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Medina não teme deixar título escapar: ‘Não sinto pressão’

De volta ao país antes de embarcar para a etapa final no Havaí, líder do circuito mundial mostra confiança para encarar Slater e Fanning pela conquista inédita

Por Luiz Felipe Castro 24 out 2014, 11h10

“Eu vou para a praia e parece que tem um estádio na areia. Isso é muito legal. O Brasil nunca teve um campeão, e cada etapa que passa, eu vejo mais gente surfando. Acho que meu título ajudaria ainda mais o surfe brasileiro”

O brasileiro Gabriel Medina está cada vez mais confiante na chance de se tornar o primeiro brasileiro a conquistar um título mundial no surfe. O novo fenômeno esportivo do país é o líder do ranking mundial e pode alcançar a façanha inédita mesmo que não for o campeão da próxima etapa, no templo do surfe, o Havaí. Apesar de ter perdido a chance de levantar a taça com antecedência em Peniche, Portugal, no início do mês, o surfista de 20 anos garante não sentir pressão – nem mesmo diante da concorrência do americano Kelly Slater, o maior surfista de todos os tempos, e do australiano Mike Fanning, o atual campeão. Nesta sexta-feira, Medina passou por São Paulo e falou, com sua habitual tranquilidade, sobre a chance de ouro de ser campeão. “Tive ótimos resultados neste ano. Claro que os últimos poderiam ser melhores, mas tenho 20 anos e ainda pelo menos mais dez de carreira. Juro que não sinto pressão. Seja o que Deus quiser”, afirmou, sobre a etapa decisiva. Medina vem de dois resultados decepcionantes: depois de cair nas quartas de final em Hossegor, na França, ele poderia ter assegurado o título na última etapa, em Peniche, Portugal, mas foi surpreendido pelo americano Brett Simpson na terceira fase. Agora, a grande decisão ficou para a etapa mais aguardada da temporada: Pipeline Masters, na costa norte da ilha havaiana de Oahu, de 8 a 20 de dezembro.

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Depois da etapa de Portugal, o australiano Mick Fanning, tricampeão mundial (2007, 2009 e 2013), passou a ser o maior concorrente de Medina – o brasileiro tem 56.550 pontos, contra 53.100 do adversário. Para ser campeão sem depender de nenhum resultado dos concorrentes, Medina precisa chegar à final em Pipeline. Se voltar a ser eliminado precocemente, o garoto de Maresias terá de torcer contra os concorrentes Fanning e Slater. Ele, no entanto, não acredita em tropeços dos experientes concorrentes. “Eles geralmente têm bons resultados no Havaí. Tenho certeza que eles vão estar pelo menos nas quartas de final, então vou focar no meu trabalho e não pensar neles.” Questionado sobre a possibilidade de “salvar” o ano do esporte brasileiro depois de decepções nos Mundiais de futebol, basquete e vôlei, o surfista confirmou que usa essa possibilidade como motivação extra. “Acompanhei os outros esportes e infelizmente não conseguimos os títulos. Eu tenho essa esperança e quero muito representar bem o Brasil.”

Sua ascensão no circuito tem sido acompanhada de um assédio cada vez maior dos fãs, que acompanham com cada vez mais atenção as etapas do Mundial. “Recebo muito apoio através das redes sociais. Nunca tivemos uma chance assim no surfe do Brasil. Desde os 13 anos eu disse que queria ser campeão mundial. Corri atrás, consegui meus patrocínios e hoje estou aqui. Agora, não quero deixar escapar essa oportunidade.” Depois de passar alguns dias na casa do maior ídolo brasileiro da atualidade, seu amigo Neymar, Medina admite que gosta do fato de também estar se tornando uma estrela e acredita que isso pode impulsionar a modalidade no país. “O surfe tem crescido bastante, também graças aos meus resultados. Tenho contato com várias pessoas famosas e elas torcem por mim, me mandam mensagens.” O atleta diz notar claramente o crescimento da torcida. “Eu vou para a praia e parece que tem um estádio na areia, e isso é muito legal. O Brasil nunca teve um campeão, mas a cada etapa que passa, eu vejo mais gente surfando. Acho que meu título ajudaria ainda mais o surfe brasileiro.” Fã de pôquer, que costuma jogar com Neymar, Medina se divertiu com uma analogia entre o jogo de cartas e a sua condição no campeonato. “Ter dois ases na mão não significa que eu ganhei, mas que dá para apostar forte”, brincou.

Havaí – Antes da etapa derradeira do circuito, Medina participará do Prime de Maresias, cidade onde cresceu e vive até hoje, entre os dias 3 e 9 de novembro. Ele, no entanto, admite que o torneio no litoral paulista será apenas um treino leve antes do desembarque no Havaí. “Vou participar porque é em frente à minha casa, vai ser uma semana bem tranquila.” A partir das próximas semanas, no entanto, Gabriel entrará em uma rotina intensa de treinamentos, que inclui também muitas conversas com o padrasto (a quem chama de pai) e treinador, Charles Saldanha. “A gente sempre conversa, vivemos e treinamos juntos. Nós não estamos nos preparando para o título agora, mas desde os oito anos de idade. Acima de tudo tento manter a paz, transformar a pressão em incentivo. Ele vai chegar forte, surfando bem e acreditando muito”, garante Saldanha.

Por ter o mesmo patrocinador que Fanning, Medina viverá uma situação curiosa na última etapa: ele deverá se hospedar na mesma casa que o surfista australiano. O brasileiro, no entanto, diz estar se divertindo com o fato de ter o inimigo na parede ao lado e até usa isso como inspiração. “É algo engraçado, mas a gente fica na mesma casa há alguns anos. Ano passado, inclusive, eu vi como ele se preparou para a conquista do título, acompanhei tudo de perto, e isso que foi bastante inspirador. Não sei como vai ser desta vez. Nunca passamos por isso de decidir o campeonato juntos, então não sei como vai ser.” O brasileiro fez vários elogios ao concorrente e também ao americano Kelly Slater, onze vezes campeão e considerado o maior surfista de todos os tempos. “São dois ídolos meus. Poder ser campeão contra eles tornaria meu feito ainda maior.”

Apesar de muito querido por seus compatriotas do circuito, Medina não acredita que os brasileiros do WCT poderiam facilitar sua vida em uma possível bateria contra ele. “Claro que se eles estiverem em uma bateria contra meus concorrentes, vão se esforçar muito, pois sabem da minha situação. E se eu tiver que enfrentar os brasileiros, eu não sei como será a reação deles. Mas acho que em um esporte individual todos querem dar seu melhor.” Para chegar à glória em Pipeline, Gabriel Medina precisa apenas chegar à final. Se cair nas quartas ou nas semifinais, ele terá de torcer para Mick Fanning não faturar a etapa. Caso o brasileiro perca na segunda ou na terceira fase, ele perderá o título mundial se Fanning chegar às semifinais. Se o australiano for às quartas, eles empatarão em pontos e haverá uma bateria homem a homem para decidir o campeão. Já Kelly Slater ficou mais distante do título. Com 50.050 pontos, a lenda americana terá de vencer a etapa e torcer por maus resultados de Medina e Fanning para conquistar mais um troféu aos 42 anos.

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