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Maya Gabeira, após acidente: ‘Morri… mas voltei’

A surfista caiu de uma onda gigante, perdeu os sentidos e teve de ser resgatada

Por Silvio Nascimento Atualizado em 19 jul 2016, 15h59 - Publicado em 31 out 2013, 14h29

A surfista brasileira Maya Gabeira chega ao Brasil nesta quinta-feira com uma certeza: vai voltar o mais rápido possível ao mar e pegar novamente as ondas gigantes que aparecem em poucos lugares do mundo. Aos 26 anos, eleita por cinco vezes a surfista feminina com melhor performance em ondas gigantes – são consideradas nesta categoria apenas as que passam dos 10 metros -, Maya passou por uma situação extrema na segunda-feira, em Nazaré, Portugal, ao quebrar o tornozelo, cair na água e ficar desacordada por alguns momentos. Foi resgatada pelo amigo Carlos Burle, o mesmo que a ajudou com um jet ski, puxando-a por uma corda, a iniciar a descida da onda estimada em mais de 20 metros. Socorrida por Burle e depois de receber os primeiros-socorros na areia da praia e ser reanimada, passou pouco mais de um dia no hospital e em nenhum momento perdeu a vontade de enfrentar novamente as raras ondas. E na quarta-feira, menos de 48 horas depois do acidente, deu esta entrevista, depois de deixar o hospital:

Quando você volta a cair no mar? Depende dos médicos, mas no hospital em Portugal me falaram em dois meses pelo menos. Mas não vejo a hora, eu deveria ir para o Havaí nesta semana para treinar. Vou ter de adiar.

Como você quebrou o tornozelo? Foi o impacto causado pelas “irregularidades” da onda. De fora parece que a água é lisa, mas há pequenas ondulações e, com a velocidade, isso faz com que a gente pule, quase voe, perdemos o contato com a água e, na aterrissagem, o impacto é muito grande. Suportei o primeiro voo, no segundo foi mais difícil e imagino que no terceiro tenha quebrado o tornozelo e caí para a frente.

E o que aconteceu em seguida? Dentro da água, recebi outra onda da série pelas costas e fui arrastada para uma bancada mais rasa de areia e ali foi o maior problema, porque a violência da água é maior ainda.

E você ainda estava consciente. Sim, totalmente, após cair, subi pela primeira vez depois de usar as técnicas que treinamos de apneia – interrupção da respiração. Aí veio a segunda onda, e novamente subi para a superfície consciente, mas na terceira tudo complicou. Veio o terceiro impacto, o mais violento, recebi uma pancada brutal no peito e ficou tudo escuro, perdi meu colete salva-vidas, fiquei somente com a minha roupa de borracha, que permitiria uma leve flutuação.

Aí você perdeu o controle da situação… Sim, fui para o fundo do mar, fiquei completamente rendida, porque tinha tomado uma pancada absurda, e a partir daí foi tudo uma questão de sobrevivência, eu estava quase apagada e tinha de fazer toda a força que pudesse para chegar o mais próximo da praia. Eu sabia que o Carlos Burle estava lá e faria tudo para me salvar.

A partir desse momento o que você lembra? Abri os olhos e vi as pessoas em cima de mim e imediatamente tudo veio à minha cabeça, sabia que tinha caído e que eles tinham me tirado da água.

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Você tinha noção do perigo que tinha passado? Sempre sabemos que o risco é grande, preciso respeitar a natureza, mas não dá para entrar lá e sentir medo, porque senão é melhor nem entrar. Creio que fui salva por uma soma de motivos: boa preparação física, psicológica, muito treino, técnica de apnéia, uma boa resistência à falta de oxigênio, muita sorte, a ajuda do Carlos Burle, de Deus.

O que mais poderia ser feito para amenizar este tipo de situação que você passou? Esse esporte ainda é relativamente novo e passamos por um processo de evolução natural, como aconteceu, por exemplo, na Fórmula 1, que hoje é muito mais segura que no tempo do Ayrton Senna. No nosso caso, acho que os coletes salva-vidas poderiam ser melhores e mais um jet ski para resgate também ajudaria muito, porque num dia como esse, nessas condições, só um não é suficiente. E mais treinos, mais exercícios, mais tempo pegando ondas.

O que leva a surfar as ondas gigantes? Um dia como esse… Com meus amigos de infância, vivenciar o momento em que as ondas aparecem, a adrenalina que ferve. São momentos de êxtase, muito prazer, superação, são momentos inesquecíveis, a proximidade à força da natureza. Havia mais de 2.000 pessoas na praia assistindo as baterias. E ali dentro do mar éramos poucos, uns oito. É um privilégio, sinto-me uma pessoa com muita sorte por ter vivido estes momentos.

Você chegou a pensar que ia morrer? (silêncio)… Apaguei, certo?… Morri… mas voltei.

 

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