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Morre Oscar Schmidt, lenda do basquete brasileiro, aos 68 anos

“Mão santa” defendeu Brasil em cinco Olimpíadas e conquistou o Pan-Americano de 1987

Por Natalia Tiemi Hanada Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 abr 2026, 16h53 | Atualizado em 17 abr 2026, 19h11
Morre Oscar Schmidt, lenda do basquete brasileiro, aos 68 anos Priorizar nos meus resultados Google

Morreu nesta sexta, 17, o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt após passar mal e ser levado ao hospital. Apelidado de “Mão Santa” por sua precisão nas cestas, comandou a seleção brasileira em cinco Olimpíadas e rejeitou jogar na NBA para continuar defendendo o Brasil. Conquistou a medalha de bronze no mundial em 1978 e o ouro no Pan-Americano de 1987, em Atlanta, nos Estados Unidos, vencendo os americanos na final.

Oscar passou mal em sua residência em Alphaville e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana de Parnaíba, pelo Serviço de Resgate. Segundo o hospital, chegou ao local já em parada cardiorrespiratória (PCR), sem vida.

O ex-jogador lutava contra as consequências de um tumor cerebral, diagnosticado inicialmente em 2011, passando por cirurgias e tratamentos ao longo dos últimos 15 anos. Segundo postagens mais recentes de familiares, ele já estava com a saúde debilitada após uma cirurgia. No começo de abril, o filho de Oscar, Felipe Schmidt, recebeu homenagem no lugar do pai no Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Jovem sucesso

Natural de Natal, no Rio Grande do Norte, Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em 16 de fevereiro de 1958. O esporte estava no sangue: seu pai havia sido atleta de salto em altura e jogador de vôlei pelo Fluminense, então Oscar logo começou na modalidade, mas gostava mesmo de jogar futebol. Foi apenas quando se mudou para Brasília que mergulhou de vez no mundo do basquete, incentivado pelo tio apaixonado pelo esporte da bola laranja. Seu técnico da escola o incentivou a procurar o Clube Unidade Vizinhança, que depois tornou-se seu primeiro clube.

Aos 16 anos se mudou para São Paulo, onde iniciou sua carreira na categoria infanto-juvenil do Palmeiras. Rapidamente se destacou e foi convocado para a seleção juvenil, sendo eleito melhor pivô no sul-americano em 1977.

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No ano seguinte já defendia a seleção principal no mundial nas Filipinas, em que conquistou a histórica medalha de bronze, melhor resultado do Brasil na competição.

A partir de 1979, defendeu o clube Sírio na capital paulista, pelo qual conquistou a Copa William Jones, o mundial interclubes de basquete. Em 1980, participou da sua primeira Olimpíada pelo Brasil em Moscou em que anotou 169 pontos na campanha de 5º lugar. 

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Carreira internacional

Não demorou a chamar atenção dos estrangeiros. O técnico rival da final do mundial interclubes, Bogdan Tanjevic, se impressionou com o brasileiro de 2,03m e o procurou para levá-lo ao Juvecaserta, time que treinava na Itália. 

Foram 11 temporadas em solo italiano, mostrando o melhor do basquete brasileiro. Foram 13.957 pontos anotados, que o levaram a se tornar o primeiro jogador a ultrapassar a marca dos 10 mil pontos no Campeonato Italiano. Em um único chegou a fazer 66 pontos.

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Em 1993, se transferiu para o Fórum de Valladolid, na Espanha, onde também fez sucesso e sua passagem foi registrada no livro “Jugar como Oscar” do escritor Félix Angel.

Dois anos depois, voltou ao Brasil. Defendeu o Corinthians pelo qual conquistou seu oitavo título brasileiro. Também passou pelo Bandeirantes, Mackenzie e pelo Flamengo, onde se aposentou em 2003 aos 45 anos.

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No Rubro-negro alcançou 49.973 pontos na carreira, se tornando o maior cestinha da história ao ultrapassar os 46.725 pontos de Kareem Abdul-Jabbar. O recorde do brasileiro foi apenas ultrapassado em 2024 por Lebron James, que segue jogando na NBA.

Recordista olímpico

Oscar é o recordista brasileiro em participações olímpicas, disputou cinco edições consecutivas dos Jogos e se tornou o único atleta a ultrapassar a marca de 1.000 pontos na história da competição, com 1.093 pontos.

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Sua estreia foi em 1980 em Moscou, quando marcou 169 pontos, alcançando o quinto lugar da competição com o time. Em 1984, também marcou a mesma quantidade de pontos em Los Angeles, e chamou a atenção de times da NBA.

Na Olimpíada de Seul em 1988, foi o cestinha da competição com 338 pontos, com 55 marcados em um único jogo contra a Espanha. Oscar atingiu dez marcas individuais inéditas somente nesta edição: melhor média de pontos, mais pontos em uma única edição, mais pontos em um único jogo (55), mais cestas de 3 pontos em uma edição, mais cestas de 3 pontos em um único jogo, mais cestas de 2 pontos em um único jogo, mais lances livres em uma edição e mais lances livres em um único jogo.

Em Barcelona 1992, novamente foi o cestinha da competição com 198 pontos, um ano antes de se transferir para jogar na Espanha. Oscar chegou a afirmar que não representaria mais a seleção em Jogos Olímpicos, mas voltou para uma “última dança” em 1996 em Atlanta a pedido do seu técnico Ari Vidal.

Ao participar de cinco Olimpíadas, igualou o recorde de Teófilo da Cruz de Porto Rico e Andrew Gaze da Austrália. O brasileiro ainda é o maior cestinha das história dos Jogos Olímpicos.

Recusou jogar na NBA

Com suas atuações de gala, Oscar chamou a atenção de times da NBA. Depois da Olimpíada de Los Angeles em 1984, o jogador foi procurado pelo New Jersey Nets para atuar na liga americana. No entanto, as regras da FIBA (Federação Internacional de Basquete) não permitiam jogadores do torneio de participar de competições por suas seleções, pois perderiam o status de “amador”. Oscar escolheu continuar defendendo o Brasil e recusou o convite da franquia.

Para o basquete brasileiro, a escolha rendeu frutos vitoriosos. Em 1987, Oscar comandou a seleção no Pan-Americano justamente nos Estados Unidos, em Atlanta. Na final, venceu o time da casa, e conquistou o título que foi um dos maiores da carreira. 

Mais de 30 anos depois de recusar o convite dos americanos, e vencê-los em sua própria casa, Oscar foi homenageado pelo Brooklyn Nets, antigo New Jersey, em evento em 2017. Foi recebido como jogador da casa e teve uma camisa com seu nome emoldurada dentro de quadra. 

Mesmo sem ter jogado na liga americana, Oscar se tornou integrante do Hall da Fama nos Estados Unidos em 2013. Junto de Ubiratan Pereira Maciel e Hortência são os únicos brasileiros que receberam a honraria.

Câncer

Em 2011, Oscar foi diagnosticado com um câncer cerebral chamado glioma, na parte frontal esquerda do cérebro. Ele passou por uma cirurgia para retirada de um tumor de grau 2, considerado baixo. 

Em 2013, foi identificado a progressão do tumor para grau 3. Oscar passou por uma nova operação e sessões de radioterapia. Continuou o tratamento para controlar e impedir o retorno da doença com quimioterapia. 11 anos depois do diagnóstico, em 2022, anunciou que estava curado e interrompeu as sessões de quimioterapia.

Números da carreira

  • 49.973 pontos na carreira 
  • 1.093 pontos em Olimpíadas 
  • 55 pontos x Espanha Seul 1988 
  • 42,3 de média de pontos em Seul 1988 
  • Líder em cestas de 3pts, 2pts e lances livres em Olimpíadas
  • Mais vezes cestinha em Jogos Olímpicos 
  • 10x cestinha do Brasileirão 
  • 7x cestinha da Liga Italiana 
  • Hall da Fama FIBA e Springfield

Confira nota da assessoria:

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo.

Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.

Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo.

A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento.

Os familiares agradecem, sensibilizados, todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas, e solicitam a compreensão de todos quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto.

Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória.

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