Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

MPF denuncia esquema de falsificação de documentos no futebol cearense

PF de Juazeiro do Norte descobriu um plano de empresários que diminuíam a idade de jogadores para negociá-los com outras equipes nacionais e do exterior

O Ministério Público Federal (MPF) em Juazeiro do Norte propôs à Justiça nesta quinta-feira uma ação penal contra nove pessoas acusadas de organizar um esquema de falsificação de documentos de jovens jogadores do futebol cearense. A intenção era diminuir a idade dos atletas em dois ou três anos para facilitar nas negociações com clubes de São Paulo, Curitiba, Natal, Salvador e até Itália e Espanha.

A ação penal do MPF é resultado da Operação Peter Pan Cariri, investigada pela Delegacia de Polícia Federal de Juazeiro do Norte. O procurador da República no Ceará, Celso Leal, afirmou que o esquema fraudulento é comandado por Moisés da Silva, responsável pela Associação e Empreendimento Esportivo C.T. Cariri, localizada em Juazeiro do Norte. As investigações também apontaram que Moisés recrutava os jogadores e convencia seus familiares, que sabiam da falsificação dos documentos. O acusado também seria o responsável pela falsificação das certidões de nascimento.

Segundo Celso Leal, os fatos foram comprovados por meio da ficha de jovens atletas disponibilizados no site do Fortaleza. “A partir dos dados coletados, a Polícia Federal comprovou a existência de um verdadeiro esquema fraudulento e criminoso articulado por empresários do ramo do futebol do Estado do Ceará, bem como pelos respectivos atletas e pais, que detinham conhecimento e participação na confecção e uso de certidão de nascimento, RG, CPF e passaportes falsos no município de Juazeiro do Norte”, afirmou o procurador.

Acompanhe VEJA Esporte no Facebook

Siga VEJA Esporte no Twitter

As investigações mostram que dezenas de atletas com idades reduzidas foram negociados com times como o Fortaleza, ABC, Bahia, Atlético Paranaense, Corinthians, além de clubes do exterior. Celso Leal disse que os envolvidos lucravam na venda dos jogadores. “Eles iludiam os clubes que adquiriam os atletas, pois pensavam que estavam contratando jovens jogadores promissores, quando, na verdade, se tratavam de jogadores com idades reais muito superiores às das informações aos clubes.”

(Com Estadão Conteúdo)