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‘Neymar não pode ser exemplo para nossos filhos’, ataca diretor da DIS

Empresa que detinha parte dos direitos de Neymar processa o jogador, o Barcelona e o Santos por fraude nas negociações fechadas em 2013

Por Da Redação - 6 maio 2016, 12h13

O grupo de investimentos DIS, que detinha 40% dos direitos econômicos de Neymar, segue acusando o jogador, o Barcelona e o Santos de fraude na negociação do atacante, selada em 2013. Roberto Moreno, diretor executivo da empresa, esteve em Madri nesta semana frente à Audiência Nacional para depor sobre o processo. Ao diário espanhol Marca, ele fez duras críticas ao jogador nesta sexta-feira.

“Nos sentimos traídos, fraudados, enganados. Cuidamos de Neymar quando ele ainda era uma promessa. Investimos muito dinheiro, apesar do risco, e ele nos enganou. Ele não pode ser um exemplo para nossos filhos. Não quando está sendo investigado por evasão de impostos e corrupção”, atacou o empresário. No ano passado, o DIS apresentou denúncia à Justiça espanhola alegando que o Barcelona, o jogador e seu pai esconderam o real valor da transferência finalizada.

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O atacante começou a jogar no Barcelona em 2013, e o clube catalão informou na época que a contratação tinha custado 17 milhões de euros. Porém, após a renúncia do então presidente do clube, Sandro Rosell, a direção admitiu ter gastado 57 milhões – número que a Procuradoria elevou para, no mínimo, 83,3 milhões de euros, após outra investigação. O DIS tinha direito a 40% do valor total da negociação. O clube paulista afirma que também foi lesado na transferência.

Moreno contou que começou a suspeitar da negociação em 2012, quando surgiram os primeiros rumores sobre um possível acordo entre Barcelona e Neymar. O empresário contou que foi pessoalmente ao Camp Nou procurar Sandro Rosell, então presidente, mas só foi recebido no dia seguinte por Josep Maria Bartomeu, que na época era o vice-presidente. Moreno acusa o atual mandatário do Barcelona de ter mentido na conversa.

“Perguntei se havia alguma negociação e sua resposta foi que não, que o jogador interessava ao Barcelona e nada além disso. Bartomeu mentiu na minha cara, porque mais tarde se soube que no ano anterior o Barcelona já havia assinado um contrato de 40 milhões com Neymar e seu pai como garantia da compra antecipada dos direitos do jogador”, acusou Moreno.

O diretor também contou que o agente Wagner Ribeiro e o pai do craque, Neymar da Silva Santos, tentaram recomprar os direitos do jogador no segundo semestre de 2011, mas tiveram a proposta negada. Meses depois, sem o conhecimento da DIS, o jogador firmou o contrato de preferência com o Barcelona, que só seria descoberto mais tarde. “Não acreditávamos que Neymar fosse mentir para nós. É claro que nos surpreendeu quando Wagner Ribeiro e o pai de Neymar, entre julho e outubro de 2011, tentaram recomprar os direitos do jogador. Nós pagamos 2,5 milhões por 40% dos direitos de Neymar em 2009. No verão de 2011, começaram oferecendo 7 milhões de euros e acabaram subindo até 12 milhões de euros. Mas nós não aceitamos, pois já havia muitos clubes interessados e dispostos a pagar a cláusula de rescisão do jogador.”

Moreno conta que Ribeiro e Neymar pai voltaram a oferecer dinheiro à DIS para fechar o caso, mas a empresa novamente recusou a oferta e seguiu em busca de reaver o valor que tinha direito. Assim como fez Delcir Sonda, dono do DIS, Moreno lamentou o fato de Neymar e seu pai terem dito que nunca tiveram relação próxima com o grupo de invstimentos. Moreno contou até que Neymar contratou um funcionário da DIS, que é primo da mãe de seu filho, Carolina Dantas.

“Isso é falso. Nós cuidamos de Neymar até 2011, quando eles quebraram todos os laços após rejeitarmos a recompra dos 40% dos direitos. Eles até levaram o Jean Neto, a nossa pessoa de confiança, que serviu como secretário do jogador e o acompanhou em todos os momentos. Ele tinha tão boa relação que seu filho é fruto de um relacionamento com a prima de Jean, Carol. Eles não podem dizer que não nos conheciam”, conclui Moreno.

Em fevereiro, Delcir Sonda também fez duras críticas ao jogador e, principalmente, a seu pai. “Ele disse que não me conhecia e isso é totalmente falso. Muitas vezes fui jantar na casa dele. Essa foi uma facada nas costas”, desabafou. “Eles achavam que éramos bobos. Mas agora eles estão sentados na frente de um juiz tendo que se explicar. Temos plena confiança de que o sistema judicial espanhol vai resolver isso”.

Além de dois processos que enfrenta na Espanha por causa da negociação, Neymar e seu pai também estão na mira da Justiça brasileira. Conforme VEJA revelou com exclusividade em janeiro, a dupla foi denunciada pelo Ministério Público Federal por suspeita de sonegação fiscal e falsidade ideológica em contratos firmados por empresas de Neymar da Silva Santos.

(da redação)

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