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Michael Jordan: os gigantes também choram

A cena ocorreu durante o tributo à memória de seu amigo e ex-companheiro de profissão Kobe Bryant, que morreu em um acidente de helicóptero

Por Alexandre Salvador - Atualizado em 30 jul 2020, 19h28 - Publicado em 28 fev 2020, 06h00

“Vejam só o que ele fez comigo: terei de olhar para outro meme de choro pelos próximos três ou quatro anos.” Apenas um gigante do quilate de Michael Jordan poderia sair ileso ao fazer uma piada durante um velório. O gracejo, porém, foi honesto e autodepreciativo: em 2009, ele virou chacota na internet (o Crying Jordan) depois de agradecer sua indicação ao Hall da Fama do basquete com o rosto inchado e coberto de lágrimas. A imagem viralizou justamente pela raridade da cena: conhecido por sua frieza dentro da quadra, sempre sisudo, é difícil se recordar de outro momento de tanta vulnerabilidade do eterno craque do Chicago Bulls, seis vezes campeão da NBA, a liga americana do esporte.

A cena voltou a se repetir na última segunda, 24, durante o tributo à memória de seu amigo e ex-companheiro de profissão Kobe Bryant, que morreu em um acidente de helicóptero, em 26 de janeiro passado, que também vitimou sua filha Gianna, de apenas 13 anos, além de outros sete passageiros, nos arredores de Los Angeles. Ao rir de si mesmo, chorando, Jordan conseguiu levar às gargalhadas mais de 20 000 pessoas presentes no ginásio Staples Center, em Los Angeles, casa do Los Angeles Lakers, defendido por Kobe durante vinte temporadas. Até mesmo Vanessa Bryant, mãe de Gianna e viúva do ex-jogador, não conteve um esgar de sorriso. A situação provou, além do amor genuíno que ele sentia por seu “irmãozinho”, a quem ensinou truques da bola laranja, que Jordan pode ser grande até mesmo no luto.

Publicado em VEJA de 4 de março de 2020, edição nº 2676

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