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Na abertura dos jogos, uma nova velha Rússia

O país pode ter mudado nos últimos anos, mas algumas coisas continuam as mesmas na terra de Vladimir Putin, o czar russo pós-modernista. Nem o discurso do presidente do comitê organizador de Sochi 2014, Dimitry Chernyshenko, abrindo as portas “para quebrar os estereótipos e revelar uma nova Rússia ao mundo”, convenceu. A cerimônia de abertura teve relances da velha União Soviética, a começar pela apresentação de um coral formado por militares, que entoou o hit vencedor do Grammy Get Lucky, da dupla francesa de DJs Daft Punk.

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Outro flashback foi a releitura de uma marca dos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980. Centenas de figurantes vestidos com coletes iluminados em azul, vermelho e branco coreografaram o tremular da bandeira nacional. Uma cena muito parecida com a dos anos 80: o mosaico que formava nas arquibancadas entre outras imagens a lágrima ursinho Misha, mascote da Olimpíada soviética.

Grandes obras arquitetônicas e personagens da Rússia foram lembrados: a Catedral de São Basílio, e suas cúpulas de estilo oriental que atraem o olhar como ímã de quem passa pela Praça Vermelha, em Moscou; o czar Pedro, o Grande, que expandiu as fronteiras do império russo no século XVII; o livro Guerra e Paz, de Leon Tolstoi, cujos personagens centrais ganharam vida na representação de um grande baile imperial. E o tradicional balé Lago dos Cisnes, de Tchaikovisky, recebeu uma roupagem futurista, com franjas de LED por cima das cabeças das bailarinas.

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Desfile – A pequena delegação brasileira foi uma das mais aplaudidas pelo público predominantemente russo, da mesma forma como fizeram sucesso as equipes britânica, alemã, francesa e jamaicana. Os vizinhos ucranianos e bielorrussos também foram ovacionados.

O maior destaque musical da noite foi a reaparição do grupo feminino t.A.T.u., sucesso no início da década passada. A música Not Gonna Get Us foi o tema escolhido para a entrada da delegação russa, a última a dar a sua meia-volta olímpica (os organizadores quiseram acelerar a entrada das 97 delegações e encurtaram o caminho gelado dos atletas).

Fogos e mais fogos – Guardado em segredo, o acendimento da pira olímpica homenageou os grandes medalhistas olímpicos da Rússia. Os mais recentes (e mais conhecidos) foram duas musas do esporte: a tenista Maria Sharapova, medalhista de prata nos Jogos de Londres-2012, e Yelena Isinbayeva, bicampeã olímpica no salto com vara. O ex-jogador de hóquei sobre o gelo Vladislav Tretyak e a ex-ginasta Alina Kabaeva foram os responsáveis por levar a tocha até a pira, que desencadeou uma queima de fogos ensurdecedora e longa.