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Muricy critica CBF e brinca que pode ter de substituir Kaká

No retorno à função, o técnico lamentou a desorganização do futebol brasileiro

Por Da Redação 9 out 2014, 12h09

“Não tem ninguém para escalar. Eu estava na concentração e liguei a televisão para ver jogos dos times europeus, mas não tinha nenhum. É porque lá eles param os torneios nas datas Fifa. Só aqui no Brasil é assim.”

O São Paulo é um dos clubes mais ricos do país, com estrutura invejável e alguns dos principais craques do futebol brasileiro em seu elenco. Graças à CBF, porém, a equipe tem encarado algumas rodadas decisivas do Campeonato Brasileiro sob condições precárias, que deixam o time muito mais fragilizado do que deveria – principalmente diante do enorme investimento exigido para manter uma equipe de ponta. Depois de passar pouco mais de uma semana afastado da função, o técnico Muricy Ramalho voltou a comandar seu time na noite de quarta-feira – e, apesar da vitória sobre o Atlético-PR, ele saiu do Morumbi mostrando desânimo em relação à situação dos clubes brasileiros. O treinador de 58 anos, que ficou internado na UTI por causa de uma arritmia cardíaca, brincou até com a possibilidade de substituir Kaká, que está na seleção brasileira. “Como o médico falou que agora meu coração está bom, pode ser que eu jogue”, provocou Muricy, que foi um meia de talento no próprio São Paulo.

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Na partida de quarta, Muricy tinha nove desfalques. Para o jogo de domingo, contra o forte Atlético-MG, um concorrente direto por uma vaga na Libertadores de 2015, ele terá nada menos de dez baixas, mesmo contando com a volta do zagueiro Edson Silva e do lateral Reinaldo, que cumpriram suspensão no meio de semana. Algumas ausências são naturais do futebol, por contusão. Quatro desfalques, porém, são culpa da CBF, que segue irritando os grandes clubes ao realizar partidas nacionais simultâneas às datas Fifa. Kaká, Souza e o uruguaio Álvaro Pereira servem às seleções adultas. Ademilson está na seleção olímpica. Na quinta, Muricy ainda perdeu dois jogadores que poderiam suprir a falta de Kaká. Depois de uma falta corriqueira, Ganso levou o terceiro amarelo do árbitro Jaílson Macedo Freitas e está suspenso. Depois de ser expulso contra o Flamengo, Michel Bastos foi julgado no STJD e suspenso por três jogos – o tribunal tratou o lance que resultou no cartão vermelho, uma falta violenta, como uma agressão.

“Não tem ninguém para escalar”, resume Muricy. “Os caras estão se superando, mas contra o Atlético-MG é um confronto direto, será uma partida duríssima. O bom é que a gente acredita nos jogadores”, completou o técnico, que ainda não sabe que time colocará em campo em Belo Horizonte. Ele reclamou abertamente do calendário brasileiro, que não interrompe nem o Brasileirão nem a Copa do Brasil em datas Fifa – que são programadas com anos de antecedência. “Eu estava na concentração e liguei a televisão para ver jogos dos times europeus, mas não tinha nenhum. É porque lá eles param os torneios nas datas Fifa. Só aqui no Brasil é assim. Fico feliz por ver nossos jogadores nas seleções, mas atrapalha muito porque a competição não para. E não prejudica só o São Paulo. Todos perdem.” O clube paulista investiu pesado para formar um time com vários jogadores de nível de seleção – e salários caríssimos. Com Kaká, Ganso, Pato, Álvaro Pereira e Michel Bastos em campo, o São Paulo vinha liderando a média de público do Brasileirão, com quase 30.000 torcedores por jogo. No jogo de quarta, sem atrativos como a presença de Kaká, que vai embora no fim do ano, só 9.820 pessoas foram ao Morumbi.

(Com Estadão Conteúdo)

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