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Nenê, do rico PSG: enfim, a estreia na Liga dos Campeões

O atacante brasileiro já era o destaque do clube francês antes das contratações bombásticas. Agora ele luta para manter espaço no time - e sonha com seleção

“Estamos muito concentrados. A ansiedade é grande. Fazia tempo que o Paris Saint-Germain não disputava o torneio, e isso é uma motivação a mais. Também estou entusiasmado porque será a primeira vez que jogo a Liga dos Campeões”, diz o atacante

Anderson Luiz de Carvalho estava no Santos quando confirmou sua transferência para o Mallorca, da Espanha, em 2003 – ano em que a equipe brasileira foi vice-campeão do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. Mais conhecido como Nenê, o atacante canhoto de 31 anos está no Paris Saint-Germain, da França, desde 2010. Foi artilheiro do time na última temporada, com 21 gols. Nesta terça-feira, Nenê entrará em campo para enfrentar o Dínamo de Kiev (Rússia) e fazer sua estreia na Liga dos Campeões. Sua situação no clube, porém, mudou muito, e de forma bastante repentina: de destaque da equipe, passou a coadjuvante de luxo, já que o PSG trouxe grandes estrelas para reforçar seu elenco para a competição de clubes mais importante do planeta. Ainda assim, Nenê se diz ansioso pela chance de jogar a Liga dos Campeões – e confia em sua capacidade para seguir conseguindo espaço no time, em que ainda é ídolo, apesar da forte concorrência.

O PSG está no grupo A, ao lado de Dínamo de Kiev (Ucrânia), Dínamo Zagreb (Croácia) e Porto (Portugal) – ou seja, tem chances reais de conseguir uma vaga nas oitavas de final (os dois melhores de cada chave avançam). O clube francês tem o brasileiro Leonardo como diretor e, graças a uma montanha de dinheiro vinda do mundo árabe, fez algumas das contratações mais ambiciosas deste início de temporada: Ibrahimovic, Thiago Silva, Lavezzi e Lucas reforçam um grupo que já tinha nomes como Pastore, Thiago Motta, Maxwell e Lugano. Apesar da boa adaptação ao futebol francês, Nenê sabe que um possível retorno ao futebol brasileiro pode ajudar em uma convocação para a seleção. Ele chegou a acertar a transferência com o Corinthians, mas o PSG não o liberou para voltar ao Brasil. A seguir, a entrevista que Nenê concedeu ao site de VEJA na véspera de estrear pela Liga dos Campeões, em Paris: Como é a experiência de jogar na França? Gosto de morar aqui, o nível do campeonato nacional está melhorando. Os times estão com outra mentalidade em relação à parte tática. Antes era tudo mais físico. As equipes estão procurando jogar um futebol mais bonito, contratando jogadores mais técnicos. E a torcida do Paris Saint-Germain é incrível, ela sempre lota o estádio. Não é como no Brasil, mas os torcedores daqui também são fanáticos. O PSG contratou jogadores de peso para esta temporada. O que mudou na equipe? O Leonardo está trabalhando para montar um grupo vencedor, com o pensamento de conquistar títulos. A pressão está maior na relação com a imprensa, o time está mais visado pelos seus adversários, mas isso é normal. Como é sua relação com o Leonardo? Não o conhecia pessoalmente antes de ele chegar ao Paris Saint-Germain. O Leonardo é extremamente profissional. Está trabalhando para ajudar o clube a ser vencedor. É muito inteligente e fez as contratações certas para deixar o time competitivo. Quais seus hobbies quando não está em campo? Gosto de viajar e de jogar tênis. Na Europa é muito fácil viajar para conhecer outros lugares, pois tudo é muito perto. E acompanho vários esportes além do futebol. Quando jogava no Monaco, fiquei amigo do Felipe Massa, sempre assisto a Fórmula 1. A gente já passa quase o dia inteiro pensando em futebol. Quando estou de folga, procuro fazer coisas diferentes para quebrar a rotina. Está ansioso para estrear na Liga dos Campeões? Estamos muito concentrados. A ansiedade é grande. Fazia tempo que o Paris Saint-Germain não disputava o torneio, e isso é uma motivação a mais. Também estou entusiasmado porque será a primeira vez que jogo a Liga dos Campeões. É verdade que houve propostas do Corinthians e do Milan? As ofertas aconteceram, mas o Paris Saint-Germain não liberou. Eu tinha acertado com o Corinthians, mas não fechamos o negócio. Hoje, preciso pensar apenas no PSG, mas a negociação pode acontecer no futuro. Ainda tenho um ano de contrato aqui na França. Jogar no Brasil daria maior visibilidade para eu conseguir voltar à seleção brasileira. Os franceses sabem quem é o Lucas, que só chegará ao PSG em janeiro? Alguns já o conhecem, mas nem todos têm consciência da qualidade do seu futebol. O Lucas é um jogador excepcional, tem muita força e qualidade. Ele precisa continuar fazendo o que vem fazendo no São Paulo, sendo sempre ser um jogador ofensivo. A única coisa que vai dificultar para ele é que estará bem frio quando ele chegar na França…