Nascido na Inglaterra, Haaland cogitou defender a seleção do país natal?
Artilheiro norueguês nasceu em Leeds quando o pai jogava pelo clube da cidade inglesa
A principal dor de cabeça do torcedor inglês neste sábado, 11, tem longos cabelos loiros, 1,95m de altura, números avassaladores e até uma música de sucesso nas paradas norueguesas. Inglaterra e Noruega se enfrentam às 18h (horário de Brasília) nas quartas de final da Copa do Mundo, e os inventores do futebol estão de olho no centroavante adversário à frente da melhor campanha do país nórdico em Mundiais. Mas um detalhe desse confronto quase colocou o artilheiro norueguês do outro lado da história: na sua certidão de nascimento, está a cidade inglesa de Leeds.
Sim, Erling Haaland nasceu na Inglaterra. Em 21 de julho de 2000, Gry Marita Braut, a ex-atleta de heptatlo, deu à luz ao filho que se tornaria o maior artilheiro da história da Noruega, em pleno condado inglês de West Yorkshire.
As circunstâncias são típicas de uma família entrelaçada ao futebol internacional. Nesta época, Alfie Haaland, pai de Erling, jogava no Leeds, clube homônimo da cidade. No mesmo ano, foi vendido ao Manchester City, clube que seu filho defende atualmente.
Por três anos de sua vida, Erling morou na Inglaterra. Seus pais faziam questão de promover as suas origens, mesmo longe de casa, então conversavam em inglês durante o dia, e norueguês durante à noite.
Haaland pai se aposentou em 2003 motivado por lesões e a família voltou ao país nórdico, à cidade de Bryne, onde a realidade do pequeno Haaland ganhou assumiu por completo as cores norueguesas.
“Quando você tem três ou quatro anos e está acostumado a falar inglês durante o dia, mas norueguês à noite, e então volta para casa, para a Noruega, tudo passa a girar em torno da língua norueguesa”, disse, em entrevista ao The Athletic, Alf Ingve Berntsen, técnico de Haaland filho em um clube local de Bryne. “Você está na pré-escola e, depois, na escola. Seria diferente se ele tivesse voltado para a Noruega aos sete ou oito anos. Ele seria mais inglês.”
O próprio jogador disse em entrevista ao goal.com que se tivesse passado mais tempo em terras inglesas a história poderia ser diferente: “Eu vivi aqui (no Reino Unido) por três anos e meio, quase quatro, e vivi na Noruega por muito mais tempo, então foi natural escolher a Noruega”, disse. “Nunca se sabe como teria sido se, talvez, meu pai tivesse jogado por mais tempo na Inglaterra ou algo assim. Talvez eu fosse inglês, não sei. Mas sou norueguês e tenho orgulho disso.”
Distante do sonho inglês de ver Haaland e Kane no mesmo time, a realidade foi desde cedo nas categorias de base da seleção norueguesa. O lado inglês não tentou recrutá-lo ainda jovem. Ao The Athletic, um ex-técnico das categorias de base da Inglaterra reconheceu: “Nós nunca iríamos conseguir que ele jogasse por nós. Isso simplesmente não ia acontecer. A Noruega era a seleção pela qual o pai dele havia jogado, e era isso que ele queria.”
Outra fonte anônima da Federação Inglesa, a Football Association (FA), admitiu que o jogador entrou no radar apenas aos 17 anos de idade. Dois anos depois, ele estreou pela seleção profissional da Noruega, impedindo que ele defendesse outra equipe nacional em torneios oficiais, e o resto é história.
Aos 25 anos, Erling Haaland é o maior artilheiro do futebol norueguês com mais gols do que jogos disputados pela seleção, são 62 marcados em 54 partidas. Ao lado dos companheiros, classificou a Noruega para uma Copa do Mundo pela primeira vez em 28 anos. A última participação do país no Mundial tinha sido em 1998, com seu pai no elenco. O retorno histórico já se tornou a melhor campanha do país no torneio, com a classificação inédita para as quartas de final.
O próximo capítulo desta história se desenrola na tarde deste sábado, 11, em que o jogador que vestia camisas do Leeds quando jogava bola com os amigos em Bryne, que defende um clube inglês e carrega o país inventor do futebol na certidão de nascimento, será a principal ameaça à Inglaterra e o sonho do bicampeonato.
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