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NBA no Rio: anfitrião da festa, o carismático Varejão brilha

Há dez anos no Cleveland, pivô brasileiro que construiu uma carreira sólida nos EUA atrai admiração da torcida e será um dos destaques do jogo deste sábado

“A festa é do Andy”, afirmou LeBron James sobre quem seria o protagonista do evento. Ele e Varejão são amigos desde 2004

O pivô brasileiro Anderson Varejão é um dos atletas brasileiros mais bem-sucedidos no exterior: há dez anos no Cleveland Cavaliers, ele conquistou seu espaço na elite do basquete mundial, construindo uma carreira sólida numa liga profissional conhecida pelo altíssimo nível de disputa. Nesta semana, o capixaba de Colatina retornou ao país para viver uma semana especial: ao lado do astro LeBron James, de quem é amigo de longa data, Varejão será uma das principais atrações da grandiosa segunda edição do NBA Global Games no Rio de Janeiro, entre Cavaliers e Miami Heat, neste sábado, às 18 horas (de Brasília), na HSBC Arena, na Barra da Tijuca. Além de seu incontestável talento – não é um craque, mas consegue brigar entre os gigantes da NBA -, o jogador da inconfundível cabeleira cacheada chama atenção também por seu enorme carisma. Mesmo com a presença de astros como LeBron, Dwayne Wade e Chris Bosh na cidade, Varejão foi uma das grandes atrações da passagem da NBA pelo Brasil.

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Nos últimos três dias, o pivô de 32 anos se dividiu entre as funções de embaixador da NBA no Brasil, guia turístico dos companheiros de Cavaliers e, claro, jogador de uma das equipes que despontam como favoritas a vencer a liga. “É muito especial. Saí do Brasil com 19 anos e nunca imaginei poder disputar um jogo desses em meu país”, afirmou ele na sexta, último dia treinamentos no ginásio do Flamengo, seu clube do coração. A presença de Varejão era uma exigência da equipe da NBA no Brasil para que a segunda edição do evento fosse realizada. Depois de uma experiência desagradável com Nenê Hilário no ano passado – por causa dos pedidos de dispensa do pivô à seleção, o atleta paulista foi hostilizado durante a derrota de sua equipe, o Washington Wizards, para o Chicago Bulls, por 83 a 31 – o jogo precisaria de uma estrela mais identificada com o público.

Sempre sorridente, Varejão tem recebido muito carinho dos cariocas nos últimos dias. Ele levou os atletas do Cavaliers para conhecer os principais pontos turísticos da cidade e provou ser um dos jogadores mais queridos por todos os membros da equipe. Até o melhor jogador do planeta se rendeu há tempos à simpatia do brasileiro. “A festa é do Andy”, afirmou LeBron James sobre quem seria o protagonista do evento. O astro da liga citou a amizade com Varejão, iniciada em 2004, como um dos motivos que o levaram a voltar a Cleveland. Engana-se, porém, quem pensa que Varejão tem lugar na equipe apenas por causa de seu jeito extrovertido. “Ele não está aqui por ser um cara legal, mas sim porque é um grande jogador”, afirmou o técnico dos Cavaliers, David Blatt. Jogador de muita força física, Varejão se destaca por pegar muitos rebotes, além de sempre marcar seus pontinhos. Até mesmo os adversários já tratam Varejão como uma referência do esporte. “O povo brasileiro vem demonstrando muita paixão pelo basquete e certamente está curtindo ter o Andy por aqui”, afirmou Chris Bosh, uma das estrelas do Heat.

Anderson Varejão iniciou a carreira no time de Franca, no interior paulista, e passou pelo Barcelona, da Espanha, onde amadureceu o suficiente para estrear na NBA aos 22 anos. Apelidado pela imprensa americana de Wild Thing (“coisa selvagem”, em inglês), ele jamais conquistou um título da liga (bateu na trave em 2007) e nunca foi lembrado para o Jogo das Estrelas. Prejudicado por uma sequência de lesões, ele nunca conseguiu se firmar como titular absoluto. Mesmo assim, o pivô brasileiro tem status de ídolo no estado de Ohio, sobretudo entre as crianças – a peruca que imita os cachos do brasileiro é um sucesso na Quickens Loans Arena há vários anos. Pela seleção brasileira, Anderson também tem uma trajetória vitoriosa. Ele estreou na equipe aos 19 anos, quando ainda era conhecido como o irmão caçula de Sandro Varejão, que também integrava a equipe.

Ao lado de Leandrinho Barbosa, Nenê, Thiago Splitter e Marcelinho Huertas, foi um dos responsáveis pela recuperação da seleção brasileira no cenário internacional. Depois de dezesseis anos de ausência, o Brasil voltou a disputar uma Olimpíada em Londres-2012, em que terminou com uma honrosa quinta colocação. No Mundial deste ano, ele foi um dos destaques do time, que foi eliminado nas quartas de final pela Sérvia. Antes, Varejão conquistou os títulos da Copa América, do Pan-Americano e do Sul-Americano pela equipe nacional. Aos 32 anos, ele nem pensa em aposentadoria. “Vivo o melhor momento da minha carreira”, afirmou o atleta, que admite que os Cavaliers iniciam a temporada como um forte candidato ao título. Neste sábado, ele deverá ganhar uma recepção digna de um ídolo nacional na segunda edição do NBA Global Games, que teve todos os seus 14.000 ingressos esgotados rapidamente. Daqui a menos de dois anos, Varejão retornará ao Rio para tentar conquistar o maior sonho de sua vida: uma medalha olímpica.