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Morre Bellini, primeiro brasileiro a erguer a Copa do Mundo

Ex-zagueiro de Vasco e São Paulo sofria de Alzheimer e tinha 83 anos. Capitão da seleção em 1958, foi o primeiro a comemorar erguendo o troféu de campeão

Por Da Redação 20 mar 2014, 19h26

Muito elegante fora de campo – era considerado o galã do futebol brasileiro nos anos 1950 e 1960 -, o capitão se transformava quando pisava no gramado: era um defensor aguerrido e incansável

O ex-zagueiro Hideraldo Luís Bellini, capitão da seleção brasileira na primeira Copa do Mundo conquistada pelo país, morreu nesta quinta-feira, no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, onde estava internado desde que foi vítima de uma parada cardíaca. Bellini, que sofria de doença de Alzheimer havia uma década, tinha 83 anos. Paulista de Itapira, o ex-jogador defendeu o Vasco da Gama e o São Paulo antes de se aposentar com a camisa do Atlético-PR. Vestiu a camisa da seleção numa das fases mais gloriosas de sua história, entre 1957 e 1966. Foram 51 jogos, incluindo oito partidas nas Copas de 1958, na Suécia, e de 1966, na Inglaterra. Também foi reserva no Mundial de 1962, no Chile. Um dos líderes da equipe que venceu a primeira das cinco Copas do Brasil, Bellini teve a honra de levantar a taça Jules Rimet no Estádio Rasunda, em Estocolmo, depois da final contra a Suécia. Ao receber o troféu das mãos do rei Gustavo, atendeu ao pedido dos fotógrafos e ergueu a Jules Rimet para que todos pudessem vê-la. Desde então, o gesto inventado por acaso pelo ex-zagueiro passou a ser imitado por todos os capitães das equipes que conquistam um título.

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Além das duas Copas conquistadas pela seleção, Bellini tinha outros títulos importantes no currículo, como três títulos estaduais do Rio, um Torneio Rio-São Paulo e duas taças da Copa Roca. Muito elegante fora de campo – era considerado o galã do futebol brasileiro nos anos 1950 e 1960 -, o capitão se transformava quando pisava no gramado: era um defensor aguerrido e incansável. Sua técnica e habilidade eram limitadas, mas o vigor físico, o espírito de liderança, a seriedade com que disputava todos os jogos e a lealdade no combate aos adversários transformaram Bellini em ídolo tanto no Vasco (1952-1961) como no São Paulo (1962-1967). A despedida do futebol aconteceu em 1969, no Paraná. Afastado do esporte, passou a tocar alguns negócios no comércio de São Paulo. Os primeiros sintomas do Alzheimer vieram nos anos 2000. Mesmo depois do diagnóstico da doença, ele apareceu na abertura de uma exposição para marcar os 50 anos da conquista do título na Suécia, em 2008. Repetiu o gesto de 1958 e levantou a taça sobre a cabeça. Casado desde 1963, Bellini teve dois filhos. Por causa da doença, nos últimos anos já não reconhecia os parentes e amigos. No Maracanã, palco da final da próxima Copa, um monumento em homenagem aos campeões mundiais foi apelidado de “estátua do Bellini”, e esse é o principal ponto de referência do lado externo do estádio mais famoso do mundo.

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