Clique e Assine por somente R$ 2,50/semana

Médico de Maradona é acusado de homicídio culposo

Leopoldo Luque, médico cirurgião responsável por cuidados nos últimos dias de vida do craque, convocou entrevista para negar negligência

Por Da Redação Atualizado em 29 nov 2020, 15h40 - Publicado em 29 nov 2020, 14h20

O médico cirurgião Leopoldo Luque, responsável direto pela saúde de Diego Armando Maradona em seus últimos dias de vida, foi acusado formalmente neste domingo, 29, por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) pela morte do astro do futebol. Ele convocou uma entrevista em Buenos Aires para se defender e se emocionou ao afirmar que não teve culpa.

Segundo informações do jornal espanhol Marca, um juiz da cidade de San Isidro, na província de Buenos Aires, autorizou a busca e apreensão na casa e na clínica do médico. A batida (com cerca de 60 policiais) veio após as filhas do astro (Dalma, Gianinna e Jana) acusarem Luque de negligência médica. A família suspeita de que Maradona não obteve alta médica quando foi transferido de uma clínica, após ser operado de tumor na cabeça, para a casa onde morreu, em Tigre, a 30 km da capital argentina.

Nos últimos dias, promotores argentinos iniciaram uma investigação rígida acerca da morte do craque, que chegou a ficar 12 horas sem atendimento medico até sofrer uma parada cardiorrespiratória na última quarta-feira, dia 25. Maradona era acompanhado por uma equipe médica no lar, já que havia passado por uma cirurgia recentemente devido a um hematoma subdural detectado em sua cabeça. A investigação, portanto, se concentra sobre essas 12 horas que precederam a parada cardiorrespiratória para determinar se o atendimento domiciliar era recomendável para um paciente no estado de Maradona. “Já existem irregularidades”, disse, à agência France Presse, uma pessoa próxima à família na última sexta-feira 27.

  • Leopoldo Luque se defendeu das acusações de negligência neste domingo em um emocionado depoimento à imprensa. “Não há erro médico, nem há julgamento. Maradona teve um ataque cardíaco. É a coisa mais comum no mundo. É um fato que pode acontecer. Sempre foi feito todo o possível para diminuir esse risco, mas não dá para bloqueá-lo.”

    O médico contou que “Diego era muito difícil” e que chegou a dispensá-lo em alguns momentos do tratamento. Muitas vezes me expulsou de casa, mas aí depois me ligava. Fazia sugestões que ele aceitava ou não”, contou. “Todos nós nos reunimos para ver o que era melhor para Maradona. O que precisamos é de sua vontade, porque sem Diego nada poderia ser feito. Por que eles não investigam quem era Diego? Não existem critérios que possamos seguir sem o seu consentimento.”

    “Diego odiava médicos, odiava psicólogos, odiava todo mundo… Em termos de saúde, digo. Comigo era diferente, porque eu era genuíno, não estava procurando uma foto”, prosseguiu Leopoldo Luque, que disse ter tido o acompanhamento de psiquiatras no tratamento.  “Queria que Diego se levantasse da cama. Mas ele não queria nem receber as filhas. A parte neurológica estava bem, o controle era perfeito. Também não estava ingerindo álcool, e os medicamentos foram autorizados pela equipe psiquiátrica.

    Um dia após a morte do ícone futebolístico, Matías Morla, advogado e amigo de Maradona, denunciou “que a ambulância demorou mais de meia hora para chegar à casa onde estava o [camisa] 10”. Por isso, ele avisou que irá “até o fim” para esclarecer o ocorrido. A Promotoria Geral de San Isidro, no entanto, refuta essa versão do fato. Em comunicado, informou na sexta-feira 27 que, segundo os registros de ligações e registros das câmeras de segurança, a ambulância demorou cerca de 11 minutos para chegar à casa do craque. Ele teria sido encontrado sem vida às 11h30 da quarta-feira pelo seu psiquiatra e sua psicóloga, que fariam uma consulta de rotina.

    Continua após a publicidade
    Publicidade