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Michael Phelps: “Treinei nos 365 dias do ano”

O ex-nadador, maior medalhista da história dos Jogos Olímpicos, revela seu esforço sobrenatural

Por Michael Phelps Atualizado em 24 jan 2020, 11h03 - Publicado em 24 jan 2020, 06h00
Under Armour/Divulgação

Para alcançar meus sonhos, tinha de encontrar um caminho. Meu treinador, Bob Bowman, me fez escrever meus objetivos e me comprometer a ser dono deles. Ele me mostrou como enquadrar e visualizar meu sucesso, para imaginar resultados que outras pessoas acreditavam ser inalcançáveis ou mesmo impossíveis.

Necessitava de um plano. O objetivo final requeria um processo. Confiei em Bob, e aquele foi o primeiro passo. Colidimos frequentemente ao longo de minha carreira, mas compartilhamos a visão desde o princípio. Foi ele quem me disse, aos 11 anos, que eu poderia nadar em várias Olimpíadas, incluindo fazer parte da equipe americana que iria aos Jogos de Sydney-2000, dali a quatro anos.

Sua confiança no que eu podia fazer era do que necessitava naquele momento, porque não sei como teriam sido minha vida e minha carreira sem ela.

Com isso, alcancei o que queria. Para chegar aos tempos que havia planejado, tive de fazer mais. A natação é um esporte altamente especializado, no qual a maioria compete em um evento, em um estilo. Eu tive de melhorar em todos eles.

Outros atletas costumam treinar seis dias por semana, com folga aos domingos. Porém, um dia livre na natação equivale a outros dois apenas para voltar ao ponto em que estava. Treinei nos 365 dias do ano. Eram dez treinamentos por semana. Faça as contas: são 52 dias inteiros.

A expressão “não posso” foi eliminada do meu vocabulário. Não tinha “estou cansado” ou “estou com dor”. Era assim nos sete dias da semana, o ano inteiro, durante cinco anos. Decidi deixar de lado o conforto e a diversão. Sem folgas de Natal, Ação de Graças ou de aniversário. Como dizíamos, estava depositando toda minha energia e esforço na “poupança”.

E não foram apenas os sacrifícios pelo treinamento. O verdadeiro trabalho acontece fora da piscina: as sessões de recuperação, a nutrição e as horas de sono de que necessitava para manter tudo funcionando. Se queria fazer algo nunca feito antes, eu precisava trabalhar como jamais ninguém trabalhou.

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Transformei todas as dúvidas e desafios em combustível, motivação e força. Todos os comentários negativos que enfrentei: “Não se pode ganhar oito ouros em uma só edição de Jogos Olímpicos”, “Não será nada”. Bob me punha à prova, por exemplo, quebrando meus óculos de natação só para ver como eu reagiria.

No entanto, eu não precisava de nenhuma motivação extra. Queria vencer; tinha de vencer. Mas o mais importante de tudo: eu não queria perder.

Alcancei todos os meus objetivos? Não. De fato, quando ganhei oito medalhas de ouro em Pequim-2008, fiquei pensando como não havia alcançado dois dos meus tempos pretendidos.

Isso ocorre porque o sucesso não é algo que se mostra aos outros, seja por estar no pódio, seja por provar que os céticos estavam errados. Trata-se de estar à altura dos desafios que você propõe a si mesmo: você deve satisfazer esse impulso fundamental que é ver até onde pode ir, para testar os limites do que pode alcançar. É aí que mora a verdadeira grandeza.

Ela acontece devido ao treinamento, às competições, à recuperação, às várias noites longas e às manhãs que começam bem cedo. E fazemos isso porque temos algo a demonstrar a nós mesmos: que por meio de trabalho duro, dedicação e perseverança podemos romper qualquer barreira e superar qualquer obstáculo.

Tudo o que você quer está aí para ser alcançado. Para chegar até lá é preciso percorrer o caminho.

Publicado em VEJA de 29 de janeiro de 2020, edição nº 2671

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