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Marcantes, Leão e Muricy se encontram no Morumbi em bancos trocados

São Paulo e Santos. Emerson Leão e Muricy Ramalho. As duas histórias destes treinadores se confundem com as trajetórias recentes dos clubes em questão. Revelado nas categorias de base do Tricolor Paulista, Muricy teve passagem brilhante como técnico no Morumbi, levantando três títulos brasileiros (2006, 2007 e 2008). Leão, por sua vez, alcançou o grande momento de sua carreira como treinador ao ganhar o Brasileirão de 2002 pelo time da Vila Belmiro.

Histórias que, no entanto, não servem como vantagem para nenhum lado no San-São deste domingo na opinião de Leão. ‘Não conheço bem o Santos nem o Muricy conhece bem o São Paulo. São épocas diferentes. Conhecemos bem, sim, o futebol paulista, até porque fomos contemporâneos’, falou o técnico do Tricolor, goleiro nos anos 1970 e 1980 enquanto Muricy atuava como meia.

Curiosamente, contudo, a última vez que o São Paulo bateu o Santos em um Campeonato Paulista, os dois técnicos estavam em bancos de reservas invertidos em relação aos que ocuparam neste fim de semana. Em 10 de fevereiro de 2008, um gol de Carlos Alberto, meia do Tricolor de Muricy naquele dia, aos 41 minutos do segundo tempo rendeu o triunfo por 3 a 2 diante do Peixe de Leão – Kleber Pereira e Rodrigo Souto haviam marcado antes para o Alvinegro, enquanto Fábio Santos e Juninho tinham balançado as redes a favor dos anfitriões.

Mas aquela foi só uma das passagens de Leão pela Vila Belmiro. Identificado com o Palmeiras, outro rival paulista, o ex-goleiro comandou a equipe litorânea em três períodos. O primeiro, de 1998 até a metade de 1999, quando conquistou o título da Copa Conmebol, em 98. O segundo e mais vitorioso, do meio de 2002 até maio de 2004, e o terceiro de janeiro a maio de 2008.

Com Leão, os santistas viram nascer uma geração de Meninos da Vila liderada pela dupla Diego e Robinho. O Alvinegro Praiano não tinha recursos financeiros suficientes para grandes investimentos, o que fez o técnico optar pela aposta em jovens talentos para aquele Campeonato Brasileiro de 2002.Emerson Leão não promoveu Diego e Robinho aos profissionais, mas foi o responsável por fixar o meia e o atacante como titulares. O treinador, que na época vinha de uma passagem frustrada pela Seleção Brasileira, também apostou em outros promissores atletas, casos do zagueiro Alex, do volante Renato e do meia Elano, que estavam sem espaço e prestes a serem dispensados pelo clube.

Desta forma, Leão levou um time desacreditado, que chegou a ser cogitado a uma possível briga contra rebaixamento, ao título. Na reta final, os garotos santistas desbancaram o favorito São Paulo, o copeiro Grêmio e o forte Corinthians para faturar a taça.

A partir desta conquista, o Peixe viveu outros momentos em sua história e voltou a figurar no topo das competições que participava. De lá para cá, o clube faturou mais um título brasileiro (2004), quatro paulistas (2006, 2007, 2010 e 2011), uma Copa do Brasil (2010) e uma Libertadores (2011).

A última conquista, inclusive, veio com Muricy Ramalho. A Libertadores do ano passado foi uma lacuna preenchida na carreira do treinador que faltou em sua vencedora passagem pelo Morumbi. Foi por não dar ao Tricolor o tetracampeonato continental que o comandante foi demitido em junho de 2009.

Os três anos e meio anteriores, contudo, foram de domínio nacional. Se sempre caiu diante de compatriotas na Libertadores à frente do São Paulo – caiu na final de 2006 diante do Inter, nas oitavas de final de 2007 para o Grêmio, nas quartas de final de 2008 contra o Fluminense e nas quartas de final de 2009 ante o Cruzeiro -, não perdeu nenhum dos Campeonatos Brasileiros que começou e terminou nesta passagem pelo clube.

O São Paulo de Muricy Ramalho venceu por antecipação as ligas nacionais em 2006 e 2007 e, com recuperação marcante – chegou a ficar 11 pontos distante da liderança a 18 rodadas do final da competição -, foi tricampeão em 2008. A maior sequência de títulos de um clube antes de a CBF unificar as conquistas das Taças Brasil e Roberto Gomes Pedrosa às de Brasileiro. Não à toa, seu nome é sempre lembrado pela torcida como contestação a quem o substituiu no banco de reservas do Tricolor.