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Nike rompe seu contrato com o ex-herói Lance Armstrong

Ciclista envolvido em escândalo de doping deixa presidência de sua fundação

O ciclista sempre negou qualquer envolvimento com doping. A USADA diz, porém, que seu levantamento inclui os testemunhos de 26 pessoas, incluindo uma dezena de ex-colegas de equipe do americano

A principal parceira comercial de Lance Armstrong rompeu com o ex-ciclista nesta quarta-feira. Um dos principais garotos-propaganda da Nike, o ex-atleta envolvido num escândalo de doping perdeu seu contrato com a marca americana de roupas e equipamentos esportivos. Na semana passada, depois da divulgação de um dossiê sobre o caso, a Nike chegou a manifestar apoio a Armstrong. Agora, porém, avisa que o patrocínio ao ex-ciclista foi cancelado. O comunicado da empresa afirma que Armstrong “enganou a Nike por mais de uma década”. Também nesta quarta, Armstrong anunciou sua saída da presidência da Livestrong, fundação que ele criou em 2003 para ajudar vítimas de câncer: “Para evitar que a fundação sofra com os efeitos negativos decorrentes da controvérsia em torno da minha carreira, encerro meu trabalho como presidente.”

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Provas – Armstrong, um dos atletas mais consagrados das últimas décadas, participou do “mais sofisticado, profissional e bem-sucedido programa de doping já visto na história do esporte”, segundo a Agência Antidoping Americana (USADA, na sigla em inglês). O dossiê de 1.000 páginas foi entregue na quarta passada à entidade que comanda o ciclismo internacional e inclui, pela primeira vez, provas incontestáveis de que Armstrong, sete vezes campeão do Tour de France, usou substâncias proibidas para melhorar seu desempenho. O ciclista sempre negou qualquer envolvimento com doping. A USADA diz, porém, que seu levantamento inclui os testemunhos de 26 pessoas, incluindo uma dezena de ex-colegas de equipe do americano.

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Os atletas integravam a equipe United States Postal Service ao lado de Armstrong. Os ciclistas ouvidos pela USADA não só admitiram o seu próprio doping como também afirmaram que Amstrong também fazia o mesmo. O envolvimento dele seria ainda maior: os ex-colegas dizem que o ídolo americano se dopava, encorajava os outros a imitá-lo e até ajudava a aplicar as substâncias proibidas nos outros ciclistas. As acusações contra Armstrong são antigas, mas sempre foram cercadas de dúvidas – e sempre foram marcadas pela falta de provas concretas. Isso mudou há uma semana. Além dos testemunhos de pessoas ligadas à equipe de Armstrong, o relatório apresenta também resultados de testes clínicos e até dados de movimentações financeiras do time.

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“A conspiração de doping da equipe foi desenvolvida de forma profissional para doutrinar e pressionar quem fosse do time a usar drogas perigosas e fugir dos exames, a proteger seu segredo e ganhar uma vantagem competitiva injusta”, diz a USADA. “O programa foi organizado por pessoas que achavam que estavam acima da lei e que ainda têm funções ativas e destacadas no esporte.” Para conseguir convencer a opinião pública – afinal, Armstrong é um dos grandes heróis do esporte americano -, os técnicos da agência dizem ter reunido “provas conclusivas e inegáveis que lançam luzes, pela primeira vez, sobre essa conspiração sistêmica e altamente profissional”. “É chocante descobrir tudo isso, mas fizemos nosso trabalho”, disse o chefe da agência, Travis Tygart.