Mulheres e namoradas de jogadores, conhecidas como WAGs, faturam alto na Copa
Elas atraem multidões às redes se apresentando como influenciadoras de estilo
Dias antes de Neymar dar pela primeira vez o ar da graça na Copa, no jogo contra a Escócia, seu nome disparou nas redes por um assunto que nada tinha a ver com os gramados. Por iniciativa da mulher, Bruna Biancardi, ele se exibia brincando ao lado de três dos seus filhos, todos cobertos de tinta cor-de-rosa para anunciar que ela, mãe de Mavie, 2 anos, e Mel, 11 meses, estava grávida de uma menina outra vez. “Estou ferrado”, resumiu Neymar. Entre essa e outras mostras do dolce far niente da família na mansão alugada em Orlando para o Mundial, como takes de treinos e um ser ou não ser sobre o look com que desfilará na arquibancada, Bruna, que se apresenta como “influencer de estilo”, não apenas abre uma fresta para a vida privada em torno do camisa 10, como faz disso um vultoso ganha-pão. Cada publicidade, ou publi, em seu perfil, na casa dos 15 milhões de seguidores, rende estimados 775 000 reais, segundo um recente levantamento da Vantix Magazine, que dá contornos ao ultralucrativo business abraçado por outras mulheres e namoradas de jogadores — as WAGs, na sigla em inglês.
Não é de hoje que elas vêm crescendo e aparecendo diante de vastas plateias virtuais mundo afora, mas nunca haviam alcançado tão generosas cifras, fenômeno alavancado pela onipresença das redes. O vocábulo WAG ingressou no dicionário global das Copas em 2002, quando as partidas se revezaram entre Japão e Coreia do Sul. De todas as nacionalidades, elas já revelavam ali traços de uma turma de perfil bem definido: rápidas no gatilho, sempre gostaram de ditar moda e, claro, fazem questão de derramar elogios aos cônjuges, que naturalmente as impulsionam. Foi no Mundial da Alemanha, quatro anos depois, que atraíram para si holofotes de alta potência e por um motivo do qual não exatamente se orgulham — chegaram a lançar no colo das WAGs inglesas (injustamente, claro) a culpa pela eliminação da seleção da Inglaterra, que teria perdido o foco no jogo de performance pífia pelo zum-zum-zum delas no país.
No passado, as mulheres dos boleiros (oficiais e aspirantes) recebiam o pejorativo apelido de marias-chuteiras. As brasileiras têm se esforçado para jogar o preconceito para escanteio, ao se profissionalizar no ramo da influência e fazer carreira. E dá-lhe fotógrafo, stylish, videomaker, assessor — toda uma engrenagem por trás das postagens. Na lista das mais bem-sucedidas despontam Duda Fournier, mulher de Lucas Paquetá, e Karoline Lima, ex de Éder Militão (fora do time por uma lesão) e atualmente entre idas e vindas com Léo Pereira. Acompanhada por quase 6 milhões de seguidores e dona de cachê médio de 295 000 reais, Karoline foi até contratada na Copa pelo canal digital de Ronaldo Fenômeno. Não raro, é avistada em meio a outras WAGs e, se der sorte, consegue chegar ao banco dos jogadores. Já Duda, nos últimos dias, tem exibido os filhos com Paquetá, de 5 e 6 anos, com a bola no pé em parquinhos de Nova York, conteúdo que entremeia com publis na casa dos 108 000 reais, como a de uma marca esportiva americana. “As WAGs ganharam vida própria e conseguiram construir marcas pessoais fortes”, avalia o especialista em marketing esportivo Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports.
Nesse meio, fofocas e polêmicas fornecem um bem-vindo empurrão aos cliques. Em Convocadas, documentário da Globo sobre a rotina das WAGs brasileiras, Duda e Paquetá cutucaram o vespeiro que envolveu o jogador em um suposto esquema de bets, do qual foi inocentado. “Ninguém nunca vai saber o que eu e o Lucas passamos”, diz ela. Affairs, então, fazem mover a manivela da audiência como poucos tópicos nas redes. As duas ex de Neymar, Carol Dantas, mãe do primogênito, Davi Lucca, 14 anos, e Amanda Kimberlly, com quem ele teve Helena, de 1 ano e 11 meses, em um caso extraconjugal, faturam cada qual em torno de 300 000 reais em publis. Pois bem: Bruna topou a presença de Carol na Copa e já foram inclusive flagradas com a criançada toda na Disney. Mas com Amanda a tolerância seria zero. Ela teria sido vetada de ir para os Estados Unidos por Bruna, o que nega. Agradável não é, mas essa ciranda toda deu o que falar e postar.
Sob o ângulo das marcas, as WAGs acabam atraindo público interessado nos atletas sem que seja preciso selar parceria direto com eles — alvo de duras restrições dos clubes e seleções. Noiva do português Cristiano Ronaldo, a empresária e influenciadora Georgina Rodríguez, seguida por nada menos que 74 milhões de pessoas e cuja história já virou até série, lidera o ranking de faturamento da turma, embolsando 4 milhões de reais por publicidade, de acordo com o levantamento da Vantix Magazine. Vem seguida por Antonela Roccuzzo, mulher do ídolo argentino Lionel Messi, que cobra 2 milhões de reais por publis em parceria com grifes como Stella McCartney e Louis Vuitton. “Elas transitam com naturalidade entre luxo, wellness, moda e entretenimento, e têm alto poder de engajamento, algo valioso para as marcas”, explica Danielle Vilhena, diretora da agência de marketing esportivo End to End. O futuro do Brasil no Mundial ninguém sabe. Mas, fora de campo, a Copa já é delas.
Publicado em VEJA de 3 de julho de 2026, edição nº 3002







