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Na final dos azarões, Bayern recebe o Chelsea em casa

Pela primeira vez na história da Liga dos Campeões, uma equipe decide a taça jogando em seu próprio campo. Desfalques também marcam jogo de Munique

O resultado das semis transformou a decisão num anticlímax para muitos seguidores do principal torneio interclubes do mundo

Na tarde de sexta-feira, véspera da partida mais importante de sua longa carreira, o técnico alemão Jupp Heynckes, de 67 anos, chegou para a entrevista coletiva oficial da final da Liga dos Campeões dirigindo seu próprio carro, um SUV Audi preto. Estacionou na vaga de costume, cumprimentou alguns funcionários e não precisou que ninguém mostrasse o caminho até à sala de imprensa. A cena ilustra a principal peculiaridade da decisão deste sábado, entre Bayern e Chelsea, às 15h45 (no horário de Brasília), na Allianz Arena, em Munique. Pela primeira vez desde que o torneio assumiu seu formato atual, como Liga dos Campeões – em 1993, com uma final realizada justamente em Munique, entre Milan e Olympique -, um time decide o título jogando em casa. Ainda assim – e apesar de já ter quatro títulos da competição, contra nenhum do Chelsea -, o Bayern rejeita o favoritismo. Afinal, dizem os alemães, o Chelsea foi o responsável por eliminar o Barcelona da competição.

O Bayern também contrariou as expectativas ao chegar a final, derrotando o Real Madrid nos pênaltis, fora de casa. E o resultado das semifinais transformou a decisão num anticlímax para muitos seguidores do principal torneio interclubes do mundo. No lugar de um aguardado Real x Barça, o jogo deste sábado coloca frente a frente equipes que não só não figuravam entre as favoritas ao título como também amargam uma temporada difícil. O Bayern conseguiu o grande objetivo do ano, que era estar na decisão na Allianz Arena. Mas perdeu tanto o título nacional como a Copa da Alemanha para o rival Borussia. O Chelsea conquistou a Copa da Inglaterra, mas foi muito mal no campeonato nacional e nem ficou na faixa de classificação para a Liga dos Campeões. Arrancou uma vaga na finalíssima sob o comando de um treinador interino, Roberto Di Matteo, que substituiu o português André Villas-Boas em março. “Tem sido um ano louco”, resume o zagueiro Cahill, que deve formar a zaga titular do Chelsea com o brasileiro David Luiz.

A montagem da equipe titular do Chelsea, aliás, chama atenção para outra característica inusitada da final: num jogo em que já havia menos craques do que se esperava – a expectativa geral era para um duelo entre Messi e Cristiano Ronaldo -, as equipes finalistas entram em campo muito desfalcadas, por causa de suspensões sofridas na semifinal. O Bayern tenta seu quinto título sem o zagueiro Badstuber, o lateral direito Alaba e o volante brasileiro Luiz Gustavo. O Chelsea joga sem seu capitão, John Terry, e amarga ainda as ausências de Raul Meireles, Ivanovic e Ramires. Com a ausência do meia, que marcou um gol decisivo na semifinal contra o Barcelona, o número de brasileiros na final é de apenas dois (além de David Luiz, o lateral Rafinha deve ir para o jogo). Por causa da tradicional rivalidade entre os alemães e ingleses, a final será acompanhada por um enorme contingente de policiais. Antes do jogo, contudo, a relação entre os anfitriões e os visitantes parecia relativamente pacífica: nas famosas cervejarias de Munique – como a Hofbräuhaus, com séculos de história e palco da primeira reunião do partido nazista, em 1920 -, torcedores com camisas do Bayern e do Chelsea conviviam sem grandes problemas na noite que antecede o jogo mais aguardado da história de seus clubes.