Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

Neymar enfim brilha e o Brasil estreia com vitória tranquila

<p>Camisa 10 marcou um golaço, fez lindas jogadas e comandou primeiro triunfo da seleção na Copa das Confederações: 3 a 0, fácil, sobre o Japão em Brasília</p>

Por Giancarlo Lepiani, com fotos de Antonio Milena e Ivan Pacheco Atualizado em 11 jan 2022, 21h27 - Publicado em 15 jun 2013, 17h55

Neymar mostrou lampejos de incrível técnica e criatividade, numa de suas melhores partidas pela seleção brasileira até hoje. Acabou sendo substituído, reclamando de dores nas costas

O craque do time finamente apareceu numa partida importante – e mostrou, sem deixar dúvidas, por que o técnico Luiz Felipe Scolari apostou tanto em seu futebol. Neymar foi o grande nome da vitória do Brasil sobre o Japão, 3 a 0, neste sábado, em Brasília, na abertura da Copa das Confederações, e comandou a equipe numa apresentação convincente e segura. Além de abrir o placar com um gol memorável, o camisa 10, de 21 anos, enfileirou os defensores japoneses com lindos dribles, criou oportunidades de gol para os companheiros e não se escondeu do jogo em nenhum momento. Acabou sendo substituído no fim ao sentir dores nas costas. A princípio, nada que preocupe: Felipão preferiu poupar seu principal jogador para o resto da competição. Diante de mais de 67.000 pessoas no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, o técnico finalmente ouviu seu time ser aplaudido. Como ele próprio dizia depois de cada amistoso em que a seleção era vaiada pelo torcedor, o apoio do público só dependia da própria equipe – bastava jogar bem para o brasileiro confiar mais no grupo. Foi justamente o que aconteceu na estreia, encerrada com gritos de “olé” e uma torcida plenamente satisfeita. A segunda partida da seleção na Copa das Confederações será na Arena Castelão, em Fortaleza, na quarta, às 16 horas (de Brasília), contra o México (que estreia no torneio neste domingo, no Maracanã, contra a Itália).

Leia também:

Com Felipão, Neymar muda nome, camisa, função e status

O paradoxo de Neymar, um ídolo que divide os brasileiros

Os personagens

  • O craque Neymar

    O camisa 10 cumpriu justamente o papel que se esperava dele, desequilibrando o jogo com seus dribles e sua velocidade. Seu gol foi espetacular

  • A muralha Thiago Silva

    O capitão da seleção acabou com qualquer pretensão japonesa em Brasília: com desarmes precisos e muita raça, foi o dono da defesa

  • O coringa Paulinho

    Foi muito mais um meia do que um volante no jogo deste sábado. Quando foi necessário, ajudou Luiz Gustavo na marcação; no resto do tempo, atacou

» Confira os números de todos os jogadores

Na volta para o segundo tempo, o Brasil repetiu o roteiro da etapa inicial: logo aos 2 minutos, antes mesmo que os japoneses esboçassem uma reação, a seleção voltou a marcar e a ganhar ainda mais tranquilidade para o resto da partida. Depois de um cruzamento de Daniel Alves a partir da direita, a zaga falhou e Paulinho, perto da marca do pênalti, ajeitou e bateu seco. Kawashima chegou a tocar na bola, mas ela passou sob seu corpo e aumentou a vantagem brasileira. Também numa repetição do primeiro tempo, o jogo morno e moroso do time da casa depois do gol despertou queixas do torcedor, que passou a pedir a entrada de Lucas, uma constante desde os amistosos de preparação para o torneio, contra Inglaterra e França. Mais uma vez, a cobrança do torcedor, fosse justa ou não, ajudou a esquentar a partida. E ela contribuiu, também, para acordar Neymar, que teve momentos discretos no jogo mas mostrou lampejos de incrível técnica e criatividade, numa de suas melhores partidas pela seleção brasileira até hoje. E o craque, que vinha sendo contestado por parte da torcida em suas últimas aparições pela seleção no país, teve sua importância reconhecida pelo público, que gritou seu nome em coro. Reclamando de dores nas costas depois de uma queda no gramado, Neymar deu lugar a Lucas aos 28 minutos. Logo em seguida, Hulk deu lugar a Hernanes. Fred também foi substituído – Jô ganhou alguns minutos para mostrar serviço. Com o jogo totalmente sob controle, o Brasil se limitou a cadenciar a partida e preservar o bom resultado, mas num contra-ataque puxado por Oscar, já nos acréscimos, Jô completou com facilidade e fechou o placar.

Acompanhe VEJA Esporte no Facebook

Siga VEJA Esporte no Twitter

Dilma irritada – A primeira grande vaia da Copa das Confederações não foi motivada por um chute bisonho ou uma falta violenta. A torcida presente ao Estádio Nacional de Brasília se uniu em coro para provocar a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Sentados na tribuna, eles apareceram nos telões do estádio quando as delegações de Brasil e Japão já estavam perfiladas no gramado. Com o microfone em mãos, Blatter, que já estava na mira do torcedor, começou a discursar em português. Enquanto isso, Dilma não conseguia esconder sua insatisfação. Quando Blatter anunciou a presidente, a vaia ficou ainda mais alta. Os dois trocaram um olhar de decepção e Blatter voltou a falar, reclamando do comportamento do torcedor brasileiro: “Amigos do futebol, onde está o respeito, onde está o fair play?”, perguntou. Foi o que faltava para a provocação às autoridades ficar ainda mais barulhenta. Dilma, claramente irritada, se apressou a ler a frase que estava em seu roteiro, declarando aberta a Copa das Confederações no Brasil. A torcida só voltou a vibrar ao voltar sua atenção para a equipe do técnico Luiz Felipe Scolari. Se havia algum temor em relação a uma possível hostilidade contra os jogadores, ele logo desapareceu: a torcida aplaudiu muito a equipe nos minutos que antecederam o início do jogo.

Continua após a publicidade

Continua após a publicidade

As chaves do jogo

  • Posse de bola

    O Brasil controlou a bola durante 63% do tempo, permitindo que o time ditasse o ritmo da partida e reduzindo o risco de jogadas perigosas do Japão

  • Cruzamentos

    Nenhum gol foi de cabeça, mas as bolas alçadas sobre a área culminaram nos dois primeiros gols do jogo. Foram vinte cruzamentos ao longo do duelo

  • Desarmes

    Os atletas brasileiros tentaram 22 desarmes, com grau de acerto de 81%. As roubadas de bola no meio permitiram que o time criasse boas chances

» Confira todas as estatísticas da partida

A partida foi precedida de uma breve cerimônia de abertura do torneio. Com menos de meia hora de duração, a festa foi simples e previsível, mas agradou à torcida – que aplaudiu bastante as coreografias formadas no campo com adereços brancos e verdes, montando expressões como “bem vindos” e “Brasil 2013”, em português e inglês. Em seguida, um grupo de baianas e outros dançarinos vestidos com trajes típicos do Brasil se espalharam pelo gramado, cercando uma representação do mapa do país. A parte final da cerimônia contou com a participação de dezenas de voluntários que representavam cada seleção inscrita no torneio. Trajados com roupas tradiconais de Uruguai, Espanha, Itália, Taiti, México, Japão e Nigéria, eles prestaram homenagem aos convidados da festa. O clima leve e tranquilo dentro do estádio nos momentos que antecederam o jogo contrastaram com a tensão sentida nos arredores do palco da abertura no início da tarde. Uma manifestação contra a corrupção e o uso de verbas públicas nas caríssimas obras do Mundial de 2014 provocou tumulto no Eixo Monumental, perto da entrada principal da arena. No começo, a polícia evitou o confronto com os manifestantes; mais perto do jogo, os agentes de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Protesto – Apesar de assustados, os torcedores que tinham ingressos chegaram sem grandes sobressaltos ao estádio. Quem ainda não havia retirado sua entrada nos postos da Fifa precisou enfrentar longas filas para conseguir seu bilhete. A organização do evento tanto dentro como fora da arena, porém, seguiu o padrão usual da Fifa, com presença maciça de voluntários, orientadores e seguranças para atender ao torcedor. Barracas montadas pelos patrocinadores da Fifa distraíam quem decidiu chegar cedo ao estádio – como ele tem boa localização, bem próxima dos setores hoteleiros de Brasília, nem mesmo as restrições ao tráfego de veículos nos arredores foi um problema. Boa parte do público veio a pé. Na parte interna, enquanto a partida não começava, os torcedores tiveram de enfrentar longas filas nos bares e lanchonetes, que vendiam um cachorro quente pequeno por 8 reais, saquinho de batatas fritas por 7 reais e garrafas d’água ou refrigerantes por 6 reais. Os preços não foram a única queixa: antes mesmo da partida começar, o estoque de vários itens nas lanchonetes foi esvaziado, deixando muitos torcedores sem alternativas para matar a fome. Mesmo com eventuais percalços e decepções, o torcedor, no geral, parece ter aprovado a experiência de ver um evento de padrão Fifa em sua cidade.

Leia também:

Protesto chega aos arredores do estádio antes da abertura

Em imagens e números, os protagonistas da festa no Brasil

Continua após a publicidade

Continua após a publicidade

Publicidade