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Natação: boas chances de medalha para o Brasil em 2016

Cesar Cielo, Thiago Pereira e Bruno Fratus são fortes candidatos a pódio no Rio

Por Luiz Felipe Castro - 28 abr 2014, 10h41

“Treinamos para as competições atuais, mas pensando na frente. Acho que ainda dá tempo, há muitos atletas novos sendo revelados no mundo e faço parte dessa geração”, diz Matheus Santana, 18 anos

Responsável por treze medalhas olímpicas na história, a natação brasileira teve motivos para comemorar ao final do Troféu Maria Lenk, no último sábado. De volta a São Paulo, o campeonato mais renomado do país atraiu estrelas nacionais e estrangeiras e confirmou algumas expectativas. Medalhistas em Londres, Cesar Cielo e Thiago Pereira seguem em boa forma e têm chances reais de brilhar nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016 – assim como Bruno Fratus, que se consolidou como um dos principais velocistas da atualidade. Entre os mais novos, Marcelo Chierighini e Matheus Santana voltaram a apresentar bons resultados e sonham subir no pódio olímpico. Entre as mulheres, Graciele Hermann e Etiene Medeiros se juntaram às mais experientes Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha, da maratona, como as principais esperanças de medalha – o Brasil jamais conquistou medalha na natação feminina em Olimpíada.

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Entre nadadores e treinadores, mais importante do que ganhar medalhas em casa é projetar um futuro de ouro nas olimpíadas seguintes. Thiago Pereira, prata em Londres-2012, acredita que sediar os Jogos trará benefícios. “Tenho certeza que essa Olimpíada vai ser importante por trazer mais para nossa realidade um evento desse tamanho. Pela TV, não dá para ter noção do que representa uma Olimpíada. Nossos Jogos não acabam em 2016, porque quem não conseguir agora terá chance em 2020, 2024. Vejo um futuro promissor.”

Dobradinha – Em todas as suas entrevistas, Cesar Cielo e Bruno Fratus disseram estar orgulhosos com suas marcas nos 50 m livre. “Somos os dois mais rápidos do mundo e precisamos trabalhar juntos”, disse Fratus. “Ainda é muito cedo. Há muitos atletas bons no exterior. Na verdade, cada um tem de focar no seu tempo, mas se acontecesse uma dobradinha nossa, seria uma grande festa”, completou Cielo. Assim como fez o campeão olímpico em Pequim, Fratus treina atualmente na Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, com o australiano Brett Hawke – mentor de Cielo em seu início de carreira. Satisfeito com sua evolução, Fratus nem pensa em voltar a treinar no Brasil. “Estou muito mais rápido. Ganhei em qualidade de vida e estou me sentindo muito bem em Auburn. Tive ótima adaptação e me dou bem com todos. Pretendo continuar lá.”

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Revelações – Se Cielo, Fratus e Thiago têm boas chances de medalha, outros jovens talentos apenas sonham. Entre os homens, Matheus Santana, de 18 anos, já se tornou a sensação da natação brasileira ao se aproximar das marcas de Cielo nas provas de 50 m e 100 m livre. Carioca, deixou o Rio e defende a Unisanta, de Santos, e está na seleção brasileira adulta. Apesar da idade e da concorrência com Fratus e Cielo, Matheus diz ter chances de evoluir e representar bem o Brasil no Rio: “Treinamos para as competições atuais, mas pensando na frente. Acho que ainda dá tempo, há muitos atletas novos sendo revelados no mundo e faço parte dessa geração.” Ele recebeu muitos elogios e foi apontado por Thiago Pereira como o futuro da natação do país.

O Brasil deve estar bem servido na prova dos 100 m livre nos próximos anos. Além de Matheus Santana, os treinadores apostam altas fichas no paulista Marcelo Chierighini. O sexto lugar no Mundial de Barcelona em 2013 mostrou a incrível evolução do atleta de 23 anos, que também recebe cuidados especiais de Brett Hawk, em Auburn, desde 2011. Chierighini revelou que em 2016 vai brigar com Thiago Pereira por uma vaga. “Vou seguir no medley, com foco principal nos 400 m. Penso em 2016 a cada treino, quero muito estar lá e vou conseguir. Quero melhorar cada vez mais tecnicamente e alcançar esse objetivo.” Entre as mulheres, os destaques foram Graciele Hermann, nos 50 m livre, e Etiene Medeiros, nos 50 m costas. Graciele é gaúcha, tem 22 anos e levou a prata com o ótimo tempo de 24s79 no Ibirapuera – foi apontada por Fabíola Molina, uma das maiores nadadoras da história do país, como candidata à medalha em 2016. A pernambucana Etiene Medeiros também brilhou nas provas de nado costas e admtiu sonhar alto com o Rio: “O brasileiro é muito ambicioso e eu também sou. Penso em medalha ou pelo menos em estar na final em 2016.”

Joanna Maranhão, aposentada, aponta falhas e irregularidades

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A pernambucana Joanna Maranhão, maior revelação da natação feminina na década passada, chocou os fãs da modalidade ao anunciar sua aposentadoria, aos 26 anos, no fim de 2013. Com a propriedade de quem alcançou uma final olímpica aos 17 anos, em Atenas-2004, Joanna não vê uma evolução no cenário atual. “A situação está bem parecida com a do tempo em que eu nadava, a esperança de medalha sempre recai sobre os homens. Não consigo enxergar um crescimento geral, tudo é voltado em um ou dois nomes, e em comparação ao resto do mundo ficamos na mesma na mesma. É a política utilizada, não deve mudar. Ter um uma estrela como Cielo, Fratus, ou Graciele não quer dizer que a natação esteja evoluindo como um todo. É o investimento de um clube e da confederação em uma pessoa.”

Joanna não esconde sua mágoa com a Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos. “Vejo o esporte de uma forma diferente. Ganhar a medalha não é muito difícil quando se tem dinheiro, estrutura e os contatos corretos para chegar na confederação. Já fiz isso, já fui a bola da vez. Mas quando compreendi que a atenção era voltada somente para mim, discordei, achei que não era correto só eu usufruir. A classe é desunida, tanto a dos atletas quanto a dos técnicos. A mentalidade clubística favorece a desunião e não olhamos os modelos de sucesso, infelizmente.”

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