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Marquinhos, o jovem líder do PSG que quer quebrar recordes

<p>Zagueiro de 23 anos sonha alto e não se arrepende de suas escolhas: “Se eu tivesse continuado no Corinthians meu rumo poderia ter sido outro”</p>

Por Tiago Leme, de Paris Atualizado em 11 jan 2022, 17h28 - Publicado em 25 mar 2018, 17h05

Com apenas 23 anos, Marquinhos ainda tem um longo caminho no futebol, e o tanto de coisas que o zagueiro do Paris Saint-Germain e da seleção brasileira já viveu abre a possibilidade de um futuro para entrar na história. Apesar da juventude, é considerado um líder, já vestiu a braçadeira de capitão no clube e na equipe nacional. E pode ser titular na Copa do Mundo da Rússia.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo 2018

No PSG, onde já está há quase cinco anos, conta com grande respeito dos dirigentes, atletas e torcedores. Na seleção, fez a sua estreia em 2013 e hoje já atuou em 24 jogos, ainda o início de uma trajetória de quem vai disputar este ano na Rússia a sua primeira Copa. E, por que não, se aproximar de recordes históricos? O ex-lateral Cafu, capitão do penta, é o recordistas de jogos com a camisa do Brasil, com 149 partidas disputadas. “Sempre queremos entrar na história, com recordes, títulos, número de jogos com a seleção brasileira”, disse Marquinhos, em entrevista exclusiva concedida em Paris.

Para chegar ao sucesso precoce, Marquinhos teve de tomar uma importante decisão quando tinha 18 anos e havia se destacar no Corinthians. Depois de estar no elenco que foi campeão da Copa Libertadores de 2012, aceitou proposta da Roma e logo impressionou no futebol europeu – e ficou fora do Mundial conquistado pela equipe paulista no Japão naquele ano. E nada de frustração: “Não tenho arrependimento das minhas escolhas. Não sei se hoje estaria aqui se tivesse continuado no Corinthians…” Marquinhos também falou sobre seus planos, o interesse do Barcelona, da amizade com Neymar, a busca pelo título da Champions League.

Você já foi capitão da seleção e do Paris Saint-Germain. Quais características de líder que você acredita ter? Da forma mais simples possível, tento incentivar os meus companheiros. Não só com palavras, com gestos, mas com atos no treinamento, dentro de campo, nos jogos. Tento ser alguém que passa muita motivação, que se esforça, que dá realmente o melhor em campo, que defende o seu gol. Acho que é um conjunto, tem de saber falar, se comunicar, e acima de tudo ser bem profissional, trabalhador.

O Cafu é o recordista de jogos pela seleção, com 149 partidas. Bater recordes passa por sua cabeça? São grandes objetivos. Queremos sempre fazer coisas boas, entrar para a história, e acho que recordes nos colocam na história, como títulos, número de jogos com a seleção brasileira. São grandes objetivos, principalmente para um zagueiro. É que vai me motivar muito, me incentivar.

Qual a sua primeira lembrança de uma Copa do Mundo? É de 2002, em que o Brasil foi campeão. Mas antes disso, na preparação da Copa do Mundo, lembro da rua toda pintada, com os amigos,  vizinhos, a preparação para este momento.

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Como é trabalhar com o Tite? É um líder, que dá exemplo para todos. É um homem que tem fé nos seus objetivos, no seu trabalho. É profissional, muito sincero com os jogadores. Trabalha na base da confiança com toda a equipe.

Em seu início no Corinthians, Tite o colocou para jogar como lateral e volante. Como foi reencontrá-lo na seleção, agora como zagueiro? Foi um reencontro muito bom, porque ele me chamou já na primeira convocação dele. No início no Corinthians foi uma situação normal, muitos jovens mudam de posição quando começam. Às vezes, por uma circunstância, é preciso mudar. E o Tite sabia que podia contar comigo, até me usou de lateral esquerdo, direito, no meio-campo, na zaga.

Você saiu do Corinthians e não jogou o Mundial de Clubes de 2012. Pensa que poderia ter conquistado o título contra o Chelsea no Japão? Não, não tenho arrependimento nenhum das minhas escolhas. Porque não sei se estaria aqui hoje, vivendo este momento bom, em um grande clube europeu, com grandes ambições, na seleção brasileira. Talvez se eu tivesse continuado no Corinthians meu rumo poderia ser outro. Fiquei muito feliz acompanhando de longe, mas sabia que tinha de ter fé na minha escolha.

Em 2016 o PSG perdeu para o Barcelona por 6 a 1 na Champions. Existe um segredo para marcar o Messi? É mais difícil enfrentar um atacante como Suárez, mais forte? São jogadores que se complementam, são dois craques. Naquele jogo, tivemos um  momento negativo, onde a nossa equipe não esteve bem para fazer um bom jogo. E do outro lado estava um Barcelona com muita fome, com muita vontade de virar esse jogo. Mas não existe segredo para fazer um grande jogo: é preciso uma boa preparação mental, espiritual, física.  Ninguém trabalha sozinho, precisamos do todo o time. Para marcar um Messi, sozinho, é muito difícil. Por isso é preciso contar com os  companheiros, que dão uma grande ajuda.

Conversa com Neymar sobre situações polêmicas? Temos de respeitar a opinião de cada um, a maneira de viver. Alguns atletas são tranquilos, mais calmos, outros são mais agitados, gostam de estar mais presentes fora de campo. Se houver algo que eu ache que deva falar, vou fazê-lo no momento oportuno. Tenho intimidade porque já temos um bom tempo juntos. Mas ele é mais velho, tem mais experiência do que eu, ele sabe o que é melhor para ele. E tem muita gente ao seu lado para guiá-lo.

Você interveio no vestiário naquele episódio da cobrança de pênalti entre Neymar e Cavani, no início da temporada? Em alguns momentos tivemos de conversar. Até foi bom para o treinador, para o time, em que dois craques querem ter  essa responsabilidade. Seria ruim se um jogador não quisesse bater o pênalti. Nesse caso foi simples de ser resolvido, sabíamos que quem decidiria era o nosso treinador – e nenhum dos dois queria ser o batedor absoluto. A conversa foi que as cobranças fossem divididas, e o treinador tomou a decisão de quando cada um bateria.

O time  já analisou o que não deu certo esse ano contra o Real Madrid, pela Champions? Já tiveram conversa para se preparar para a próxima temporada? Pouca. É tudo muito recente, vivemos alguns momentos difíceis. Estamos nos preparando, com boas e más experiências, o que é bom para crescer. Creio que mais que buscar evolução o importante é ser positivo. E tivemos pela frente uma equipe muito forte, de campeões. Eles estavam uns dois passos na nossa frente. Temos de ter humildade, estamos no caminho certo. É um projeto muito bom, com grandes jogadores, mas para conseguir o título da  Champions o caminho é mais difícil. Com o tempo chegamos lá.

Há um ano, o Barcelona tentou contratá-lo. Por que não deu certo? Estou feliz com minha decisão. Houve interesse de alguns outros times também. Mas em nenhum momento o meu presidente me deixou fora do projeto dele. Ele me mostrava a confiança que tinha em mim, dizia que eu era muito importante. Fiz as contas junto com a minha família, com meu empresário, e com o presidente, e chegamos a um acordo. Estou feliz com a minha escolha, é um plano ambicioso, difícil, duradouro, mas vamos viver boas coisas aqui no PSG.

Onde você estava e qual foi o seu sentimento no dia do 7 a 1 na Copa de 2014? Eu estava na Áustria, em preparação com o PSG, com o Lucas, que não tinha sido convocado. Foi um momento difícil para todos os brasileiros. Sei um pouco o que aqueles jogadores passaram. A cicatriz ficou. Então, eu acho que de uma certa forma, foi um momento também de reflexão do nosso futebol brasileiro, como projeto, como um todo. Hoje vemos um evolução no futebol brasileiro, a partir de um certo momento de reflexão, não só para a seleção, mas para todos os clubes.

Marquinhos é um dos atletas mais respeitados no PSG Stephane Mahe/Reuters
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