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Na reta final, a seleção que chegou pronta terá de mudar

Antes da Copa do Mundo, o Brasil foi a equipe que enfrentou menos obstáculos e contratempos: nenhuma outra seleção chegou às vésperas da estreia numa situação tão favorável, sem perder jogadores por contusão, sem dúvidas em sua formação titular e sem precisar correr contra o tempo para entrosar a equipe. Afinal, o técnico Luiz Felipe Scolari apostava todas as suas fichas na manutenção do time campeão da Copa das Confederações, no ano passado. A seleção, porém, não funcionou tão bem quanto em 2013 – e entrou na fase eliminatória com a primeira mudança no time, Fernandinho no lugar de Paulinho. Depois de melhorar o rendimento da seleção contra Camarões, o atleta do Manchester City não teve o impacto esperado no jogo contra o Chile. Os números do jogo dentro do banco de dados da Opta, líder mundial no registro detalhado dos grandes jogos do futebol internacional, mostram que o Brasil teve menos tempo de posse de bola que o adversário (48% contra 52%) e uma precisão menor nos passes (73% contra 76% do oponente). A seleção teve também uma porcentagem menor de desarmes efetivos (só roubou a bola em 67% das tentativas, contra 76% dos chilenos), fez menos cortes de bola (43 contra 45) e cometeu mais faltas (28 contra 23).

Depois da tentativa com Fernandinho, o Brasil inicia a semana (com a retomada dos treinos na Granja Comary, nesta segunda-feira, depois de uma folga geral no domingo) com mais uma mudança já garantida: suspenso com dois cartões amarelos, Luiz Gustavo, considerado o ponto de equilíbrio do time, será desfalque para o confronto de quartas de final contra a ótima Colômbia, na sexta-feira, em Fortaleza. Marcador implacável, ágil e discreto, Luiz Gustavo seria o atleta ideal para deter o camisa 10 colombiano, James Rodriguez, um dos craques do Mundial. Na sua ausência, Felipão pode recuar Fernandinho (convocado, entre outros motivos, por jogar como primeiro ou segundo volante), abrindo caminho para o retorno de Paulinho (ou para uma tentativa com Ramires ou Hernanes). Outra opção é adiantar David Luiz ou Henrique, zagueiros que estão acostumados a atuar na cabeça de área. Se David Luiz for o escolhido para preencher essa vaga no meio, Dante entra na zaga. Também é preciso aguardar a reavaliação de Neymar (que saiu machucado do jogo de sábado, mas não deve ser desfalque contra a Colômbia) e ver se Felipão pensa em fazer mais alguma alteração no setor ofensivo (contra o Chile, Fred deu lugar a Jô, que também não resolveu). A única certeza é que a seleção que chegou à Copa mais pronta entra na reta final do torneio com dúvidas a solucionar.

(Giancarlo Lepiani, de Brasília)

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