarmos apenas no nosso grupo. Pelo que conversamos hoje, estão todos em ótimas condições.”

Filipe Luís e Miranda: “Nosso critério é não ter critério, não ficar preso a dogmas. Convocar é opção do treinador. O Filipe Luís é um ótimo jogador, mas o treinador optou pelo Maxwell. Da mesma forma que ele tem direito de contestar, o Felipão tem de escolher, e ele fez a sua opção.”

Neymar: “O Neymar de agora é o mesmo, mas mais experiente, conhecido e reconhecido internacionalmente. Ele conquistou isso jogando pelo Barcelona e era importante que ele saísse. Acho que ele já está recuperado de contusão. Se não estivesse, não teria jogado a última partida pelo Barcelona.”

O escudeiro de Felipão – Bem ao seu estilo, o auxiliar Murtosa adotou discurso bastante contido, mas interrompeu Parreira no momento em que os possíveis cruzamentos da seleção brasileira foram discutidos pelo coordenador. “Para ser campeão, teremos que ganhar de quatro ou cinco grandes seleções. Não tem como fugir”, afirmou Murtosa. Ele ainda apontou o seu candidato a surpresa do Mundial e afirmou que o Brasil entra para esta competição ainda mais forte do que na vitoriosa campanha da Copa das Confederações.

Zebras: “Posso apontar a Bélgica, ela irá surpreender. É uma equipe mesclada, experiente e que pode dar trabalho.”

Dificuldades: “Eu acho que a Copa das Confederações foi mais complicada, pois estávamos montando a equipe, havia uma leva de jogadores que estavam estreando em competições importantes e a gente precisava do resultado. E a parte principal, que era ter novamente o apoio popular, nós conseguimos, essa química aconteceu. O Mundial é uma competição mais difícil tecnicamente, mas a base nós já temos.”

Granja Comary: “A melhora foi geral. O local sempre foi aprazível, mas era uma área já antiga, precisava de uma reforma. Agora, ela está em ótimas condições, os quartos são excelentes e individuais, ao contrário do que era antes. A Granja Comary é um lugar onde todos sonhariam em fazer uma preparação para o Mundial.”

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