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Na garra e com gol no fim, Uruguai vence Itália e avança

Zagueiro Godín dá classificação à Celeste, que mantém vivo o sonho do tri

No intervalo, Cesare Prandelli decidiu sacar Balotelli, com medo de o temperamental atacante receber um segundo cartão. No entanto, quem deixou a Itália na mão foi, ironicamente, um de seus atletas mais discretos.

O jogo entre Itália e Uruguai, na Arena das Dunas, em Natal, valia mais que uma vaga às oitavas de final. Para a equipe do maestro Andrea Pirlo, ser eliminado na primeira fase da Copa pela segunda vez consecutiva representaria um vexame histórico. Já para os conterrâneos do artilheiro Luis Suárez, dar adeus ao sonho de uma reedição do Maracanazo de 1950, depois de apenas três partidas, representaria uma enorme decepção (ainda mais, ao levar em conta que a Costa Rica avançou neste grupo). Como era de se esperar, o clássico envolvendo seis títulos mundiais teve emoção, disputas duras e lances controversos. Melhor para a Celeste, que jogou a segunda etapa com um jogador a mais e venceu por 1 a 0, com um gol no fim de Diego Godín, e com sua tradicional ‘garra charrua’. A vitória suada garantiu aos uruguaios o segundo lugar no Grupo D, que terminou com a liderança da surpreendente Costa Rica. A italianos e ingleses, apontados anteriormente como favoritos do grupo, não restou nada a não ser arrumar as malas e assistir à Copa do Brasil pela TV.

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Pirlo era o responsável por criar as principais jogadas da Itália, que jogava por um empate, mas o meia só teve uma participação de destaque na primeira etapa. Aos 11 minutos, ele mostrou seu cartão de visitas a Fernando Muslera em cobrança de falta com efeito, mas o goleiro espalmou sem problemas. Outro destaque da equipe europeia, Mario Balotelli exagerou na força em entrada em Álvaro Pereira recebeu cartão amarelo que já o deixaria fora das oitavas de final. O Uruguai se aproveitou e passou a controlar o jogo, sobretudo em boas subidas de Nicolás Lodeiro e Cristian Rodríguez, pela esquerda. Aos 32, o Uruguai teve a chance mais clara da primeira etapa: Suárez tabelou com Lodeiro e recebeu em condições, mas Gianluigi Buffon interveio como nos velhos tempos. Na sobra do mesmo lance, Lodeiro tentou finalizar, mas o capitão italiano defendeu novamente.

No intervalo, o técnico italiano Cesare Prandelli decidiu sacar Balotelli, com medo de o temperamental atacante receber um segundo cartão. No entanto, quem deixou Prandelli e a Itália na mão foi, ironicamente, um de seus atletas mais discretos: aos 14 minutos, Claudio Marchisio adiantou uma bola e, na dividida, atingiu violentamente o joelho de Arévalo Rios e foi expulso. Depois de muito protestarem, os italianos tiveram que se desdobrar na marcação e Buffon se transformou no grande protagonista da partida. Aos 20 minutos, Suárez pegou sobra na área e bateu firme, de frente para o gol, mas o goleiro de 36 anos fez mais uma excelente defesa.

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O Uruguai abusou das bolas levantadas na área e o jogo ficou cada vez mais tenso: aos 35, Suárez se estranhou com o zagueiro Giorgio Chiellini. Sobraram braços e até uma cabeçada do uruguaio no lance. O italiano reclamou que teria sido mordido por Suárez. A discussão incendiou a equipe uruguaia, que chegou ao gol salvador aos 37 minutos. O zagueiro Diego Godín, destaque do Atlético de Madri nesta temporada, voltou a mostrar seu faro de gol e venceu Buffon, de cabeça. A Itália ainda buscou o gol que lhe daria a classificação, em nova cobrança de falta de Pirlo, mas a bola foi para fora. No último lance, Buffon foi para a área do Uruguai, mas a Itália desperdiçou o cruzamento e se despediu na primeira fase pela segunda vez consecutiva, fato que não ocorria desde 1966. Com a classificação, a seleção uruguaia irá enfrentar nas oitavas de final o primeiro colocado do grupo C (Colômbia e Costa do Marfim são as opções).

Consequências – Após a eliminação, o técnico Cesare Prandelli e o presidente da federação italiana de futebol, Giancarlo Abete, pediram demissão de seus cargos. “Confirmo a demissão. Considero justo, visto o fracasso do projeto técnico”, disse Prandelli em entrevista coletiva. Curiosamente, ele havia renovado seu contrato com a seleção italiana até 2016 pouco antes do início da Copa.