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Após morte de George Floyd, Michael Jordan repara silêncio do passado

Ao longo da carreira, o eterno camisa 23 se absteve de questões políticas e raciais. Agora, a lenda da NBA pediu união no combate à violência contra negros

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 3 jun 2020, 12h23 - Publicado em 1 jun 2020, 17h49

Michael Jordan publicou uma nota no último domingo 31 pedindo o fim da violência policial contra negros nos Estados Unidos. Conhecido por se abster de discussões sobre política e até mesmo racismo, o hexacampeão da NBA pelo Chicago Bulls lamentou a morte de George Floyd, em Minneapolis, após um policial ajoelhar em seu pescoço.

“Estou profundamente triste, dolorido e com raiva. Estou do lado de quem está apontando o caso como racismo e violência contra pessoas negras em nosso país. Já tivemos o bastante. Meus sentimentos para os familiares de George Floyd e para as incontáveis vítimas que tiveram suas vidas retiradas brutalmente em atos de racismo e injustiça”.

Desde quando exibia seu talento fora do comum nas quadras da NBA, Jordan preferia não se envolver em discussões políticas e raciais, apesar de ter crescido em Wilmington, na Carolina do Norte, cidade com predominância branca de mais de 70% e registros de tensões raciais. O camisa 23, durante seu auge na liga, sofreu várias críticas por se omitir em diversas questões.

O documentário Arremesso Final (The Last Dance, Netflix, 2020), que retrata o último ano da dinastia do Chicago Bulls, mostra quando Jordan foi duramente criticado pela comunidade negra por não ter apoiado a candidatura de Harvey Gantt para o Senado. Gantt seria o primeiro negro a representar a Carolina do Norte no Senado, mas perdeu as eleições de 1990 e 1996 para Jesse Helms, republicano acusado diversas vezes de racismo durante suas campanhas. “Republicanos também compram tênis”, justificou Jordan, à época.

A mente de empresário de Jordan sempre falou alto durante sua carreira. O sucesso no ramo se consolidaria ainda mais depois de sua aposentadoria. A famosa linha Jordan, em parceria com a Nike, de artigos esportivos e a compra do Charlotte Hornets são as fatias majoritárias da fortuna de Jordan, estimada em mais de 2,1 bilhões de dólares (11,2 bilhões de reais). Segundo a Forbes, ele é o único atleta bilionário da história.

A carreira de empresário afastou Jordan de movimentos sociais, que hoje são ferrenhamente defendidos pelos atuais astros da NBA, como LeBron James. O ex-jogador do Chicago Bulls, porém, começou a deixar o silêncio de lado em 2016, quando um atirador matou cinco policias em Dallas, alegando estar cansado da violência contra negros. À época, Jordan doou 1 milhão de dólares para a polícia e 1 milhão para uma empresa de advocacia que luta pela igualdade racial.

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“Como um pai que perdeu seu próprio pai em um ato sem sentido de violência e como um homem negro, fiquei profundamente perturbado com a morte de afro-americanos nas mãos de policiais e com raiva do ato covarde de atacar e matar policiais. Não posso mais ficar quieto”, escreveu Jordan, na ocasião.

A nova face de Michael Jordan veio à tona uma semana depois da morte de George Floyd. Ele pediu união de vozes e bom uso do voto para mudar o sistema racista nos Estados Unidos.

“Não tenho as respostas, mas a união de nossas vozes mostra força e incapacidade de sermos divididos por outros. Precisamos ouvir uns aos outros, mostrar compaixão, ter empatia e nunca virar as costas para brutalidades sem sentido. Precisamos continuar nos expressando pacificamente contra a injustiça e exigir responsabilidade. Nossa voz unificada precisa pressionar nossos líderes para mudar as leis, além de usar nossos votos para criar mudanças no sistema. Cada um de nós precisa fazer parte da solução e devemos trabalhar juntos para garantir justiça para todos”, finalizou Jordan.

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